A Biblioteca Transcol chegou a 10 mil leitores cadastrados e 20 mil livros emprestados dentro dos terminais de ônibus da Grande Vitória. A marca foi divulgada na quarta-feira (10) e vale para as nove unidades em funcionamento, espalhadas por Cariacica, Vila Velha e Serra. Pegar um livro não custa nada. E os números não são de sempre: eles somam o que aconteceu desde 15 de julho, quando o projeto voltou a abrir bibliotecas nos terminais.
O que a marca de 10 mil mede — e o que ela não mede
Os dois números contam coisas diferentes e não podem ser trocados um pelo outro. Leitor cadastrado é pessoa inscrita: somadas as nove unidades, são 10.001 cadastros. Empréstimo é retirada de livro, e a mesma pessoa pode retirar várias vezes ao longo dos meses — por isso o total de empréstimos, 20.220, é quase o dobro do de leitores. Dizer que 20 mil pessoas leram seria errado: são 20 mil retiradas feitas por 10 mil inscritos.
O período também tem começo e fim definidos. Nenhum dos dois totais é o histórico do projeto desde a origem. A contagem parte da retomada nos terminais, em 15 de julho, e vai até a data da divulgação, na quarta-feira (10) — pouco menos de cinco meses.
A marca de 10 mil leitores cadastrados e 20 mil empréstimos realizados diz muito sobre a força da leitura como um direito. Para além do número, o que vemos são pessoas que, no seu trajeto diário no transporte público, encontram nos livros um lugar de descanso e transformação
A avaliação é da gerente de Livro e Leitura da Secult, Ana Laura Nahas.
Onde ficam as nove bibliotecas
As unidades são identificadas pelo terminal onde funcionam, em três municípios:
- Cariacica — terminais de Jardim América, Itacibá e Campo Grande;
- Vila Velha — terminais de Itaparica e São Torquato;
- Serra — terminais de Laranjeiras, Carapina e Jacaraípe.
Vale um aviso ao leitor que já está planejando a ida: essa lista nomeia oito endereços, mas a divulgação fala em nove unidades em funcionamento, e a tabela de leitores traz uma nona linha identificada apenas como Vila Velha — é ela que fecha os 10.001 cadastros. Como o material oficial não detalha qual é esse nono ponto, o mais seguro é confirmar no próprio terminal antes de se deslocar.
A escolha do terminal como endereço tem uma lógica simples: é ali que o passageiro para, espera e faz baldeação. O sistema de terminais da Grande Vitória movimenta milhares de pessoas por dia e chegou a receber a visita de empresas de ônibus de 10 estados interessadas em conhecer o Sistema Transcol — é esse fluxo diário que a biblioteca passou a aproveitar, levando o livro até quem já estava no caminho.
O Terminal do Ibes ainda não tem biblioteca
Aqui está a diferença entre o que já existe e o que foi apenas anunciado. A unidade do Terminal do Ibes está prevista, mas não abriu: segundo a divulgação oficial, ela só entrará em funcionamento depois que terminarem as obras no local. Não há data anunciada para a inauguração. Quem for até lá agora procurar um livro não vai encontrar.
Já em operação, a unidade mais recente é a do Terminal de Itacibá, inaugurada em 3 de outubro. A primeira a reabrir na retomada foi a de Jardim América, em 15 de julho.
Como se pega um livro — e o que não foi detalhado
O serviço é gratuito e funciona dentro do próprio terminal, sem que o passageiro precise sair da rota. O indicador que o projeto usa para se medir é o de leitores cadastrados, o que mostra que a retirada fica registrada em nome de quem leva o livro — ou seja, há uma inscrição antes do primeiro empréstimo.
O que a divulgação não informa, e por isso não aparece aqui: horário de atendimento de cada unidade, quais documentos são pedidos no cadastro, quantos livros cada pessoa pode levar por vez, o prazo de devolução e o que fazer se o livro atrasar. Nenhuma dessas regras foi detalhada no material oficial. Quem pretende usar o serviço deve perguntar diretamente na biblioteca do terminal mais próximo, que é onde o cadastro é feito.
Laranjeiras é o terminal que mais empresta
O desempenho não é igual em todas as unidades, e a diferença é grande. O terminal de Laranjeiras, na Serra, lidera nos dois indicadores: 1.975 leitores inscritos e 4.063 empréstimos — sozinho, responde por cerca de um quinto de tudo o que a rede emprestou.
Na sequência vêm Campo Grande, com 2.989 empréstimos, e Jardim América, com 2.306. A menor movimentação registrada é a de São Torquato. Um detalhe que ajuda a ler esses números: Jardim América foi a primeira a abrir, em julho, enquanto Itacibá só começou em outubro — unidades com menos tempo de funcionamento naturalmente acumulam menos retiradas.
Quem mantém as bibliotecas dos terminais
O projeto é uma realização da Secretaria da Cultura (Secult) e da Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES), em parceria com a OSC Universidade para Todos, com apoio da Ceturb, a companhia estadual de transportes coletivos de passageiros. Os recursos vêm da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal.
A organização que toca o dia a dia das bibliotecas foi escolhida por chamamento público — o processo aberto em que o poder público publica as regras, recebe propostas de organizações da sociedade civil e seleciona quem vai executar o serviço, em vez de contratar diretamente.
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