Cerimônia de entrega das medalhas regionais da OBMEP 2023 a estudantes de regional do Espírito Santo

Medalhas da OBMEP 2023 em Vila Velha e Barra de São Francisco

Estudantes de Guarapari estavam entre os 98 medalhistas chamados um a um para receber as medalhas da OBMEP em Vila Velha, no auditório da Faculdade Novo Milênio. Na véspera, outros 17 haviam recebido as suas na regional de Barra de São Francisco. As duas cerimônias já estavam encerradas quando a Secretaria da Educação divulgou o comunicado que as descreve, e as peças distribuídas ali pertencem à edição de 2023 da olimpíada — não a uma disputa daquela semana.

Terça e quarta são 10 e 11 de setembro de 2024, e a amarração é nossa

O texto oficial marca o tempo assim: nessas terça-feira (10) e quarta-feira (11). Dia da semana e dia do mês, sem indicar o mês e muito menos o ano. Enquanto a nota é recente, isso funciona; vencida a semana, os dois algarismos param de situar qualquer coisa para quem chega depois.

Dá para fechar o calendário cruzando esses dois dias com o momento em que a nota foi ao ar, e o resultado é 10 e 11 de setembro de 2024. Quem fez essa amarração foi esta redação: as datas cheias não estão escritas em nenhuma linha do comunicado. O que ele oferece por conta própria é o demonstrativo nessas — passado, não futuro —, bastante para saber que as solenidades antecederam a divulgação, e nada além disso.

O próprio release diz que os premiados já eram premiados

A manchete que acompanhou este texto no portal escolheu o verbo mais forte: os estudantes são premiados. Basta ler a frase de abertura do comunicado para ver que ele mesmo desmente a leitura — o que as duas superintendências realizaram foi a entrega das medalhas regionais dos estudantes premiados. O particípio está lá, escrito pela Secretaria: quem entrou naquele auditório entrou como medalhista, condição adquirida na edição de 2023.

Prova, correção, divulgação do resultado e entrega da peça são quatro momentos, cada um com a sua data. Passado quase um ano entre o primeiro e o último, a data estampada no metal e a data da festa param de bater — por isso o ano da edição tem de acompanhar a palavra medalhista sempre que ela for escrita. Solta, sem ano, ela não informa em que competição a pessoa foi premiada.

17 de um lado, 98 do outro, e nenhuma soma entre eles

A nota informa quantos receberam em cada regional, e os dois números aparecem grudados no substantivo que os qualifica: 17 estudantes na de Barra de São Francisco e 98 medalhistas na de Vila Velha. As duas contagens medem pessoas, e não objetos saídos de uma caixa.

Os grupos não se misturam e não se juntam aqui numa cifra só: cada número pertence à sua cerimônia, e em momento algum o texto oficial apresenta um total das duas. O contraste entre eles salta à vista, e o comunicado não o explica — nada diz sobre quantos municípios cada superintendência atende, quantas escolas participaram de cada lado ou quantos alunos fizeram prova em cada área. Sem esses dados, é impossível dizer se a diferença mede tamanho de rede, adesão à olimpíada ou desempenho.

Há um terceiro número, e ele também conta pessoas: 866 estudantes premiados com medalha regional em todo o Espírito Santo na edição 2023. Ele aparece duas vezes no material — na linha que resume a notícia e no balanço do fim —, e nas duas vezes acompanhado da mesma palavra, estudantes. A unidade não troca de uma passagem para a outra. O que não existe em ponto nenhum é o total de peças distribuídas: se algum premiado saiu de lá com mais de uma medalha, o texto não confirma nem descarta.

Guarapari entra na lista das medalhas da OBMEP em Vila Velha sem número próprio

A cerimônia de Vila Velha reuniu medalhistas de escolas de cinco municípios: Alfredo Chaves, Anchieta, Guarapari, Piúma e Vila Velha. Guarapari está na relação, e essa é toda a informação que o comunicado dá sobre a cidade — quantos dos 98 estudavam em escolas guaraparienses ele não revela.

