A Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), formou 163 novos aspirantes a oficial em solenidade realizada na sexta-feira (12). A cerimônia foi presidida pelo Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e encerrou o ciclo de formação da turma dentro da Força Aérea Brasileira.
Batizada de Turma Ártemis, a turma reúne três especialidades: 88 aviadores, 43 intendentes e 27 militares de infantaria. Dois formandos vieram de fora do país e concluíram o curso no Brasil: um aviador da Força Aérea de Benin e um militar de infantaria da Força Aérea do Paraguai.
O que muda quando o cadete vira aspirante a oficial
O título de aspirante a oficial marca o fim da etapa de aluno. Até a formatura, quem cursa a academia é cadete e tem a rotina organizada em torno do ensino e do treinamento. Com a declaração de aspirante, o militar deixa a condição de estudante, passa a integrar o quadro de oficiais da força e é designado para unidades onde vai exercer as funções da especialidade em que se formou.
Na prática, é a partir daí que a formação teórica vira serviço: escalas, comando de equipes e responsabilidade sobre meios e pessoal.
Aviação, intendência e infantaria: o que faz cada especialidade
As três frentes que se formaram juntas na Turma Ártemis cuidam de partes diferentes da mesma operação:
- Aviadores — são os oficiais habilitados a pilotar e a operar as aeronaves, além de atuar no planejamento e na condução das missões aéreas. É a maior fatia da turma, com 88 formandos.
- Intendentes — respondem pela retaguarda administrativa: orçamento, compras, contratos, suprimento e a logística que mantém as unidades abastecidas. São 43 na turma.
- Infantaria — cuida da segurança e da defesa das bases aéreas, das instalações e do patrimônio militar, incluindo o apoio a operações em terra. São 27 formandos.
Equipamentos citados na renovação da frota
O discurso da cerimônia tratou da troca de equipamentos em curso na Aeronáutica e citou nominalmente o KC-30, o KC-390 Millennium, o F-39 Gripen e o A-29 Super Tucano, além de drones, satélites e helicópteros.
Cada sigla indica um emprego diferente. Os modelos com a letra K são aeronaves de transporte e de reabastecimento em voo, usadas para levar carga, tropa e combustível a longas distâncias. O F indica caça, aeronave de combate e de defesa do espaço aéreo. Já o A designa aeronave de ataque, e o modelo turboélice citado é o mesmo empregado em treinamento avançado de pilotos e em missões de patrulha.
A troca do espadim pela espada
O trecho mais simbólico da formatura é a substituição do espadim pela espada. O espadim acompanha o aluno durante a passagem pela academia; a espada é a arma do oficial e só é entregue na conclusão do curso, o que faz da troca o gesto que sinaliza a mudança de condição.
Os primeiros colocados de cada curso receberam a espada das mãos do Ministro da Defesa, acompanhado pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e pelo Comandante da AFA, Brigadeiro Eric Breviglieri. Os demais aspirantes foram armados por padrinhos e familiares presentes na solenidade.
Um rito que se repete a cada turma
A formatura não é evento isolado: a academia entrega uma nova turma a cada ciclo, e as anteriores seguiram o mesmo formato. Vale comparar o tamanho das últimas — a academia já declarou turmas de 155 novos cadetes e de 164 alunos em cerimônias também acompanhadas pelo Ministro da Defesa.
A presença de militares estrangeiros na mesma turma segue a lógica dos acordos de formação entre forças aéreas: o aluno de outro país cumpre o currículo completo no Brasil e retorna para servir na força de origem.
Fotos: Sargento Müller Marin/FAB
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