A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Geraldo Costa Alves, em Vila Velha, realizou a 1ª Mostra de Invenções Científico-Tecnológicas de Pessoas Negras, ação pedagógica desenvolvida pelos estudantes da 1ª série do Ensino Médio regular e das 2ªˢ séries do curso técnico. A orientação foi dos professores Onildo de Souza Moraes, de História, e Amanda Ramos Della Fonte, de Química.
O formato não foi o de aula expositiva. Cada grupo estudou uma invenção, construiu um protótipo no laboratório da escola e apresentou o resultado oralmente durante a Mostra, diante das outras turmas.
As etapas que vieram antes do dia da exposição
De acordo com a descrição da atividade, o trabalho foi estruturado em uma sequência de ações: levantamento e estudo de invenções, análise de biografias de inventores e inventoras, pesquisa sobre os impactos dessas criações para a humanidade e reflexões sobre a omissão histórica das contribuições negras no ensino formal das ciências. A prática envolveu Física, Química, Biologia, História e Matemática.
A pesquisa foi feita nos laboratórios da própria unidade. Como parte do método científico aplicado, os grupos construíram protótipos ampliados e ressignificados das invenções estudadas. Entre as etapas percorridas por cada equipe estavam a elaboração do protótipo, o detalhamento técnico, a apresentação oral durante a Mostra e a organização expositiva dos materiais, com ambientação relacionada à origem e ao contexto de cada invento.
O que a escola chama de culminância
Culminância é o dia em que um trabalho desenvolvido ao longo de semanas sai do caderno e é apresentado publicamente dentro da escola. É o momento em que o grupo deixa de ser avaliado só pelo texto que escreveu e passa a responder perguntas sobre o que montou.
Duas outras expressões do projeto costumam ficar sem explicação para quem lê de fora. O detalhamento técnico é a etapa em que a equipe registra por escrito o que construiu e como. A ambientação é a montagem do espaço em volta do objeto, para situar de onde ele veio e em que contexto surgiu.
Da Antiguidade Africana ao GPS: o que a Mostra reuniu
A Mostra apresentou invenções que vão desde criações da Antiguidade Africana — o osso de Lebombo, o osso de Ishango, o pão, os cosméticos, a cerveja, o teste de gravidez, a escova de dentes e as sandálias — até contribuições tecnológicas modernas, como o semáforo, a lâmpada, o absorvente, o marca-passo e o GPS.
A cada equipe coube pesquisar não apenas o objeto, mas a biografia de quem o criou e o efeito que a criação teve sobre a vida das pessoas.
Os livros que embasaram a discussão
Durante a culminância, o professor Onildo de Souza Moraes apresentou aos estudantes fontes históricas extraídas de duas obras da professora Bárbara Carine: História Preta das Coisas: 50 invenções científico-tecnológicas de pessoas negras e Descolonizando Saberes: Mulheres Negras na Ciência. Os dois títulos tratam da desconstrução do eurocentrismo no campo científico e da valorização de saberes produzidos por povos africanos e afrodescendentes.
Por que eurocentrismo aparece numa aula de Química
No ensino de ciências, eurocentrismo é contar a história das descobertas a partir de um único ponto de vista, o europeu. Quando o material didático apresenta só um trecho da cadeia que levou a um invento, o restante dessa cadeia desaparece do repertório de quem estuda — e o estudante conclui, sem que ninguém precise dizer, que ciência é coisa feita em outro lugar por outra gente.
O ensino de história e cultura afro-brasileira e africana é conteúdo obrigatório na educação básica, e cada escola decide como levá-lo para dentro das disciplinas. Neste caso, a escolha foi fazer isso pela bancada do laboratório e pela mesa de exposição, e não somente pela aula de História.
O que ficou registrado ao fim da Mostra
Segundo o relato da atividade, as produções geraram integração entre as turmas, troca de conhecimentos e diálogo sobre a presença histórica e contemporânea da inovação negra em diferentes áreas do conhecimento.
O material divulgado não traz medição de aprendizagem, nota, classificação nem premiação ligada à Mostra, e também não informa etapa seguinte ou nova edição. O que está registrado é a realização da primeira edição, com os trabalhos das turmas da 1ª série regular e das 2ªˢ séries do curso técnico.
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