Cães lideram os lares do Brasil e gatos crescem mais rápido — Direto Notícias

Cães lideram os lares do Brasil e gatos crescem mais rápido

O Brasil aparece como o terceiro país do mundo em população de animais de estimação, com mais de 160 milhões de pets. O número é da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, a Abinpet, e vem acompanhado de um dado econômico: o mercado pet brasileiro faturou R$ 77 bilhões em 2024, alta de 12% sobre o ano anterior. Mais da metade desses animais chegou às casas por adoção.

Antes de ler o ranking, vale saber de onde ele sai. A Abinpet é a entidade que representa a indústria de produtos para pets, e os números que ela divulga são estimativas de mercado, não uma contagem oficial de domicílios. O material que circula com esses dados não informa quantas casas foram consultadas, em que regiões nem por qual método. Isso não invalida a ordem de grandeza, mas explica por que as cifras aparecem em faixas e mudam de uma publicação para outra.

Cães lideram, e a estimativa varia conforme o recorte

Os cães seguem como os animais mais presentes nas casas brasileiras, e estão em aproximadamente 75% dos lares do país. O tamanho dessa população, porém, não é um número fechado: o mesmo levantamento traz tanto a estimativa de cerca de 60 milhões de cães quanto a faixa de 62 milhões a 68 milhões. A divergência dentro de um único material é o melhor indício de que se trata de projeção estatística, e não de censo.

Entre os cães, o destaque vai para os sem raça definida, os SRD, conhecidos como vira-latas. De acordo com o PetCenso 2025, levantamento da Petlove, eles são a maioria absoluta da população canina. Aqui também vale a ressalva de origem: trata-se de pesquisa conduzida por uma empresa do setor, e o material divulgado não detalha o tamanho da amostra.

Gatos crescem mais rápido, mas a base é uma faixa

A população felina brasileira é estimada entre 30 milhões e 33 milhões de animais. É a categoria que mais cresce: entre 2023 e 2024, o número de gatos subiu 5,4%, enquanto o de cães avançou 2,8% no mesmo intervalo, segundo a Abinpet.

O predomínio dos sem raça definida é ainda mais forte entre os felinos: 86% dos gatos brasileiros não têm raça definida. Esse percentual é atribuído genericamente a levantamentos do setor, sem que a pesquisa de origem, o ano de coleta ou a amostra sejam nomeados. Registrar essa lacuna é parte de ler o dado com honestidade.

Aves e peixes aparecem em segundo e quarto lugares

Na lista por quantidade de indivíduos, as aves ornamentais somam cerca de 42 milhões e ocupam a segunda posição geral, à frente dos gatos. Os peixes ornamentais vêm em seguida, com aproximadamente 22 milhões de exemplares. Répteis e pequenos mamíferos fecham o grupo, com cerca de 2,8 milhões.

Essa ordem costuma causar estranheza, e o motivo é o critério. O ranking conta animais, não casas. Uma única gaiola ou um único aquário pode abrigar dezenas de indivíduos, o que empurra aves e peixes para cima na soma total sem que estejam presentes em mais residências do que os gatos. Presença em domicílios e volume de população são medidas diferentes, e misturá-las é o erro mais comum na leitura desses números.

O crescimento percentual e o crescimento absoluto não são a mesma coisa

Répteis e pequenos mamíferos registraram a maior alta percentual do período, 7,6%, enquanto as aves ornamentais cresceram 3%. Um percentual alto sobre uma base pequena, porém, significa pouco em número de animais: 7,6% de 2,8 milhões é um acréscimo muito menor, em unidades, do que os 2,8% aplicados à população canina. Percentual mede ritmo; a base mede tamanho.

Cada espécie tem exigências, e nenhuma delas é dispensável

A explicação usual para o avanço dos gatos é a mudança do estilo de vida urbano: eles demandam menos espaço e se adaptam melhor a apartamentos, num país que verticaliza suas cidades. Menos espaço, no entanto, não quer dizer menos cuidado. Gato de apartamento exige telas de proteção em janelas e sacadas, higiene diária da caixa de areia e acompanhamento veterinário de rotina, e a independência do animal não substitui nada disso.

A mesma leitura vale para os demais grupos. Aves ornamentais dependem de manejo do ambiente, alimentação específica para a espécie e espaço de voo. Peixes exigem controle da qualidade e da temperatura da água, sem o qual o aquário não se sustenta. Répteis e pequenos mamíferos precisam de temperatura controlada e dieta própria, e boa parte deles tem expectativa de vida longa, o que transforma a escolha em um compromisso de anos. Nenhum desses animais é um pet de menor exigência: são exigências diferentes.

O que os dados sustentam e o que não sustentam

Em resumo, o material permite afirmar que cães lideram em presença nos lares, que os sem raça definida dominam entre cães e gatos, que os felinos crescem em ritmo mais rápido e que o mercado movimenta dezenas de bilhões de reais por ano. O que ele não permite é tratar as cifras como contagem exata, comparar espécies pelo mesmo critério sem avisar qual é ele, ou concluir que uma espécie dá menos trabalho que outra. Quando o levantamento não nomeia a pesquisa, a amostra e o ano, o número segue útil como ordem de grandeza e nada além disso.

Fonte: Exame

Compartilhe essa publicação, clicando nos botões abaixo:

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

Como Resolver Dúvidas Sobre Saúde Pet de Uma Vez

O universo da medicina veterinária atravessa um momento de transformação profunda. De fato, eventos científicos …