O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) empossou em 2 de janeiro a nova Diretoria Executiva e o Conselho Consultivo, com mandato até 2028. Junto com os nomes veio o número que ganhou as manchetes: alta acumulada de 84% no faturamento do setor nos últimos seis anos.
O dado trata do mercado de medicamentos, vacinas e antiparasitários de uso veterinário, que abastece tanto os animais de estimação quanto os de criação. Antes de virar manchete, ele merece ser lido pelo que de fato mede.
O que subiu 84% e em quanto tempo
Não é alta de um ano. São 84% acumulados em seis anos, o intervalo em que a entidade esteve presidida por Delair Bolis. Diluído nesse prazo, o avanço equivale a algo em torno de 10,7% ao ano, em média composta.
Também não é volume. O indicador é faturamento, ou seja, quanto o setor arrecadou em reais, e não quantas doses de vacina ou caixas de vermífugo saíram da fábrica. A diferença muda a leitura por completo.
Faturamento sobe por três caminhos, que podem agir ao mesmo tempo: mais unidades vendidas, preço maior por unidade, ou troca do que se vende por itens mais caros. Um setor pode faturar 84% a mais entregando a mesma quantidade de produto, desde que o preço médio suba na mesma proporção. Pelo que foi divulgado, não há como saber qual dos três caminhos pesou mais.
Quem produziu o número e o que ele não informa
O levantamento é da própria entidade que representa os fabricantes de produtos para saúde animal. Não é estatística pública nem apuração independente: é o número que o setor divulga sobre si mesmo, em comunicado de troca de diretoria.
A metodologia não foi divulgada. Ficaram de fora do anúncio pontos que definem o significado do percentual:
- o ano tomado como base de comparação;
- se os valores foram corrigidos pela inflação ou somados em reais correntes;
- se o recorte cobre todas as empresas do setor ou apenas as associadas;
- se produtos para animais de estimação e para rebanho entram na mesma conta;
- se o cálculo considera exportações além das vendas no mercado interno.
O ponto da inflação é o mais direto de todos: sem correção, parte de qualquer alta de faturamento em seis anos é apenas remarcação de preço acompanhando a perda de valor da moeda, e não crescimento real de negócio.
O que muda, e o que não muda, para quem tem animal em casa
Setor faturando mais não significa, por si só, prateleira mais cheia ou preço menor. Faturamento é receita da indústria, não indicador de acesso do consumidor. Um mercado em expansão costuma atrair novos produtos e novas apresentações, o que tende a ampliar a oferta com o tempo, mas o efeito sobre o preço final depende de concorrência, de custo de insumo e da margem de cada elo até o balcão.
Enquanto o repasse não aparece na conta do fim do mês, valem cuidados que dependem só de quem compra:
- Registro na embalagem. Produto de uso veterinário traz número de registro no órgão federal responsável pela autorização. Embalagem sem registro é sinal de alerta.
- Receita quando exigida. Antibióticos veterinários são vendidos com prescrição. Quem vende sem pedir receita está fora da regra.
- Dose por peso. Antiparasitários e vermífugos são vendidos por faixa de peso. Comprar a apresentação errada desperdiça dinheiro e pode intoxicar o animal.
- Mesmo princípio ativo, preços diferentes. Vale comparar apresentações e marcas do mesmo composto antes de pagar pela embalagem mais conhecida.
- Validade e conservação. Vacinas e alguns injetáveis exigem refrigeração contínua. Produto exposto ao calor perde efeito mesmo dentro do prazo.
Quem assume o comando até 2028
A Diretoria Executiva eleita para o triênio 2026-2028 ficou assim:
- Presidente: Fernando Luiz de Mori, da CEVA;
- 1º vice-presidente: Kleber Cesar Silveira Gomes, da Ourofino;
- 2ª vice-presidente: Laura Yaneth Villarreal Buitrago, da MSD Saúde Animal;
- Diretor Tesoureiro: Hugo Scanavini Neto, da Vaxxinova;
- Diretor Secretário: Luis Xavier Rojas, da Zoetis.
A chapa reúne empresas de capital nacional e multinacionais que disputam o mesmo mercado. Vale entender o que uma entidade assim faz: ela não vende produto nem fiscaliza ninguém. Representa os fabricantes diante dos órgãos que autorizam e fiscalizam medicamento veterinário, e defende os interesses do setor na formulação das regras que valem para todos eles.
O que a nova gestão declarou como prioridade
A entidade apresentou a mudança como continuidade, com ênfase na relação com quem regula o mercado.
“A nova Diretoria assume com o compromisso de dar sequência a um trabalho consistente, construído com diálogo institucional, geração de inteligência setorial e atuação técnica qualificada junto aos órgãos reguladores”
A declaração é de Emilio Salani, vice-presidente executivo do Sindan.
Ao encerrar o comunicado, Salani projetou o próximo triênio nos termos da própria entidade:
“A equipe Sindan deseja pleno sucesso à nova Diretoria Executiva e ao Conselho Consultivo, certos de que o próximo triênio será marcado pela continuidade do crescimento do setor, pelo fortalecimento do diálogo com a sociedade e pelo avanço da saúde animal como pilar estratégico da agropecuária brasileira”
A expectativa, portanto, parte de quem tem interesse direto no resultado. O que ficará visível para quem cuida de um animal é outra coisa e leva mais tempo para aparecer: preço de vacina anual, custo do antipulgas mensal e disponibilidade de medicamento no balcão. Se o crescimento do faturamento chegar até aí, é ali que ele vai ser medido.
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