
O café solúvel brasileiro registrou desempenho expressivo em julho de 2026, com exportações de 8,161 mil toneladas — equivalentes a 353.761 sacas de 60 kg em café verde —, volume 20% superior ao embarcado no mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Além disso, o consumo interno cresceu 14% no acumulado de janeiro a julho deste ano, sinalizando um ciclo positivo tanto no mercado externo quanto no doméstico.
Consequentemente, o Brasil acumula 57,4 mil toneladas exportadas nos sete primeiros meses de 2026, alta de 10,9% sobre as 51,7 mil toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025. Nesse sentido, dois fatores estruturais impulsionam essa virada: a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, em 1º de maio, e a isenção tarifária concedida pelos Estados Unidos ao produto na segunda quinzena de julho.
Por outro lado, a receita cambial acumulada nos sete primeiros meses de 2026 somou US$ 663,5 milhões, recuo de 2,5% ante o mesmo intervalo do ano passado — variação modesta diante do salto em volume, conforme o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima.
Mercados Europeu e Americano Reagem ao Café Solúvel Brasileiro
Os embarques para a União Europeia cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas. De fato, países como Polônia (+40,6%), Estônia (+103,4%) e Países Baixos (+36,9%) figuram entre os dez maiores compradores, todos registrando expansão expressiva na comparação com 2025.
Quanto aos Estados Unidos, Lima avalia que “É justamente por isso que o dado de julho ganha peso. Mesmo comparado a uma base ainda livre de tarifas, o mês registrou 1,3 mil toneladas embarcadas aos EUA, alta de 9,5%, sendo o primeiro sinal claro de recuperação do fluxo, anterior à própria isenção, que passou a valer apenas nos últimos dias do mês passado.”
Concorrentes Diretos Ampliam Compras do Café Solúvel Brasileiro
Certamente um dos dados mais reveladores diz respeito aos países que, mesmo sendo grandes produtores, ampliaram fortemente as importações do Brasil. A Colômbia ocupa o 4º lugar no ranking, com 3,4 mil toneladas e crescimento de 145,7%; a Indonésia aparece logo na sequência, com 3,2 mil toneladas e alta de 49,6%; e o Vietnã fecha o top 10, com 2,2 mil toneladas e expansão de 67,2%.
Dessa forma, Lima destaca que “Esse movimento reforça a competitividade da indústria brasileira de café solúvel, que abastece, inclusive, seus concorrentes diretos.” Além disso, Argentina e Rússia somam, cada uma, 4,6 mil toneladas no período, com a Rússia registrando alta de 21,9%.
Consumo Interno de Café Solúvel Cresce com Diversidade de Produtos
No mercado doméstico, o consumo de café solúvel brasileiro alcançou 17,3 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, incremento de 14% frente ao mesmo período de 2025. A consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, atribui esse avanço à ampliação do portfólio disponível ao consumidor.
Em outras palavras, Relvas explica que “Hoje nós temos um sortimento muito amplo de café solúvel, desde cafés orgânicos, descafeinados, cafés premium e de excelência, enfim, variedade de oferta para diferentes momentos de consumo. Assim, a percepção de produtos de qualidade também aumentou.” Além disso, o café solúvel ganhou espaço como ingrediente em bebidas prontas e produtos proteicos, segmento em forte expansão.
Finalmente, a consultora conclui que “A quantidade de produtos ofertados no mercado faz com que o consumidor brasileiro consuma mais o café solúvel, tendo uma melhor percepção sobre ele, o que é bom porque entendem melhor a diversidade e a qualidade. Isso, aliado à praticidade de preparo e aos constantes investimentos das nossas indústrias, contribui para que o consumo permaneça evoluindo gradualmente.”
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