Estudantes da EEEFM Professora Filomena Quitiba, em Piúma, produziram um livro de colorir inteiramente autoral sobre a própria cidade. Batizado de Piúma Goods, o material reúne ilustrações feitas à mão pelos alunos da disciplina eletiva Ateliê Poético e retrata paisagens, tradições, festas, pessoas e cenas do cotidiano piumense. A obra foi impressa e também disponibilizada em formato digital.
O que os alunos desenharam, página por página
O ponto de partida do projeto foi o próprio território. Em vez de copiar referências prontas, os estudantes observaram o que existe na cidade — os lugares por onde passam todo dia, as festas, as memórias de família — e traduziram isso em imagem. Cada ilustração funciona como um recorte da identidade local: não é um desenho genérico de praia, é uma cena reconhecível por quem mora em Piúma.
O traço segue o estilo que os próprios alunos chamam de comfy and cute. A expressão em inglês descreve um jeito de ilustrar marcado por linhas leves, formas arredondadas e cenas de aconchego, sem sombreado pesado nem excesso de detalhe. É justamente esse tipo de desenho que funciona bem em livro de colorir: contornos limpos deixam espaço aberto para quem vai pintar.
Do papel ao arquivo: as etapas que os estudantes assumiram
O trabalho não terminou no caderno de desenho. Os alunos percorreram todas as etapas de produção de um livro:
- Desenho manual, feito à mão, um a um;
- Digitalização, que transforma o papel em arquivo de imagem;
- Edição, para ajustar traço, contraste e limpeza da página;
- Diagramação, a etapa que define a ordem das páginas, as margens e como cada ilustração se encaixa no formato final.
Ao longo desse percurso, os estudantes ampliaram habilidades ligadas à arte, à pesquisa, à escrita criativa e ao trabalho em grupo. Vale lembrar que a eletiva é o componente que o próprio aluno escolhe cursar, além das matérias obrigatórias — foi dentro dela que o livro nasceu.
Como o material chega à comunidade
O livro tem duas vidas. A versão impressa circula em mãos, como qualquer livro de colorir. A versão digital resolve o limite natural da tiragem: um arquivo pode ser aberto e reimpresso quantas vezes for preciso, o que amplia o acesso da comunidade à produção dos estudantes sem depender de uma nova impressão do lote inteiro. Na prática, uma mesma ilustração pode ser usada por várias turmas, por uma biblioteca ou por uma família em casa.
O que dizem as professoras que conduziram o projeto
“Criar o Piúma Goods foi um exercício de amor pela cidade e pela educação pública. Cada página reflete o olhar sensível dos nossos alunos sobre Piúma, suas cores, suas histórias e seus encantos. Ver esse projeto ganhar forma é a prova de que a escola pode ser um espaço vivo de arte, cultura e pertencimento.”
A avaliação é da professora de Arte, Adriana Tiago Lopes.
“O Piúma Goods representa a união entre o fazer manual e as possibilidades criativas da tecnologia. Foi bonito ver os alunos desenhando à mão, digitalizando, editando e transformando esses traços em um livro completo. Esse processo revelou que a arte e a escrita visual também são formas de linguagem, capazes de dialogar com o mundo digital sem perder a essência artesanal.”
A observação é da professora de Língua Portuguesa, Izabela Martins Layber, que destaca o diálogo entre o fazer manual e o uso consciente da tecnologia.
“Foi um processo interessante, deu pra trabalhar bastante a criatividade com a proposta. Eu fiquei muito contente que meus desenhos fizeram parte do livro”
Quem diz é a estudante Ericka Eduarda Fernandes, da 2ª série do Ensino Médio Integral.
O roteiro que outra escola pode repetir
O caminho seguido em Piúma é replicável e não exige equipamento raro: escolher um recorte do território, desenhar à mão, digitalizar, editar, diagramar e publicar nos dois formatos. A mesma escola já havia levado esse método a outras frentes — foi dela o projeto que venceu a feira de ciências com um aplicativo de acessibilidade, e também a ação que levou arte, diversidade e acolhimento para as ruas. Em todos os casos, o que muda é o produto final; a lógica é a mesma — o aluno pesquisa, cria e entrega algo que sai do papel e chega a outras pessoas.
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