A lacuna se repete do outro lado. Os 17 da regional de Barra de São Francisco vieram de escolas de Água Doce do Norte, Águia Branca, Ecoporanga, Barra de São Francisco e Mantenópolis, também sem abertura por cidade. E as duas relações apenas localizam a escola de cada premiado, sem descrever que territórios cada superintendência administra: uma cidade da área de qualquer das duas pode ter atravessado a edição inteira sem colocar ninguém no palco, hipótese que o material não confirma nem afasta.

Uma escola estadual de tempo integral e o auditório de uma faculdade

Os dois endereços não são da mesma natureza, e o texto oficial os registra lado a lado sem comentar a diferença. Em Barra de São Francisco, a entrega ficou dentro da própria rede: aconteceu no Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral (CEEFMTI) João XXIII, no município que dá nome à regional. Em Vila Velha, a superintendência levou os medalhistas para o auditório da Faculdade Novo Milênio, endereço que não pertence à rede estadual de educação básica.

Sobre esse arranjo o comunicado se cala por inteiro: não descreve o que é a instituição nem que relação ela tem com a olimpíada, não informa se o espaço foi cedido, emprestado ou contratado, e não menciona custo nem parceria. Tampouco explica por que uma regional preferiu um endereço externo enquanto a outra usou unidade da rede. É uma escolha de logística que o leitor enxerga sem receber uma linha de explicação.

As duas falas do material, e a quem cada uma dá crédito

O comunicado reproduz uma declaração de cada superintendente, e as duas seguem a mesma linha: a cerimônia como instrumento de incentivo. A primeira é da superintendente Regional de Educação de Barra de São Francisco, Geanne Darc de Vete Alves Nogueira, apresentada pelo material como reforço à importância do ato:

“Essa cerimônia de premiação representa a celebração desse ciclo e a SRE acredita que seja uma oportunidade de dar visibilidade à conquista desses alunos, bem como incentivar que outros também participem das próximas edições. Destaco o papel dos professores de Matemática no incentivo dos estudantes na participação da OBMEP”

Repare a quem a fala credita o resultado: aos professores de Matemática que prepararam os alunos. Nenhum deles é ouvido no comunicado, nenhum é identificado, e quantos participaram dessa preparação nas duas regionais é informação que não consta.

A segunda vem do superintendente de Vila Velha, Tiago Guerçon da Silva, que enxerga nesse tipo de ato um momento de peso para as regionais:

“Além de poder valorizar publicamente o esforço, a dedicação e o talento dos medalhistas, a presença da família e da comunidade escolar, a cerimônia cria um ambiente de celebração e orgulho que fortalece a autoestima dos estudantes. Espero que a visibilidade proporcionada pelas Cerimônias Regionais inspire outros jovens e mostre que a educação pode ser um caminho de transformação pessoal e social”

Dois detalhes dessa passagem merecem nota. A enumeração da primeira metade se embaralha no papel da Secretaria, e vai aqui exatamente como foi publicada — não cabe a esta matéria refazer frase alheia. E a expressão Cerimônias Regionais, grafada com iniciais maiúsculas como se batizasse um programa, não é descrita em parte alguma: não há regulamento, não há calendário oficial e não há definição do que essas cerimônias seriam além do próprio ato de entrega.

Uma edição, 11 regionais e quatro cerimônias dadas por realizadas

Nenhuma dessas medalhas foi distribuída num evento estadual único. A tarefa coube às Superintendências Regionais de Educação, e o comunicado afirma existirem 11 delas no Espírito Santo. Quais são as onze, o texto não relaciona: nomeia apenas as quatro que, até aquele momento, já teriam feito a sua entrega — Afonso Cláudio, Barra de São Francisco, Nova Venécia e Vila Velha.

Note que duas dessas quatro são justamente as desta matéria: o balanço já incorpora as solenidades que o próprio release acabara de narrar. Uma terceira, Afonso Cláudio, aparece só nessa lista, sem uma linha sobre quando ocorreu, onde foi ou quantos receberam. E a quarta tinha virado notícia poucas semanas antes: a regional de Nova Venécia já havia chamado os seus medalhistas de 2023, município por município, ao longo de uma única semana de agosto de 2024 — etapa anterior a esta, com outro grupo de alunos.

