Dezenove estudantes do sistema prisional do Espírito Santo disputaram a 11ª edição do Festival de Xadrez para Estudantes Privados de Liberdade na quinta-feira (02), em Vitória. A competição indicou os três melhores colocados de cada categoria, e todos os participantes receberam medalhas em reconhecimento ao esforço e à dedicação.
O festival é uma parceria da Secretaria da Educação (Sedu) com a Secretaria da Justiça (Sejus) e tem foco na difusão de conhecimento e na ressocialização. As partidas foram realizadas no Ginásio Audifax Barcelos, com apoio da Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport).
Cinco partidas de 30 minutos para definir o pódio
A disputa teve cinco partidas, com duração de 30 minutos. Esse é o tempo total de cada jogo, não o tempo de cada jogada: o relógio corre enquanto o enxadrista pensa e só para quando ele move a peça e aperta o botão. Num ritmo assim, administrar o tempo pesa tanto quanto a posição no tabuleiro, porque uma vantagem construída com calma na abertura pode se desfazer em um lance apressado no fim, com o relógio quase zerado.
É também por isso que o formato exige constância: quem erra uma partida ainda tem as outras para recuperar, e a classificação sai do conjunto, não de um lance isolado.
As unidades premiadas nos dois naipes
No naipe masculino, o primeiro lugar ficou com o representante do Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL). O segundo lugar foi da Penitenciária Estadual de Vila Velha 3 (PEVV3) e o terceiro, da Penitenciária de Segurança Média 1 (PSME1).
No naipe feminino, as duas primeiras colocações ficaram com o Centro Prisional Feminino de Colatina (CPFCOL). A terceira posição foi do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC).
Como se chega a um torneio jogando em horário marcado
Os 19 participantes da 11ª edição foram selecionados pelo melhor desempenho de cada um nas partidas disputadas dentro das unidades, permitidas em dias e horários determinados. Essa é a diferença prática entre treinar xadrez fora e dentro do sistema prisional: o acesso ao jogo é organizado em janelas fixas da rotina da unidade, e é nesse intervalo que o estudante estuda aberturas, revê partidas e joga o que vale a vaga na competição estadual.
O critério tem efeito direto no que se vê no tabuleiro: chega ao festival quem manteve regularidade ao longo de meses, e não quem teve um bom dia.
Por que a pasta da Educação organiza um torneio de xadrez
Os competidores são, antes de tudo, estudantes matriculados nas turmas que funcionam dentro das unidades prisionais — daí a Sedu à frente da organização, ao lado da Sejus. O xadrez entra em programas escolares por treinar planejamento, memória, leitura de consequências e a disciplina de esperar a vez, habilidades que a sala de aula cobra em outra forma.
Vale entender o que está em jogo além da medalha: pela legislação brasileira de execução penal, as horas de estudo cumpridas dentro da unidade podem ser contabilizadas para abater tempo de pena. Frequência escolar, ali, não é apenas registro de presença. Antes desta competição, a décima edição do festival, disputada no ano anterior, já havia reunido as mesmas duas secretarias.
Secretário da Justiça vê impacto na valorização pessoal
Presente à competição, o titular da pasta da Justiça no Estado destacou o alcance da iniciativa para além do resultado esportivo.
Esse trabalho tem um impacto direto na valorização pessoal, devolvendo dignidade e fortalecendo a confiança de que todos podem superar desafios. A prática esportiva desenvolve raciocínio, disciplina e concentração. Assim como acontece com o xadrez, contamos com várias outras ações que cumprem papel fundamental na ressocialização, seja por meio do trabalho, da cultura, do lazer ou de atividades educativas
A avaliação é do secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, que participou do festival.
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