Robô de alunos de Colatina foi o 8º melhor da América Latina — Direto Notícias

Robô de alunos de Colatina foi o 8º melhor da América Latina

O robô Zorth, construído por estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Honório Fraga, em Colatina, foi classificado como o 8º melhor da América Latina no Campeonato Latino-Americano de Robótica, disputado em julho de 2024 dentro da Campus Party, em São Paulo. A disputa já estava encerrada quando a rede estadual divulgou o resultado, e nenhuma etapa seguinte foi anunciada — a prova correu em julho, o resultado saiu depois dela e ninguém falou em nova rodada.

A escola é uma das unidades do programa Escola do Futuro, da rede pública estadual. A equipe que viajou a São Paulo se chama UNIMATE TEAM e foi orientada pelos professores Fabio Bigati e Patricia Rios. Quantos estudantes a formam, e de que séries, a Secretaria da Educação (Sedu) não informou.

Zorth foi construído, inscrito, quebrado e consertado — nesta ordem

Vale separar o que os estudantes efetivamente fizeram do que a linguagem de divulgação sugere. Pelo texto oficial, eles construíram o robô, inscreveram a equipe em duas categorias, competiram ao longo dos dias de prova, enfrentaram uma falha técnica na fase eliminatória, encontraram uma saída para ela e terminaram a última volta em 23,752 segundos.

As duas categorias disputadas foram Seguidor de Linha e Perseguidor de Linha. Que prova cada uma dessas categorias impõe ao robô, o comunicado não conta; tampouco diz como Zorth foi programado ou quanto tempo levou para ficar pronto. Sobre a falha na eliminatória, também não há descrição: nem qual foi o problema, nem em que consistiu a saída que os alunos encontraram. Só o desfecho aparece — a volta concluída, e o tempo dela.

O tempo, aliás, é de uma volta só, a última. A divulgação não traz o tamanho da pista, o número de voltas da prova, a marca de quem venceu nem qualquer termo de comparação. Sem isso, os 23,752 segundos são um dado solto: informam que o robô cruzou a linha, não o quanto isso valeu.

O oito é do robô, e o texto não fecha de quantos

Aqui está o ponto que a leitura corrida atropela. A rede estadual escreveu que o robô foi classificado como o 8º melhor da América Latina. A colocação recai sobre o aparelho, não sobre a equipe e não sobre os estudantes — e a diferença muda quem está sendo ranqueado, porque uma equipe pode levar mais de um robô à mesma prova, como o próprio material sugere ao contar equipes e robôs em números diferentes.

Esses números são os únicos do universo da disputa: a equipe competiu, segundo a Sedu, com mais de 40 equipes e 80 robôs. São duas unidades de contagem para o mesmo evento, e o texto não converte uma na outra. A expressão mais de tanto pode cobrir os dois números quanto valer só para as 40 equipes, e o comunicado não desfaz a dúvida; e dividir um número pelo outro para achar uma média produziria um dado que ninguém apurou.

Falta ainda a peça mais básica de uma colocação: em qual das duas categorias veio o 8º lugar. A equipe entrou em Seguidor de Linha e em Perseguidor de Linha, e o resultado divulgado é um só. Como a equipe se saiu na outra categoria, ninguém informou. Também não se sabe quantos países, estados ou escolas estavam representados — América Latina é o rótulo que dá nome ao campeonato, e o material não o traduz em número algum.

Campeonato Latino-Americano de Robótica: sem prêmio descrito e sem organizador nomeado

O título com que essa notícia circulou fala em conquista. O texto que a sustenta não descreve nenhuma entrega: não há troféu, medalha, certificado, vaga, bolsa ou valor em dinheiro citado em lugar nenhum. Também não há cerimônia — nem no dia da prova, nem depois. Existe uma posição em uma lista, e só.

Isso importa porque, em competição escolar, disputar, ser classificado e receber alguma coisa costumam ser três momentos distintos, às vezes separados por meses. Neste caso o material só dá conta dos dois primeiros: houve prova em julho e houve uma colocação. O terceiro ato, se existiu, não foi divulgado.

E há uma ausência que sustenta todas as outras: quem organiza o Campeonato Latino-Americano de Robótica não aparece no comunicado. A Campus Party é citada como o lugar e a ocasião — o evento dentro do qual a disputa correu —, não como a entidade que definiu regras, categorias e classificação. Sem o nome de quem organiza, falta o endereço para pedir a tabela oficial — e a posição divulgada fica sem como ser conferida.

O que a Sedu explica sobre a Escola do Futuro, e o que deixa em branco

Metade do comunicado é dedicada ao programa, e essa parte responde ao básico. A Escola do Futuro é uma iniciativa do Governo do Espírito Santo conduzida pela Sedu, que tem por eixo a Cultura Digital e propõe levar métodos de ensino novos e ferramentas tecnológicas para a rotina da escola. Ela integra um conjunto de ações da Secretaria alinhadas à legislação educacional em vigor, à Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e ao Currículo do Espírito Santo na Rede Pública Estadual de Ensino. O objetivo declarado é formar competências para lidar com as ferramentas digitais de forma crítica e responsável.

