A otite externa está entre os motivos mais frequentes de consulta veterinária, especialmente em cães. Embora também possa afetar gatos, o problema é mais comum na população canina.
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Em ambos os casos, o diagnóstico precoce e preciso faz toda a diferença para evitar que a inflamação evolua para quadros crônicos, dolorosos e, muitas vezes, irreversíveis.
A citologia otológica é um exame simples, rápido e de grande valor clínico, capaz de identificar microrganismos, avaliar o grau de inflamação e orientar o tratamento de forma mais segura e eficaz.
Quando incorporada à rotina de atendimento, contribui para melhores resultados e para o uso responsável de antibióticos.
O que é a otite externa e por que ela preocupa?
Por definição, a otite externa é a inflamação do revestimento do canal auditivo externo. Ela pode ou não estar associada a infecções e, na maioria das vezes, tem origem multifatorial.
Isso significa que fatores primários (como alergias), secundários (bactérias e leveduras), predisponentes e perpetuantes costumam atuar em conjunto.
Sem o manejo adequado, a inflamação persistente pode levar a alterações estruturais do ouvido, como espessamento do canal, redução da ventilação, acúmulo de umidade e proliferação de microrganismos.
Em estágios avançados, podem ocorrer fibrose e mineralização do canal auditivo, dificultando o tratamento e comprometendo permanentemente a audição e o conforto do animal.
Principais sinais clínicos da otite
Os sinais variam conforme a causa e o estágio da doença. Em quadros iniciais, o tutor pode notar apenas sacudir frequente da cabeça ou coceira ocasional nas orelhas. Com a progressão do problema, o ouvido tende a ficar mais sensível e dolorido.
Entre os achados clínicos mais comuns estão vermelhidão, queda de pelos na orelha, escoriações causadas pela coceira, crostas, escurecimento da pele e, em casos mais graves, ulcerações.
A avaliação veterinária deve sempre incluir ambos os ouvidos, mesmo quando apenas um parece afetado.

O papel da citologia no diagnóstico da otite
A citologia é uma etapa fundamental da investigação da otite externa. A partir da coleta do material presente no canal auditivo e da análise em microscópio, é possível confirmar se há infecção, identificar os microrganismos envolvidos e avaliar a intensidade da inflamação.
Em um cenário de crescente resistência antimicrobiana, esse exame ajuda a evitar tratamentos empíricos baseados apenas nos sinais clínicos.
Ele permite decisões mais assertivas e reduz o uso inadequado de antibióticos.
O ideal é que a citologia seja feita já na primeira consulta e repetida ao longo do tratamento, até que não haja mais bactérias, leveduras ou sinais inflamatórios. Só então a terapia tópica deve ser suspensa.
Após a avaliação com otoscópio, o médico-veterinário coleta o conteúdo do canal auditivo com um swab estéril, alcançando a região onde o canal vertical se conecta ao horizontal. A amostra é então distribuída em lâminas de vidro, secas ao ar e coradas.
Em orelhas muito doloridas, pode ser necessário sedar o animal para garantir conforto e segurança durante o procedimento.
Caso haja suspeita de parasitas, a lâmina pode ser examinada sem coloração, facilitando a identificação de ácaros.
O que a citologia pode revelar
A análise microscópica permite identificar diferentes padrões:
- Bactérias: cocos, geralmente associados a Staphylococcus, são comuns. Já os bacilos (bactérias em forma de bastonete) merecem atenção especial, pois frequentemente estão ligados a infecções mais graves e difíceis de tratar.
- Leveduras: a mais comum é a Malassezia pachydermatis. Em pequena quantidade, pode estar presente em ouvidos saudáveis, mas quando aparece em excesso, costuma causar coceira intensa e secreção escura e com odor forte.
- Células inflamatórias: a presença e o tipo dessas células ajudam a diferenciar processos alérgicos de infecções ativas e a avaliar a gravidade do quadro.
Essas informações orientam a escolha do tratamento mais adequado para cada caso.
Quando a cultura bacteriana é necessária?
A cultura não substitui a citologia, mas pode ser indicada em situações específicas, como otites crônicas, recorrentes ou quando há necessidade de antibióticos sistêmicos.
A interpretação do resultado deve sempre considerar os achados citológicos, para garantir que o tratamento seja direcionado aos microrganismos realmente relevantes.
Diagnósticos complementares
Na maioria dos casos, a citologia associada à limpeza adequada e à terapia tópica resolve o problema.
No entanto, se houver suspeita de otite média ou sinais neurológicos, exames de imagem podem ser necessários para avaliar estruturas mais profundas do ouvido.
Fonte: Vet Times, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre citologia otológica em pets
O que é a citologia otológica?
É um exame que analisa, ao microscópio, o material coletado do canal auditivo para identificar infecções e inflamação.
Todo animal com otite precisa fazer citologia?
Sim. O exame ajuda a definir o tratamento correto e evita o uso inadequado de medicamentos.
A citologia substitui a cultura bacteriana?
Não. Ela é o exame inicial mais importante, enquanto a cultura é indicada em casos específicos, como otites crônicas ou recorrentes.
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