Primeiramente, um dado alarmante emergiu às vésperas da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras: jovens trabalhadoras negras recebem 102% menos que suas colegas brancas. De fato, essa disparidade brutal foi apresentada durante audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (24).
Além disso, o encontro reuniu vozes do governo, da sociedade civil e de organizações de direitos humanos para denunciar como o racismo estrutural molda o mercado de trabalho brasileiro. Consequentemente, a mobilização antecede a marcha prevista para terça-feira (25), sob o lema “Por Reparação e Bem Viver”.
Informalidade e desemprego atingem recordes
Nesse sentido, Waldete Tristão, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, apresentou números contundentes. Por exemplo, 40,8% das jovens negras trabalham na informalidade, em contraste com 32,4% das brancas. Ou seja, a precarização possui cor definida no país.
Dessa forma, o desemprego entre jovens negras alcançou 16% no terceiro trimestre de 2024, o dobro da taxa registrada entre jovens brancos. Certamente, esses indicadores refletem barreiras históricas que persistem há décadas.
Obstáculos globais revelam padrão sistemático
Por outro lado, Barbara Barboza, da Oxfam Brasil, trouxe a perspectiva internacional. Segundo ela, 16,4% das mulheres negras estão desempregadas globalmente. Em outras palavras, milhões enfrentam exclusão produtiva sem que isso decorra de desinteresse pessoal. Entre os entraves, destacam-se a sobrecarga com responsabilidades domésticas e a gravidez precoce.
Políticas públicas esbarram na escassez orçamentária
Assim sendo, Nailah Neves Veleci, do Ministério da Igualdade Racial, destacou iniciativas como o programa Lidera GOV e o Plano Juventude Negra Viva. Portanto, existem estratégias em andamento para ampliar a presença de pessoas negras em cargos de liderança pública.
Sem dúvida, porém, o financiamento permanece insuficiente. “Em todas as políticas que construímos, falta recurso”, frisou a representante ministerial.
Representação política como ferramenta de mudança
Finalmente, a deputada Juliana Cardoso (PT-SP) ressaltou que as cotas eleitorais raciais, vigentes desde 2020, ampliaram a presença negra no parlamento. Isto é, a distribuição proporcional de recursos partidários gerou avanços concretos, embora ainda inexista cota mínima obrigatória de candidaturas negras. A coordenadora Dercylete Lisboa Loureiro reconheceu o atraso institucional, celebrando que essas assimetrias finalmente se tornaram pauta prioritária.
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