A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) cumpriu mandados de busca e apreensão na madrugada de quinta-feira (07) em cinco cidades da Região Sul do Espírito Santo, dentro de um inquérito que apura rifas ilegais no Espírito Santo e lavagem de dinheiro. A ação foi conduzida pela Delegacia Regional de Itapemirim e alcançou Jerônimo Monteiro, Cachoeiro de Itapemirim, Marataízes, Itapemirim e Alegre.
A apuração está na fase de inquérito. Mandado de busca e apreensão é uma autorização judicial para procurar e recolher provas em um endereço — não é acusação formal e não é condenação. Quem aparece nessa etapa é investigado, e a corporação não divulgou nomes. O material divulgado sobre a operação também não menciona prisão de ninguém.
Operação deflagrada não é balanço fechado
Uma operação é o começo de uma etapa, não o seu resultado. O comunicado da corporação descreve a ação e os bens recolhidos, mas deixa em aberto os números que fechariam a conta. Não foram informados:
- quantos mandados de busca e apreensão foram expedidos e quantos chegaram a ser cumpridos;
- quantas pessoas são investigadas e quantas foram ouvidas na ação;
- o valor estimado dos bens recolhidos — e quantos aparelhos celulares entraram na lista;
- quantas rifas teriam sido realizadas, quantos bilhetes foram vendidos e quanto dinheiro circulou;
- quais perfis de internet foram bloqueados por ordem judicial;
- qual é o enquadramento penal atribuído aos investigados e qual o prazo previsto para o inquérito.
Enquanto esses dados não vêm, o que existe é uma investigação em curso. Somar bens, estimar valores ou transformar apreensão em condenação seria conta do noticiário, não informação da apuração.
Como começou a investigação sobre rifas ilegais no Espírito Santo
O ponto de partida foi um boletim de ocorrência registrado no município de Alegre. O registro relatava a possível manipulação dos resultados dos sorteios: os ganhadores já estariam definidos antes do sorteio acontecer. A partir daí, segundo a corporação, a apuração encontrou irregularidades na forma como as rifas eram organizadas e financiadas.
“Durante as apurações, a equipe identificou uma série de irregularidades, como a ausência de autorização do Ministério da Fazenda, órgão federal responsável pela regulamentação de loterias, e a falta de recolhimento dos tributos exigidos para esse tipo de atividade. Também foi constatado que os valores utilizados para aquisição dos bens sorteados tinham origem suspeita, com transferências realizadas por terceiros não identificados”
A avaliação é do titular da Delegacia de Polícia (DP) de Itapemirim, delegado Daniel de Araújo.
Alegre já havia aparecido em outra ocorrência atendida pela Polícia Civil, a recuperação de 19 cabeças de gado furtadas no município. São episódios independentes, com outras pessoas e sem qualquer relação com esta investigação.
O que sigilo bancário e lavagem de dinheiro querem dizer aqui
Com autorização judicial, a apuração pediu a quebra do sigilo bancário dos responsáveis pelas rifas e o bloqueio dos perfis usados na internet para divulgar os sorteios. Na prática, quebra de sigilo bancário é a permissão, dada por decisão judicial, para que a investigação veja a movimentação financeira de alguém — extratos, entradas e saídas — que normalmente não fica acessível a terceiros.
Já lavagem de dinheiro, em linguagem de leigo, é o esforço de dar aparência de origem legítima a um dinheiro que não a tem, fazendo o valor passar por compras, contas e nomes de outras pessoas até parecer limpo. É o termo usado no inquérito; o material divulgado não detalha o dispositivo legal aplicado nem eventual pena, e este texto não preenche essa lacuna por conta própria.
A análise financeira, ainda segundo a apuração, mostrou um detalhe central: os responsáveis pelas rifas não tinham nenhum bem registrado em seus próprios nomes — nem mesmo os itens que anunciavam como prêmios.
O que foi apreendido nas cinco cidades
Na ação de quinta-feira (07), foram recolhidos bens de luxo que, conforme a corporação, seriam sorteados nos dias seguintes:
- três carros de luxo;
- um jet ski;
- um quadriciclo;
- aparelhos celulares, em quantidade não informada.
Não houve divulgação de valor para nenhum desses itens, nem de um total. Bem apreendido também não muda de dono automaticamente: ele fica à disposição da apuração até que haja decisão judicial sobre o seu destino. O material não informa qual será o destino dos veículos e dos demais bens.
Comprou bilhete de rifa? O que dá para fazer
Este caso começou exatamente assim: alguém registrou um boletim de ocorrência. Quem comprou bilhete de uma rifa e suspeita de irregularidade pode procurar uma delegacia e registrar a ocorrência, levando o que tiver de prova — comprovante de pagamento, conversas, o anúncio do sorteio e o perfil que o divulgou. Informações sobre atividades criminosas também podem ser passadas pelo 181, o Disque-Denúncia. Em situação de emergência, o número é o 190.
Duas ressalvas honestas: o material divulgado não informa se existe algum caminho para quem comprou bilhete reaver o dinheiro, e não indica um canal para consultar se determinada rifa tem autorização. Como a apuração aponta a falta dessa autorização federal como uma das irregularidades, a pergunta que fica para o leitor é justamente onde checar isso antes de pagar — e essa resposta não está no comunicado.
Um lado só, por enquanto
Todas as informações desta matéria vêm do material divulgado pela própria corporação que conduz a investigação. Não há, nele, manifestação de quem é investigado nem de defesa constituída. Ausência de contraditório no comunicado oficial não significa que não exista versão contrária: significa que ela ainda não foi apresentada publicamente.
A apuração segue aberta.
“A Polícia Civil continua com as investigações para identificar todos os envolvidos no esquema e esclarecer a origem dos recursos utilizados nas transações”
A informação é do delegado Daniel de Araújo.
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