O Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, foi criado para estimular a imunização de pessoas, mas a data também é estendida aos animais de estimação. Para o tutor que quer saber o que fazer na prática, os dois dados que organizam a rotina são objetivos: nos filhotes, a vacinação começa entre 45 e 60 dias de vida; nos adultos, os reforços devem ser anuais.
A informação é do Hospital Veterinário Taquaral (HVT), que reuniu as orientações divulgadas na data. A vacinação estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos contra agentes infecciosos, protege o animal individualmente e dificulta a disseminação de zoonoses — as enfermidades que podem ser transmitidas entre animais e humanos.
Quando começa a vacinação do filhote e quando entra a antirrábica
Segundo o material, o protocolo do filhote começa entre 45 e 60 dias de vida, com doses múltiplas da vacina polivalente. A antirrábica entra depois, a partir das 16 semanas. Nos adultos, os reforços são anuais.
Não existe um calendário único que sirva para todo animal. O protocolo é personalizado e depende de cinco fatores citados no material: idade, histórico de saúde, raça, estilo de vida e ambiente em que o pet vive. Quem tem animal resgatado ou que viaja para outras regiões recebe orientação específica: check-up clínico e adaptação do protocolo, com exames sorológicos quando necessário. O material não detalha quantas doses compõem a série do filhote nem qual o intervalo entre elas — essa definição fica com o veterinário que acompanha o animal.
O que é obrigatório e o que depende do risco de cada animal
O material separa as vacinas em dois grupos. Como obrigatórias, lista a V8 ou V10 e a antirrábica nos cães, e a V3 ou V4 e a antirrábica nos gatos. Vale reparar num ponto que costuma passar batido: a antirrábica aparece nas duas espécies, ou seja, gato também tem vacina obrigatória contra raiva nessa lista.
As demais são descritas como opcionais, indicadas conforme o risco individual de cada animal: gripe canina, giardíase, dirofilariose e leucemia felina. Opcional, nesse enquadramento, não quer dizer dispensável — quer dizer que a indicação depende da avaliação de quem examina o animal, e não de uma regra igual para todos.
As doenças que a vacinação previne em cães e em gatos
A lista divulgada é mais longa do que a que costuma circular. Entre as principais doenças preveníveis em cães estão cinomose, parvovirose, leptospirose, hepatite infecciosa, parainfluenza, coronavirose, adenovírus e raiva.
Nos gatos, a vacinação protege contra rinotraqueíte, calicivirose, clamidiose, panleucopenia, leucemia viral felina (FeLV) e raiva.
“A vacinação é fundamental para evitar que cães e gatos desenvolvam enfermidades graves e assegura maior qualidade e expectativa de vida aos animais”
A avaliação é da médica-veterinária Beatriz Ferlin, do Hospital Veterinário Taquaral (HVT). Para ela, a imunização é um ato de amor e cuidado, que deve fazer parte do plano de prevenção ao longo da vida do pet.
O que se avalia antes da aplicação — e o que fazer depois dela
Antes de vacinar, a avaliação clínica é apresentada como essencial para garantir que o animal esteja saudável. A orientação é direta: animais doentes não devem ser vacinados até a estabilização clínica, o que preserva tanto a eficácia quanto a segurança da imunização. Na prática, isso significa que a consulta não é etapa opcional antes da dose.
Depois da aplicação, reações leves como febre, apatia ou dor local são descritas como comuns, e efeitos graves como raros. Há uma orientação de conduta que o tutor precisa conhecer: em caso de alterações significativas após a aplicação, o tutor deve buscar atendimento veterinário imediatamente.
Dois pontos que a veterinária faz questão de corrigir
Beatriz Ferlin aponta crenças que, segundo ela, colocam os pets em risco. A correção que ela apresenta é objetiva em dois pontos: a imunidade exige reforço anual, e viver exclusivamente dentro de casa não dispensa o animal da vacinação.
“Não é verdade que uma única dose protege o animal a vida toda, nem que animais que vivem exclusivamente dentro de casa não precisam ser vacinados. A imunidade requer reforços anuais e mesmo pets domésticos podem ser expostos a agentes infecciosos por humanos ou outros animais”
A observação é da mesma médica-veterinária. O material acrescenta que a não vacinação aumenta a suscetibilidade a doenças graves, eleva os custos com tratamentos e representa risco à saúde de toda a comunidade.
Onde vacinar: o que o material não informa
Vale registrar o limite do que foi divulgado. O material é de orientação clínica e não informa pontos de vacinação, endereços, horários, preços, exigência de agendamento nem a existência de campanha gratuita em qualquer município. Também não traz dado de cobertura vacinal — nenhum percentual de animais vacinados foi divulgado, e por isso não há como afirmar quantos pets estão em dia.
Quem quiser saber se há campanha de vacinação animal na própria cidade precisa consultar o serviço veterinário do seu município, porque essa informação varia de cidade para cidade e não consta do material divulgado. Para a dose de rotina, o caminho descrito é a consulta com médico-veterinário, que define o protocolo a partir da idade, do histórico de saúde e do ambiente do animal. Como o próprio material coloca o histórico de saúde entre os fatores que definem o protocolo, o registro das doses já aplicadas é o que permite ao profissional saber de onde partir.
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