Cerca de 130 estudantes da EEEF Professora Deuszuita Ribeiro Machado, de Pedro Canário, passaram os dias 07 e 08 de outubro em São Mateus, no norte do Espírito Santo, percorrendo pontos históricos da cidade. A saída foi organizada pela escola em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e integrou o projeto Raízes da Igualdade, que a escola desenvolve ao longo do ano letivo dentro da Educação para as Relações Étnico-Raciais.
O roteiro passou por dois endereços: o Porto de São Mateus e a Igreja Velha. Em vez de aula expositiva, os estudantes registraram o que viram em cadernos e fotografias, material que depois voltou para a sala em rodas de conversa e produções escritas.
O que são o Porto de São Mateus e a Igreja Velha
Os dois pontos aparecem no material de divulgação da visita com descrições curtas. O Porto de São Mateus é apresentado como marco econômico e histórico do município. A Igreja Velha é descrita como símbolo da herança arquitetônica e religiosa do período colonial.
É pouco para quem quer entender o que os alunos viram. O texto divulgado não informa em que século cada construção foi erguida, o que restou de pé em cada endereço, quem cuida da conservação hoje nem se os locais estão abertos à visitação de quem não vai em grupo escolar. Também não detalha de que forma cada um desses pontos se liga à história do tráfico e do trabalho de pessoas escravizadas na região — vínculo que o tema do projeto sugere, mas que a divulgação não desenvolve.
Vale a distinção de vocabulário que o próprio nome do projeto carrega: falar em pessoas escravizadas, e não em escravos, nomeia uma condição imposta por outros, não uma identidade de quem a sofreu. É a formulação usada hoje no ensino de história e cultura afro-brasileira.
O que a Educação para as Relações Étnico-Raciais determina
O nome soa burocrático, mas descreve algo simples. Trata-se da diretriz que orienta as escolas brasileiras a tratar história e cultura afro-brasileira, africana e indígena dentro das disciplinas comuns, em vez de concentrar o assunto em uma data comemorativa isolada no calendário.
É por isso que uma visita a dois endereços antigos entra na conta: a diretriz pede conteúdo que o estudante consiga localizar onde vive. Pedro Canário e São Mateus são municípios vizinhos, no mesmo trecho norte do Espírito Santo, e não capítulos de história de outro estado.
Três componentes curriculares na mesma saída
A saída articulou conteúdo de História, Geografia e Projeto de Vida. Os dois primeiros são autoexplicativos. O terceiro é o componente curricular voltado ao planejamento pessoal do estudante: escolhas de futuro, percurso escolar, projetos que ele quer levar adiante depois do fundamental.
Encaixar patrimônio histórico em Projeto de Vida é o que faz a atividade render em três frentes de uma vez, em vez de sobrar como passeio. O material informa ainda que a programação incluiu uma sessão de cinema e um encontro com estudantes de outras escolas.
Da caderneta à exposição aberta à comunidade
Nos dias seguintes à viagem, os estudantes participaram de rodas de conversa e produziram textos, infográficos e registros fotográficos a partir do que anotaram. Esse conjunto virou uma exposição escolar aberta à comunidade.
É a parte da atividade que alcança quem não foi a São Mateus — famílias e moradores de Pedro Canário podem ver o resultado sem depender do relato dos filhos. A divulgação da visita, porém, não informa a data, o horário nem o período em que a exposição fica montada. Quem quiser visitar precisa procurar a própria escola para saber se a mostra segue aberta.
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