O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, sanções contra sete familiares e associados ligados ao regime de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. A execução da medida coube ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro responsável por aplicar bloqueios financeiros, e o alvo declarado é a corrupção e as práticas enganosas envolvendo o Estado venezuelano. A informação foi divulgada pelo boletim de política da Fox News, que reúne as decisões do dia na Casa Branca e no Congresso norte-americano.
Em comunicado sobre o pacote, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos justificou a decisão nos seguintes termos, em tradução do inglês:
Hoje, o Tesouro sancionou indivíduos que estão sustentando o narcoestado fora da lei de Nicolás Maduro. Não vamos permitir que a Venezuela continue inundando nossa nação com drogas letais.
A declaração é do secretário do Tesouro, Scott Bessent. No original em inglês: “Today, Treasury sanctioned individuals who are propping up Nicolás Maduro’s rogue narco-state. We will not allow Venezuela to continue flooding our nation with deadly drugs.”
O que uma sanção do Tesouro faz e o que ela não faz
A palavra sanção, nesse contexto, não descreve uma condenação. Trata-se de um ato administrativo: o nome da pessoa entra numa lista oficial e, a partir da publicação, todos os bens e valores dela que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos ficam bloqueados. Cidadãos e empresas norte-americanas passam a ser proibidos de fazer negócios com quem está na lista, o que inclui pagamentos, contratos e serviços.
O efeito costuma ir além das fronteiras do país que aplica a medida. Bancos de outros países, para não correr o risco de perder acesso ao sistema financeiro em dólar, tendem a encerrar contas e recusar transferências de quem foi sancionado — é por isso que uma medida assinada em Washington alcança operações que nunca passariam por lá. A retirada da lista existe, mas depende de um pedido formal e de decisão do próprio órgão que incluiu o nome.
O termo narcoestado, usado no comunicado, é a classificação adotada pelo governo norte-americano para descrever o que considera ser um Estado capturado pelo tráfico de drogas. É o enquadramento de quem aplicou a sanção, não uma definição jurídica reconhecida pelo país sancionado.
Casa Branca recorre de decisão sobre US$ 2,7 bilhões para Harvard
Ainda no noticiário do dia, o governo dos Estados Unidos entrou com recurso contra a decisão judicial que restabeleceu US$ 2,7 bilhões em repasses federais à Universidade de Harvard. O dinheiro é de financiamento público a pesquisa e programas da instituição, e a disputa segue sem desfecho definitivo enquanto o recurso não é julgado.
No mesmo bloco, um grupo jurídico pediu ao governo que retire o critério de raça de uma ferramenta do CDC usada por autoridades locais para direcionar recursos públicos com base em políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
Kennedy Center passa a levar o nome de Trump
Em Washington, o conselho do Kennedy Center aprovou por unanimidade a inclusão do nome de Donald J. Trump no edifício, e a nova sinalização começou a ser instalada acima da placa existente na mesma sexta-feira. O centro cultural é uma das construções mais conhecidas da capital norte-americana, e a mudança de nome foi decidida pelo conselho da instituição.
No Congresso, arquivos de Epstein, Síria e a lei das refeições
No Capitólio, o deputado Thomas Massie estabeleceu uma exigência ao Departamento de Justiça sobre a divulgação dos documentos ligados a Jeffrey Epstein, com a cobrança de nomes à medida que o prazo escorre. Em paralelo, o senador Schumer acusou a gestão Trump de encobrir informações no mesmo caso, em meio à disputa sobre quais papéis devem vir a público.
Outro grupo, de 134 deputados republicanos, cobrou garantias formais do governo enquanto os Estados Unidos afrouxam sanções contra a Síria. E a deputada Ilhan Omar, democrata de Minnesota, defendeu o MEALS Act, de 2020, diante de questionamentos sobre a ligação da lei com um esquema de fraude em Minnesota. Ela disse não ter arrependimento em relação à norma:
Ela ajudou, sim, a alimentar crianças.
A frase é da deputada Ilhan Omar. No original em inglês: “it did help feed kids.”
Ainda no Congresso, uma manobra de última hora dos democratas para bloquear o plano de financiamento republicano encerrou a semana de trabalhos mais cedo e mandou os parlamentares para casa.
Rubio aponta ameaça no Hemisfério Ocidental
Na frente externa, o secretário Marco Rubio afirmou ter identificado a ameaça mais séria aos Estados Unidos vinda do Hemisfério Ocidental — a expressão designa a vizinhança do próprio país, o continente onde ficam os Estados Unidos e a Venezuela, o que coloca a fala na mesma região tratada no início do boletim. O secretário não detalhou, no material divulgado, qual é essa ameaça.
No mesmo dia, um ataque contra tropas norte-americanas com mortes passou a testar a estratégia do governo contra o ISIS e a aposta feita na nova liderança da Síria, país onde as sanções vêm sendo aliviadas justamente sob a promessa de estabilidade.
Aliados de Trump já falam em 2028
O boletim registra ainda um movimento voltado à próxima disputa presidencial: Erika Kirk, do Turning Point, declarou apoio ao vice-presidente JD Vance como herdeiro natural do movimento MAGA para 2028. A manifestação parte de uma apoiadora com trânsito na base do presidente, e não de um anúncio de candidatura.
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