Polícia captura suspeito de aplicar golpe por meio de relacionamentos amorosos em São Paulo

Golpe do amor: preso suspeito de desviar R$ 5,7 milhões no ES

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu em São Paulo um homem de 26 anos investigado por uma sequência de golpes aplicados contra pessoas com quem mantinha relacionamentos amorosos ou de amizade. Pelo levantamento da polícia, o prejuízo causado no Espírito Santo chega a aproximadamente R$ 5,7 milhões, e cinco vítimas já foram formalmente identificadas. A prisão aconteceu no dia 23 de julho, em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pelo Juízo da 4ª Vara Criminal da Serra.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP). Os detalhes da operação foram divulgados em coletiva de imprensa realizada na tarde de quarta-feira (30) de julho, na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória. É o tipo de caso que a Polícia Civil classifica como “estelionato sentimental” ou “estelionato do amor”.

O homem responde como investigado e a apuração segue em curso. A Polícia Civil não divulgou o nome dele nem a identidade das vítimas.

Como funciona o golpe que a polícia chama de estelionato sentimental

Estelionato é o crime de obter vantagem financeira enganando alguém — induzindo ou mantendo a pessoa em erro para tirar proveito disso. No formato descrito pela Defa, o vínculo afetivo é a porta de entrada: em vez de um contato frio ou de uma mensagem suspeita, o dinheiro sai depois de meses de convivência, quando já existe confiança suficiente para que assinaturas, contas e bens circulem sem estranhamento.

De acordo com a apuração da Defa, o padrão se repetia caso a caso:

  • Aproximação afetiva. O contato começava como relacionamento amoroso ou de amizade.
  • Construção de confiança. Com o tempo, ele passava a ter acesso à vida financeira da pessoa.
  • Apropriação de bens. Patrimônio da vítima passava a ser tratado como se fosse dele.
  • Vendas fraudulentas. Bens que não lhe pertenciam eram negociados com terceiros.
  • Financiamentos em nome da vítima. Dívidas eram contraídas usando o nome de quem confiava nele.

O titular da Defa, delegado Fabiano Alves, resumiu assim o método:

“O investigado utilizava da confiança estabelecida com as vítimas para obter vantagens patrimoniais. Em um dos casos, chegou até mesmo a aplicar um golpe em um conhecido, alugou um carro em uma locadora e o vendeu para esse amigo como se fosse de sua propriedade”, explicou o delegado Fabiano Alves.

As investigações indicam que o suspeito fez outras vítimas no Espírito Santo, sempre seguindo o mesmo padrão de atuação.

Dois relatos em abril abriram a investigação

A apuração começou em abril de 2025, depois que duas mulheres procuraram a Defa e relataram ter sido vítimas de golpes aplicados por um homem com quem mantiveram relacionamentos afetivos.

Uma delas contou que se relacionou com o investigado por dois anos e meio. Nesse período, segundo o relato, ele se apropriou da empresa dela, chegou a vender dois imóveis e a ficar com todo o valor. A estrutura da empresa da vítima ainda teria sido usada para aplicar novos golpes.

A segunda vítima informou ter se envolvido com o investigado por cerca de sete meses. Nesse intervalo, ele conseguiu financiar três veículos em nome dela e chegou a vender um carro que pertencia à vítima.

Suspeito fugiu do Espírito Santo e foi preso em São Paulo

A Defa é a delegacia especializada do Espírito Santo para crimes de fraude e falsificação, e é ela quem centraliza esse tipo de apuração no estado. Diante da gravidade e da extensão dos crimes apurados, a unidade representou pela prisão preventiva — a modalidade de prisão decretada antes do julgamento, quando é considerada necessária para a investigação ou para impedir novos episódios.

Quando os fatos chegaram ao conhecimento da polícia, porém, ele já havia deixado o Espírito Santo em direção ao estado de São Paulo.

Após diligências e levantamentos de informações, os investigadores da Defa localizaram o paradeiro do investigado e repassaram os dados à Polícia Civil de São Paulo (PCSP), que cumpriu o mandado. No momento da abordagem, os policiais paulistas encontraram com ele mais de R$ 1 milhão em cheques de terceiros, além de documentos pertencentes a uma das vítimas.

Cinco vítimas identificadas e três inquéritos em andamento

Segundo o delegado, cinco vítimas já foram formalmente identificadas até o momento, mas a investigação não terminou com a prisão. Parte do trabalho agora é financeira: descobrir para onde foi o dinheiro e se ele virou patrimônio em nome de outras pessoas.

“Ainda há outros procedimentos em andamento para identificar se há mais pessoas envolvidas, rastrear o destino dos valores obtidos ilicitamente e localizar bens que possam ter sido adquiridos com o dinheiro. Até agora, dois inquéritos foram concluídos e outros três seguem em andamento”, informou o delegado.

Os sinais de alerta apontados pelo delegado

Fabiano Alves destacou a importância de cautela ao iniciar qualquer tipo de relacionamento, principalmente quando surgem pedidos de favores econômicos logo no início. Para ele, esse tipo de atitude pode ser um sinal de alerta.

“O ideal é estar atento a esses comportamentos e buscar informações sobre a pessoa com quem se está se relacionando, inclusive com amigos e familiares. Muitas vezes, quem está de fora consegue perceber sinais de manipulação ou interesses suspeitos com mais clareza”, destacou o delegado.

A recomendação vale para quem está no relacionamento e também para quem observa de fora: nos dois casos que abriram a investigação, o prejuízo se acumulou ao longo de meses, período em que a conversa com quem está por perto pode antecipar a percepção do problema.

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