O que fica em branco é a parte prática, a que interessa a quem estuda numa escola que ainda não é do programa: como uma unidade entra, quantas já estão dentro, o que cada uma recebe em equipamento, verba ou formação de professores, e se existe calendário de expansão. O comunicado também não diz se a equipe de robótica nasceu do programa ou se é iniciativa dos próprios professores que a orientam.

Parte dessa engrenagem apareceu em divulgações posteriores da rede. Em fevereiro de 2025, meses depois desta viagem a São Paulo, a Secretaria reuniu numa formação os professores encarregados de conduzir a inovação dentro de cada unidade do programa. É material de outra data e de outro assunto, útil para entender como a rede organiza o Escola do Futuro por dentro — não para preencher o que falta neste comunicado.

Uma semana de Campus Party, contada por quem esteve lá

Em todo o texto oficial há uma só fala de estudante. Ela veio de um integrante da equipe, ao fim da estadia em São Paulo:

Depois de uma semana na Campus Party, posso dizer que foi uma vivência única. Não só aprendemos mais sobre tecnologia, mas também sobre a importância do trabalho em equipe e do apoio mútuo. As amizades e os conhecimentos que levamos dessa viagem abriram novos horizontes para nós

É dessa frase, e só dela, que sai a duração da viagem: uma semana. A prosa do comunicado nunca a informa — situa a disputa em julho e menciona os dias de competição, sem uma data sequer. Quem custeou o deslocamento e a hospedagem da equipe também não é dito em nenhum ponto.

Os professores que orientaram o grupo não são citados em discurso direto. A Sedu resume, em texto próprio, que na avaliação deles a disputa reforçou a base técnica dos alunos e permitiu pôr em prática o que se ensina em sala, em programação e em engenharia mecânica. É paráfrase da assessoria, não fala transcrita, e não há aspas no original a devolver.

Sem organizador, sem prêmio e sem próximo passo

O comunicado é da própria Secretaria sobre o resultado de uma escola da própria rede, e ninguém de fora do órgão é ouvido — nem a organização do campeonato, nem outra escola participante, nem quem avalia ensino técnico. Do campeonato até a volta para Colatina, estes pontos seguem sem resposta:

  • quem organiza o campeonato e onde a classificação oficial pode ser consultada;
  • em qual categoria veio a 8ª colocação, e o desempenho na outra;
  • quantos estudantes formam a UNIMATE TEAM, e de quais séries;
  • que falha técnica travou o robô na eliminatória, e como foi contornada;
  • quem pagou a viagem, a inscrição e a construção do robô;
  • se houve premiação de qualquer espécie, e quando;
  • se a equipe continua ativa, e se há forma de outros alunos entrarem nela.

A última pergunta é a que mais falta a quem lê de Colatina. Um texto que anuncia resultado de equipe escolar costuma atrair estudante e família procurando como participar — e não há, neste material, nem inscrição, nem canal, nem indicação de que a equipe siga existindo depois da viagem.

Robótica escolar é iniciativa de escola, não política com vaga aberta

Convém não ler este caso como um programa em funcionamento. O que foi divulgado é uma equipe de uma escola que construiu um robô, viajou uma vez e voltou com uma posição em uma lista. Não há edital, meta, orçamento nem previsão de repetição.

O padrão se repete na rede: em julho de 2025, com quase doze meses de distância desta disputa, estudantes de outra escola estadual montaram um braço robótico numa disciplina eletiva, sem competição alguma envolvida — atividade bem posterior a esta e sem ligação com ela. São duas experiências locais, cada uma nascida dentro de uma unidade, e não etapas de uma mesma política.

Na própria EEEFM Honório Fraga, a tecnologia voltou a aparecer em outro formato. Em março de 2025, a escola ligou lugares da cidade a memórias afetivas dos alunos usando cartografia digital. É registro de meses depois, de outro projeto e de outra turma, e mostra que a mesma unidade seguiu trabalhando com ferramenta digital depois do campeonato.

Por que os estudantes não estão nomeados neste texto

A fala acima está inteira, sem corte, mas o nome de quem a disse não aparece — e o comunicado oficial o publica. A escolha é da redação, não descuido de apuração.

A regra que vale aqui tem dois motivos. O primeiro é que a colocação divulgada é da equipe e do robô: nenhum organizador atribuiu resultado a um estudante específico, e um resultado coletivo pertence a quem o construiu junto, não a quem deu a entrevista. O segundo é que juntar o nome de um menor de idade à escola e ao município deixa, num buscador, um rastro que dura muito mais que a notícia — e que ninguém foi procurar. Por isso o texto diz o que a equipe fez, e não quem falou.

Os nomes dos dois professores permanecem pelo motivo contrário: eles assinam a orientação como profissionais e respondem publicamente por ela.

Compartilhe essa publicação, clicando nos botões abaixo:

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

Única: Educação no Brasil Ganha Impulso com Novidades em 2026

O cenário educacional brasileiro atravessa uma fase de transformações significativas neste início de março. Primeiramente, …