A Sedu levou experiências da rede estadual de ensino do Espírito Santo à Mostra Nacional de Experiências Inspiradoras de Educação Integral em Tempo Integral, realizada nos dias 1º e 2 de outubro na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quem representou o Estado foi a Gerência de Educação em Tempo Integral (GETI), que apresentou ao encontro o Projeto Geração Protagonista, desenvolvido nas escolas capixabas de tempo integral.
Duas servidoras conduziram a apresentação: a subgerente da GETI, Nalini Lima Fernandes, e a técnica pedagógica Mayara Vescovi Assis. Elas expuseram as práticas da Rede Estadual diante de representantes de secretarias de educação de outros estados e municípios.
O projeto que o Espírito Santo apresentou
O trabalho levado à mostra foi o Projeto Geração Protagonista, que reúne mais de 200 escolas e 400 estudantes em turno integral. O foco declarado é o estímulo ao protagonismo estudantil, apontado pela pasta como um dos princípios educativos da educação integral.
Protagonismo estudantil, nesse contexto, não é sinônimo de atividade extra colada ao fim da aula. É um critério de organização do trabalho escolar: o estudante participa das escolhas sobre o próprio percurso e sobre a vida da escola, em vez de apenas receber conteúdo pronto. Quando esse princípio orienta a jornada ampliada, ele define para que servem as horas a mais dentro da escola.
Educação integral não quer dizer escola melhor
O nome da mostra reúne dois termos que costumam ser lidos como elogio genérico, e não são. Tempo integral é uma medida de jornada: o estudante permanece mais horas por dia na escola do que no turno único. É uma informação de horário e de organização da rede, não um julgamento de qualidade.
Educação integral é outra coisa. Trata do alcance da formação, que não se limita ao conteúdo das disciplinas e inclui dimensões como convivência, cultura, corpo e participação. Os dois conceitos aparecem juntos no título do evento justamente porque um não garante o outro: ampliar a jornada sem projeto pedagógico apenas estica o dia, e é essa distinção que separa uma escola de tempo integral de uma escola que só fecha mais tarde.
É por isso que uma mostra nacional se organiza em torno de experiências, e não de indicadores. O que as redes levam para esse tipo de encontro é o desenho do que fazem com o tempo ampliado.
Quem organizou o encontro e o que ele reuniu
A mostra foi promovida em parceria entre o grupo TEIA/UFMG e o Ministério da Educação (MEC). Participaram redes públicas de todo o País, tanto estaduais quanto municipais. A proposta era colocar lado a lado o que secretarias de educação e escolas já vinham desenvolvendo no tempo integral, de modo que cada rede pudesse ver funcionando o que foi construído fora do seu estado.
No organograma capixaba, a GETI está vinculada à Subsecretaria da Educação Básica e Profissional (SEEB). É a área da pasta dedicada à pauta do tempo integral, e foi nessa condição que esteve no evento.
O que a participação muda na rotina das escolas
Vale separar o que aconteceu do que não aconteceu. Participar de uma mostra é apresentar um trabalho já em curso a outras redes de ensino. Não é prêmio, não é avaliação, não é a criação de um programa novo.
De acordo com as representantes da GETI, a participação permitiu divulgar o trabalho desenvolvido pela gerência e também conhecer realidades e experiências implementadas em outras redes de ensino do país. Não houve, no material divulgado sobre o encontro, anúncio de novas escolas de tempo integral, de ampliação de vagas ou de mudança nas regras de matrícula.
Na prática, para as famílias capixabas, o que vale hoje é o que já estava valendo: as escolas que operam em tempo integral seguem com o mesmo funcionamento, e o Projeto Geração Protagonista continua restrito às unidades onde já é desenvolvido. Qualquer expansão dependeria de decisão posterior da rede estadual, que não faz parte do que foi apresentado na mostra.
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