O que falta é o resto do calendário. As regionais que ainda deviam a entrega não são nomeadas, nenhuma data futura é marcada e em nenhum ponto se estipula um limite para concluir o repasse de 2023. O ciclo se estenderia bem além daquele setembro: a regional de Linhares só reuniu os seus medalhistas dessa mesma edição em dezembro de 2024 — episódio posterior a estas duas cerimônias, em outra área do Estado.

O endereço que a nota indicou responde como inexistente

O fecho do comunicado mandava o leitor a um site para consultar o endereço, o dia e o horário das cerimônias que já tinham data marcada. No texto publicado, a instrução era um CLIQUE AQUI sem nomear o destino. O destino era a página em que o programa Matemática na Rede concentrava a agenda dessas solenidades.

Posto à prova agora, o endereço deixou de abrir: o servidor devolve o aviso de que ali não há mais nada. Duas hipóteses ficam descartadas de saída: o endereço chegou a ser publicado, e não foi apenas transferido para outro trecho do mesmo site. O teste mostra o programa respondendo normalmente na sua raiz. Saiu do ar a página específica, não a estrutura que a hospedava.

Para quem lê hoje, a perda de agenda é pequena, já que as cerimônias daquela edição terminaram. Perde-se outra coisa: o único caminho que o comunicado oferecia para fora do assunto que ele mesmo narra. E não há substituto. Não ficou telefone, não ficou correio eletrônico e não ficou balcão indicado a quem precise perguntar alguma coisa sobre essa premiação; as duas superintendências, por sua vez, não são apresentadas como ponto de contato.

Nem o metal das peças, nem o tamanho da disputa

O rótulo é estável do começo ao fim: medalhas regionais. Nenhuma passagem o troca por outro, e a expressão medalha estadual não aparece uma vez sequer, o que ao menos poupa o leitor de uma confusão de faixa. O que a estabilidade não resolve é a definição, que nunca vem — o texto não diz o que caracteriza essa faixa, que pontuação levava a ela ou o que a separa das demais distinções que a olimpíada concede.

Falta o metal. Em nenhuma das passagens, nem nos 17, nem nos 98, nem nos 866, o material informa a que categoria pertence cada peça: a palavra medalha aparece sempre desacompanhada, sem ouro, prata ou bronze ao lado. Um pai que queira saber a que altura da premiação o filho chegou não encontra a resposta ali. E falta qualquer identificação de quem recebeu — o comunicado não publica relação nominal dos premiados nem indica onde ela estaria.

Falta, ainda, o denominador. Quantos estudantes fizeram a prova — na área das duas regionais, no Estado inteiro ou no Brasil — é dado ausente, e sem ele os números publicados ficam sem tamanho: 98 medalhistas pode ser fatia larga ou estreita conforme o número de quem sentou para responder às questões.

Da olimpíada propriamente dita, o material só abre a sigla: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas. Quem organiza a OBMEP, ele não informa — cala sobre quem elabora as provas, quem corrige, quem define o critério de premiação e em quantas etapas a disputa se divide. O fecho do nome oficial alcança a rede privada, mas o comunicado não registra de que rede vem cada premiado: informa só o município onde fica a escola.

Resta a pergunta que uma casa com medalhista faria primeiro: a peça vem acompanhada de alguma coisa? Certificado, vaga em etapa seguinte, bolsa, curso, prioridade em algum programa — o texto não cita uma única contrapartida. O custo das medalhas e das duas solenidades também fica de fora, assim como quem as produziu.

Vale uma nota sobre a origem de tudo isso, para calibrar a leitura. O material é divulgação institucional: a estrutura que promoveu as duas cerimônias conta as duas cerimônias que promoveu. As únicas vozes ouvidas são as de dois servidores dessa mesma estrutura, um de cada regional. Estudante, família e professor de Matemática — justamente quem a primeira declaração aponta como responsável pelo resultado — não aparecem falando em nenhuma linha.

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