A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Bananal, em Rio Bananal, no Espírito Santo, realizou no dia 18 de novembro a primeira edição da Feira de Ciências e Técnica: Cultura + Arte (FCTECA). O encontro aconteceu na praça de eventos da Prefeitura Municipal, vizinha à escola, e reuniu estudantes, professores, familiares e moradores em torno dos trabalhos produzidos ao longo do ano letivo.
Por ser a 1ª edição, a feira estreia no calendário da própria unidade escolar. A proposta declarada pela escola foi integrar ciência, técnica, cultura e arte, fortalecer o protagonismo estudantil e aproximar a comunidade do que é feito em sala de aula. Na prática, quem passou pela praça encontrou projetos, pesquisas e produções artísticas expostos pelos próprios autores.
Por que uma feira sai da escola e vai para a praça
Feira de ciências não é só mostruário. É o momento em que o estudante deixa de entregar o trabalho para o professor e passa a apresentá-lo a quem não acompanhou o processo: a família, o vizinho, o colega de outra turma. Explicar o que fez, responder pergunta de leigo e defender a própria escolha metodológica é o que a escola chama de protagonismo estudantil.
Realizar o evento em espaço público, e não no pátio, muda o alcance: em vez de esperar que a comunidade entre na escola, a escola ocupa o lugar por onde a comunidade já passa.
Os cursos técnicos e o que significa ser integrado
No eixo da Educação Profissional, os estudantes dos cursos Técnico em Administração e Técnico em Agronegócio apresentaram trabalhos desenvolvidos ao longo de 2025. As exposições trataram de soluções, pesquisas e propostas voltadas ao desenvolvimento local e à sustentabilidade, mostrando onde o conteúdo técnico encosta na realidade do município.
Vale entender o termo que aparece na descrição desses cursos. Integrado ao Ensino Médio quer dizer que a formação técnica não é um curso à parte, feito em outro turno ou em outra instituição: ela acontece dentro do mesmo curso do Ensino Médio, com um currículo só. Ao concluir, o estudante sai com a formação técnica e com o Ensino Médio no mesmo percurso, em vez de precisar cursar os dois separadamente.
Ciência, poesia, desenho e fotografia na mesma exposição
As turmas do Ensino Médio em Tempo Integral e em Tempo Parcial também levaram produções selecionadas. Cada turma apresentou trabalhos nas categorias científica, poesia, desenho e fotografia, com temas sociais, ambientais e culturais contemporâneos.
A diferença entre as duas jornadas costuma passar despercebida por quem está de fora. No Tempo Parcial, o estudante cumpre a carga horária regular em um turno. No Tempo Integral, a jornada é ampliada e o tempo a mais é ocupado por atividades formativas, o que abre espaço para trabalhos de mais fôlego como os que chegam a uma feira.
Inclusão e diversidade dentro da programação
A FCTECA reservou espaço para apresentações dos alunos do Atendimento Educacional Especializado (AEE). O AEE é o apoio pedagógico complementar oferecido a estudantes com deficiência, transtornos do desenvolvimento ou altas habilidades, normalmente em horário diferente do das aulas regulares. Ele não substitui a sala comum: existe para que o estudante permaneça nela com as condições de que precisa. Colocar essas produções na mesma praça que as demais é o que a escola aponta como prática pedagógica inclusiva.
A programação também trouxe atividades ligadas ao Programa de Educação para as Relações Étnico-Raciais (PREERER), com reflexões sobre identidade, respeito e diversidade cultural.
O Clube de Astronomia e o público da praça
Outro destaque foi a participação do Clube de Astronomia da escola, o CAEB – Astrôminos, que despertou o interesse do público com atividades educativas, observações e curiosidades sobre o universo.
Clube estudantil é atividade agremiada em torno de um tema, tocada pelos próprios alunos com acompanhamento da escola, e funciona o ano inteiro — a feira é a vitrine, não a atividade. É o tipo de grupo que sustenta o interesse por uma área entre uma edição e outra do evento.
O que ficou registrado
A EEEFM Bananal fecha 2025 com a primeira FCTECA realizada e com um registro do que foi produzido no ano em quatro frentes ao mesmo tempo: os cursos técnicos, as turmas de Ensino Médio nas duas jornadas, o AEE e o clube de astronomia. É a escola pública mostrando o próprio trabalho no meio da cidade, para quem paga por ele e para quem estuda nele.
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