Uma turma de 6º ano da EEEFM Leogildo Severiano de Souza, em Brejetuba, trocou a sala de aula pelo laboratório da própria escola para uma aula prática de ciências. O tema foram as misturas homogêneas e heterogêneas, e a atividade foi conduzida pelo professor de Ciências Gênesis Marcos Rodrigues, que também a idealizou. A divulgação situa a aula numa quinta-feira, dia 20, e descreve uma atividade pontual, já realizada — sem anúncio de repetição, de calendário ou de extensão a outras turmas.
A aula prática de ciências aconteceu, mas o roteiro não foi divulgado
Do conteúdo, o que se sabe é o recorte temático. O material não descreve quais experimentos foram feitos, com que materiais, em quantas etapas nem quanto tempo durou a aula. Quem procurar ali um passo a passo não vai encontrar: o texto informa que a aula existiu, não como ela foi feita. Também não dá para saber se o laboratório tem equipamento próprio ou se serviu apenas como espaço diferente da sala.
Os termos do tema chegam ao leitor sem tradução: a expressão misturas homogêneas e heterogêneas aparece como vocabulário corrente, e a divulgação não explica a expressão para quem está fora da escola — quem lê fica sabendo o nome do conteúdo, não o que a turma aprendeu sobre ele.
A avaliação positiva é do professor que idealizou a ação
A leitura de que a aula deu certo tem autor definido, e vale dizer quem é: o próprio professor que propôs a atividade. É dele a afirmação de que o contato direto com os experimentos facilitou a compreensão do conteúdo e despertou interesse pela disciplina.
Para mim, foi um momento ímpar. Perceber que os estudantes estavam todos interessados na aula e curiosos sobre o que iriam descobrir foi gratificante. Além disso, notar que foi possível trabalhar o conteúdo curricular proposto com êxito e participação dos estudantes me fez ter certeza de que aquele momento foi significativo para a aprendizagem deles
A avaliação é do professor de Ciências e idealizador da ação, Gênesis Marcos Rodrigues.
Ele também relata que, nos encontros seguintes, a turma passou a se envolver mais, a se comportar de forma mais disciplinada e a levar perguntas nascidas do que tinha visto na prática. É um relato, não uma medição. A divulgação não menciona prova, nota, avaliação diagnóstica ou qualquer instrumento que compare a turma antes e depois, e não afirma que o desempenho escolar mudou.
Uma aula não é um programa
O que existe, até aqui, é uma aula prática realizada com uma turma. Não é um programa, não é política para a rede, não é cronograma de laboratório e não é mudança de rotina anunciada pela escola. Nada no material diz que a experiência vai se repetir, que será estendida aos outros anos ou que outras disciplinas farão o mesmo. Quem ler esperando que a turma do filho passe pela mesma atividade está indo além do que foi divulgado.
O que a divulgação deixou de fora
- A data completa — a aula é situada apenas como quinta-feira (20), sem mês nem ano no corpo do texto.
- Quantos estudantes participaram e se houve mais de uma turma envolvida.
- Quais experimentos foram realizados e que materiais a escola usou.
- Se o laboratório é usado com regularidade por outras turmas e disciplinas.
- Se houve custo ou apoio para viabilizar a atividade.
- Um canal de contato da escola — nenhum telefone, endereço ou horário de atendimento acompanha o texto.
Um lado só: o de quem organizou a atividade
Todo o relato vem de material de divulgação oficial da Sedu, e a única pessoa ouvida é o professor que idealizou a ação. Não há fala de estudantes, de outros professores, da direção da escola nem de responsáveis. A ausência de contraponto não significa que não exista: significa que a divulgação não foi atrás dele.
A aula de laboratório também não é caso isolado como método na rede estadual: outra reportagem mostrou estudantes de curso técnico em aula prática sobre computação em nuvem — outra escola, outra etapa de ensino e outro conteúdo, mas a mesma aposta em tirar a matéria do quadro.
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