Escola da Serra leva seis ouros em olimpíada de foguetes — Direto Notícias

Escola da Serra leva seis ouros em olimpíada de foguetes

Seis equipes inscritas, seis medalhas de ouro. Esse foi o saldo da EEEFM Vila Nova de Colares, escola pública estadual do município da Serra, no Espírito Santo, na Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) de 2025. Todas as equipes da unidade subiram ao lugar mais alto do pódio nas categorias que envolvem foguetes de dois estágios — os mesmos foguetes que os estudantes montaram, na escola, com garrafas PET.

O que a competição cobra dos estudantes

A OBAFOG não é prova de papel. Os participantes precisam construir o próprio foguete e lançá-lo, e a disputa é organizada por categorias — a que rendeu as medalhas à escola da Serra é a de foguetes de dois estágios, modelo em que uma parte se separa da outra durante o voo, exigindo mais cálculo e mais precisão de montagem do que um foguete de peça única. O material de trabalho é barato e conhecido: garrafa PET. O que decide o resultado é o projeto por trás dela.

Por isso a preparação começa longe da rampa de lançamento. Na Vila Nova de Colares, o trabalho durou o ano inteiro e articulou conteúdos de Física, Química, Matemática, Engenharia e Astronomia por meio de metodologias investigativas, com estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio envolvidos da teoria à prática. Na prática, isso significa que o mesmo aluno que calcula um ângulo na aula de Matemática é quem vai testar esse ângulo no lançamento.

Impressora 3D no lugar da peça improvisada

O ponto que mudou o patamar dos projetos em 2025 foi a entrada de recursos tecnológicos na oficina. A escola passou a usar uma impressora 3D para confeccionar peças dos foguetes, o que garantiu maior precisão técnica, ampliou as possibilidades de experimentação e aproximou os estudantes de práticas ligadas à engenharia e à inovação.

A diferença é concreta: uma peça impressa pode ser repetida igual quantas vezes for preciso e ajustada em milímetros entre um teste e outro. É assim que uma equipe descobre o que funcionou — quando só uma variável muda de um lançamento para o próximo.

O que dizem os que estiveram no lançamento

O professor Érick dos Santos, coordenador da equipe Los Tenedores, avalia que a constância na competição é o que fez o grupo amadurecer:

Mais uma vez a participação na Olimpíada Brasileira de Foguetes confirmou o que eu acredito, o desenvolvimento dos estudantes acontecendo de maneira mais eficiente e geral em atividades que envolvem a teoria com a prática. Mais ainda, a participação constante nos ajudou a amadurecer como equipe e como líder de equipe, uma vez que já temos experiência para melhorar a eficiência das técnicas e estratégias.

Entre os estudantes, Gabriel Masceno Balbino conta o que levou da função de líder de equipe:

A MOBFOG foi muito importante para minha vida, pois aprendi a ter disciplina, cumprir horários e assumir responsabilidades. Fui líder da minha equipe, o que trouxe mais pressão, já que o líder orienta como prosseguir com o lançamento. Essa experiência me mostrou que estou preparado para assumir cargos de liderança e tomar decisões, mesmo sob pressão.

Já o estudante Caio Augusto dos Santos Correia resume o efeito da olimpíada sobre a forma de estudar:

A OBAFOG é muito importante porque vai além de uma simples prova: ela desperta a curiosidade, incentiva o aprendizado prático e ajuda a compreender melhor áreas como astronomia, física e tecnologia. Ao participar, a gente aprende a pensar, pesquisar e se dedicar mais aos estudos.

Como um aluno entra em uma equipe

A porta de entrada é a própria escola. A participação na olimpíada é por equipe, e é a unidade escolar que faz a inscrição — foram seis equipes no caso da Vila Nova de Colares — com o acompanhamento da equipe escolar e de um professor coordenador, papel que na equipe Los Tenedores coube a Érick dos Santos. Quem quer participar procura o projeto dentro da escola; não é preciso ser do Ensino Médio, já que o trabalho reuniu também estudantes do Ensino Fundamental.

Fora da sala de aula, a competição também abre portas: durante a participação, os estudantes tiveram acesso a formações, palestras e momentos de troca com equipes de diferentes localidades. E há um detalhe que raramente aparece no resultado final — o lançamento depende de estrutura, e ela veio da comunidade local, que colaborou com o que o projeto precisava para colocar os foguetes no ar.

Foguete de garrafa PET não é novidade no Espírito Santo

A experiência da Serra se soma a outras iniciativas capixabas com o mesmo tipo de projeto: uma escola de Vila Velha também se destacou na 1ª Olimpíada Capixaba de Foguetes de Precisão, em outra competição do mesmo campo. Para o estudante, o efeito prático é o mesmo dos dois lados: aprender engenharia fazendo, com material que cabe no orçamento de qualquer escola.

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