O processo seletivo que a Sedu abriu em julho de 2024 para o curso técnico concomitante não aceita mais inscrição: o prazo fechou em 8 de agosto de 2024, há dois anos. Vale hoje como histórico do Edital nº 35/2024 — o que ele ofereceu, a quem, em quais municípios, e o que a Secretaria da Educação nunca chegou a informar.
Uma coisa este aviso acertou: ele não nasceu vencido. O edital saiu em 29 de julho de 2024, uma segunda-feira, e a nota foi ao ar no dia seguinte, com dez dias de prazo ainda correndo. O que aconteceu foi o oposto do erro mais comum nesse tipo de texto — a nota envelheceu depois, e ficou dois anos no ar anunciando uma inscrição fechada.
Quem podia entrar no curso técnico concomitante
O público está definido em uma frase do edital, e nenhuma outra faixa aparece no aviso: estudantes da Rede Pública Estadual que cursassem a 1ª ou a 2ª série do Ensino Médio regular, ou a 1ª ou a 2ª etapa da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Idade mínima, idade máxima e situação de quem estuda em outra rede não são tratadas em lugar nenhum do texto oficial.
No edital, a oferta aparece pelo nome oficial: Educação Profissional Técnica de Nível Médio, na forma concomitante. Concomitante é o termo que o documento usa e não explica. Significa que o curso técnico da rede estadual corre ao lado do Ensino Médio que o estudante já faz — não substitui a série, soma-se a ela. Tanto é assim que o cronograma previa uma matrícula à parte, feita depois do resultado, na secretaria da própria unidade escolar que fosse ofertar o curso escolhido.
Onde, quando e por qual canal
A inscrição era on-line, num sistema mantido pelo PRODEST, e o restante do percurso era presencial, na escola. O cronograma que a Secretaria divulgou tinha seis etapas:
- Inscrições — de 29/07/2024, a partir das 10h, até 08/08/2024, às 23h e 59min, pelo sistema estadual de seleção de alunos.
- Divulgação do resultado — 12/08/2024, a partir das 17h, no site da Secretaria e no mesmo sistema em que a inscrição foi feita.
- Matrícula dos classificados dentro do número de vagas — de 13/08/2024 a 15/08/2024, das 8h às 20h, na secretaria da unidade escolar que ofertaria o curso.
- Chamada de suplentes — a partir de 16/08/2024, das 8h às 20h, e só se houvesse vacância.
- Início das aulas — 19/08/2024, na unidade escolar do curso escolhido, no horário do próprio curso.
- Matrícula de vagas remanescentes — de 19/08/2024 a 21/08/2024, das 8h às 20h, também na secretaria da escola.
Os endereços das escolas nunca entraram no aviso. O cronograma remete, quatro vezes, ao Anexo II do edital — quem quisesse saber em que prédio se apresentar precisava abrir o documento. Os municípios contemplados, esses sim, estão nomeados: Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares, Santa Teresa, São Mateus, Venda Nova do Imigrante, Serra e Vitória.
Mais de mil vagas, e nenhuma conta por curso
A oferta em cursos técnicos concomitantes foi anunciada como mais de mil vagas. É um mínimo assumido pela Secretaria, e não um total: o número exato ficou na relação por curso e por localidade, que só existe dentro do edital. Nada no aviso permite repartir esse mínimo por município ou por curso.
A lista de cursos também não fecha. O texto nomeia três — Desenvolvimento de Sistemas, Sistemas de Energia Renovável e Programação de Jogos Digitais — e encerra com um entre outros que deixa o resto de fora. Quem procurava um curso específico não tinha como confirmar pelo aviso se ele estava na oferta.
Há ainda uma palavra que carrega uma etapa inteira sem descrevê-la: o cronograma fala em candidatos classificados. Classificar pressupõe ordenar os inscritos quando a procura passa da oferta. Nem o aviso nem o cronograma dizem por qual critério isso seria feito — se por sorteio, por desempenho escolar, por ordem de inscrição ou por outro parâmetro.
Onde o aviso oficial parava
O texto da Secretaria cobre calendário, público e canal. Fora disso, cala. Não informa:
- se o curso é gratuito — a palavra não aparece, e o aviso apenas descreve uma parceria com o Sistema S, sem dizer quem custeia o quê;
- se as aulas são presenciais ou a distância;
- carga horária, duração e turno de cada curso;
- quais documentos o classificado deveria levar à matrícula;
- quais escolas, em cada um dos municípios, ofertariam cada curso;
- o critério de classificação, e se haveria desempate;
- se havia recurso previsto contra a classificação, e em que prazo;
- que entidades o Sistema S reúne nesta parceria, e qual o papel de cada uma;
- a quem perguntar — o aviso não traz telefone, e-mail, formulário nem qualquer canal de dúvida.
Essa última ausência é a mais cara num prazo de dez dias. Quem tivesse dúvida sobre a própria elegibilidade não tinha, pelo texto, para onde ligar.
O que ainda funciona nesse aviso vencido
O prazo morreu; os endereços, não. Conferimos os dois: o arquivo do Edital nº 35/2024, com a relação de vagas por curso e localidade continua sendo entregue — mudou de caminho no servidor da Secretaria, mas abre, e é nele que está o Anexo II com os endereços das escolas. E o sistema de inscrição indicado no cronograma segue no ar em 2026, reunindo processos seletivos simplificados do Estado, com uma trilha própria para os cursos do Sistema S.
Ou seja: o que venceu foi o aviso, não o canal. Quem tiver interesse numa vaga hoje encontra ali o processo do ciclo atual — e nada do que o texto de 2024 dizia sobre datas vale para ele.
Não confunda este edital com o de 2025
Este seletivo é de 2024, com o número 35 e a parceria do Sistema S. Ele não é o mesmo processo do resultado divulgado em fevereiro de 2025, sob outro número de edital e outra parceria — ano diferente, documento diferente, lista de classificados diferente. É a confusão fácil de cometer, porque o nome do curso é idêntico nos dois casos.
Na mesma semana em que este edital corria, uma outra frente de cursos técnicos da rede estadual dava aula inaugural em Cachoeiro de Itapemirim, em 5 de agosto de 2024, com outro formato de parceria. E o modelo não parou por aí: em novembro de 2025 a rede estadual voltou a abrir vagas em cursos técnicos gratuitos, num processo posterior e sem relação com este.
Um lado só da história
O material de origem é comunicado de secretaria: descreve a oferta pela ótica de quem oferta. Não há no texto um estudante, uma direção de escola ou um número de procura — nem do ciclo anterior, nem deste. Quantos se inscreveram para as mais de mil vagas, quantos foram classificados e quantas vagas sobraram para a chamada de suplentes são dados que a Secretaria não apresentou ao divulgar o edital, e que este registro não tem como suprir.
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