Busca ativa escolar forma equipes em três cidades do ES — Direto Notícias

Busca ativa escolar forma equipes em três cidades do ES

Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Vila Velha sediaram os três polos da formação regional da Busca Ativa Escolar (BAE) no Espírito Santo, a estratégia que procura crianças e adolescentes que deixaram de ir à escola. Os encontros presenciais reuniram os coordenadores municipais da BAE, os pontos focais e a Assessoria do Regime de Colaboração das 11 Superintendências Regionais de Educação (SREs).

A formação não inaugura o programa nem abre um serviço novo ao público. A Busca Ativa Escolar já está presente em todos os 78 municípios capixabas e também na Rede Estadual de Ensino; o que os três encontros fizeram foi treinar quem opera a estratégia no dia a dia. O alcance do trabalho capixaba já havia atraído visita de fora: em 2024, uma equipe de Minas Gerais veio ao Espírito Santo conhecer as ações da Busca Ativa Escolar.

O que a busca ativa faz quando um estudante para de aparecer

A lógica da estratégia é não esperar que o estudante volte sozinho. Quando alguém some da sala de aula, a ausência deixa de ser um problema restrito à escola e passa a ser um caso a ser acompanhado por uma rede montada em cada município.

Essa rede tem endereços definidos, e foram exatamente eles que estiveram nos encontros. Em cada cidade há um coordenador municipal da Busca Ativa Escolar, responsável por conduzir a estratégia localmente. Há ainda os pontos focais, profissionais designados para acompanhar os casos. E há a Assessoria do Regime de Colaboração das Superintendências Regionais de Educação, que faz a ponte entre as redes municipais e a rede estadual — porque um estudante que sai de uma escola municipal pode reaparecer, ou desaparecer de vez, numa escola do estado.

Vale registrar uma lacuna: o material divulgado sobre a formação descreve a metodologia e a ferramenta de acompanhamento, mas não detalha o roteiro da visita à família — quem bate à porta, o que é oferecido e em quanto tempo. Esse passo a passo não consta do que foi informado.

A plataforma que transforma a ausência em caso com nome e prazo

Um dos eixos da capacitação foi o uso da Plataforma Busca Ativa Escolar, ferramenta que auxilia no mapeamento e no acompanhamento de estudantes fora da escola. É o que separa a busca ativa de uma lista de faltas: o caso é identificado, registrado e passa a ter acompanhamento até um desfecho, em vez de se dissolver na rotina.

Os participantes também trabalharam a análise de dados sobre exclusão e abandono escolar — dois problemas que a conversa cotidiana costuma juntar e que a estratégia trata separadamente. Abandono descreve quem estava matriculado e parou de frequentar. Exclusão é a situação mais grave de quem está fora da escola sem sequer ter chegado a ela, ou de quem saiu e não voltou a ser matriculado. As respostas mudam conforme o caso: rematricular quem abandonou não resolve a situação de quem nunca entrou.

Quem está na parceria

A formação foi realizada em parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a Secretaria da Educação (Sedu) — por meio da Gerência de Apoio à Permanência e à Busca Ativa Escolar (G-ABAE) — e o Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC). O objetivo declarado foi fortalecer a implementação da estratégia no estado.

Como avisar que uma criança parou de estudar

O material sobre a formação não informa um canal direto para que a população registre um caso na plataforma — o acesso é dos profissionais da rede. Na prática, quem percebe que uma criança ou adolescente parou de ir à escola tem dois caminhos abertos.

  • A escola onde o estudante estava matriculado. É o primeiro ponto da rede e quem costuma dar início ao registro do caso.
  • O Conselho Tutelar do município. É o canal público que recebe comunicações sobre criança e adolescente fora da escola, inclusive de vizinhos e de parentes, e não exige que quem avisa seja da família.

Para quem convive com a situação, o dado prático é esse: a ausência prolongada de um estudante não precisa ser resolvida dentro de casa nem esperada em silêncio. Existe rede montada, e o aviso pode partir de fora dela.

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