A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) concluiu o inquérito que apurava o furto de uma motocicleta em Venda Nova do Imigrante e indiciou dois homens, de 29 e 32 anos, moradores do próprio município. O veículo foi levado no dia 10 de dezembro de 2025, no bairro Bicuíba, foi localizado no curso da apuração na mesma região e devolvido ao proprietário. O caso ficou com a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) da cidade e o inquérito foi relatado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Segundo a PCES, as diligências começaram assim que o furto foi registrado, com o objetivo de identificar os autores e devolver a moto ao legítimo proprietário. O trabalho de campo foi somado a informações anônimas que apontaram tanto a possível autoria quanto o lugar onde o veículo estaria escondido. A partir daí, os suspeitos foram identificados e intimados a prestar declarações na unidade policial.
O que as oitivas mudaram na investigação
Ouvidos na delegacia, os investigados apresentaram versões que não se sustentaram quando confrontadas entre si.
No curso das oitivas, foram constatadas diversas contradições nas versões apresentadas pelos investigados, o que corroborou a linha investigativa inicialmente adotada pela equipe policial. Dias após as oitivas, a motocicleta foi localizada em um ponto próximo ao local do furto, também no bairro Bicuíba
A explicação é do titular da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Venda Nova do Imigrante, delegado Eduardo Oliveira.
Depois das oitivas, um dos investigados confessou a prática do crime e detalhou os fatos, confirmando o que a equipe já havia reunido. A motocicleta foi apreendida e restituída ao dono.
Diante dos elementos reunidos, concluímos o inquérito policial e indiciamos dois indivíduos, de 29 e 32 anos de idade, ambos residentes em Venda Nova do Imigrante, pelo crime de furto majorado e duplamente qualificado. O inquérito foi relatado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para as providências cabíveis
A conclusão também é do delegado Eduardo Oliveira.
Indiciar não é condenar: o que acontece a partir de agora
Indiciamento é a conclusão a que a autoridade policial chega ao encerrar o inquérito: ela aponta quem, na avaliação da investigação, seriam os autores e sob qual enquadramento. Não é sentença nem declaração de culpa. O inquérito segue para o Ministério Público, que decide se apresenta denúncia, pede novas diligências ou entende que não há caso. Só depois de um processo judicial, com direito a defesa, pode haver condenação ou absolvição — até lá, os dois seguem como investigados.
O enquadramento informado pela Polícia Civil também tem significado próprio. Furto é a subtração de coisa alheia sem violência nem ameaça contra a pessoa, e é isso que o distingue do roubo. Os termos majorado e qualificado indicam circunstâncias que a lei considera mais graves, entre elas a participação de mais de uma pessoa. O enquadramento definitivo, porém, é fixado ao longo do processo e pode mudar.
Não é a primeira apuração de furto encerrada pela unidade na cidade: em janeiro, a mesma Deic indiciou três pessoas por furto a uma empresa em Venda Nova do Imigrante — episódio independente deste, com outras pessoas e outro alvo.
Moto furtada: o que fazer nas primeiras horas
A recuperação neste caso começou com um registro na delegacia e com informações passadas por quem preferiu não se identificar. Quem passa pela mesma situação tem um roteiro básico:
- Registre o boletim de ocorrência o quanto antes. É o documento que formaliza o crime, abre caminho para as diligências e é exigido em quase todos os passos seguintes. A partir dele, a moto passa a constar como furtada nos sistemas consultados pelas polícias.
- Leve os dados que identificam o veículo: placa, número do chassi, número do motor, marca, modelo, ano, cor e o que individualiza a moto, como baú, adesivos, escapamento trocado, arranhões e acessórios.
- Informe local, data e horário aproximado e diga se há câmeras de comércios ou de residências nas proximidades. Imagem de vizinhança costuma ser o primeiro elemento concreto de uma apuração.
- Denúncia anônima: 181. É o canal para repassar informação sobre onde o veículo está ou sobre quem o levou, sem se identificar. Se o furto está acontecendo naquele momento, o número é o 190.
- Avise a seguradora, se houver apólice. O aviso de sinistro costuma exigir o número do boletim de ocorrência. Prazo, documentos e cobertura variam de contrato para contrato: confira na sua apólice, não no que ouviu falar.
- Se a moto é financiada, procure a instituição. O furto não encerra sozinho o contrato, e é ela quem informa como fica a dívida e o que muda se houver indenização de seguro.
- Guarde o protocolo. Quando o veículo é localizado, a devolução é feita mediante comprovação da propriedade, como aconteceu com a moto do bairro Bicuíba.
O que é o chassi e por que ele decide o caso
O chassi é a numeração de identificação gravada na estrutura do veículo e repetida em etiquetas de fábrica. Ela é única para cada moto e funciona como a identidade dela: não muda quando se troca a placa, a carenagem, o tanque ou a pintura. É por isso que o número do chassi, e não a placa, é o que permite afirmar que a moto localizada é exatamente aquela que foi furtada.
Esse mesmo número é o ponto que a perícia examina quando há suspeita de adulteração, seja remarcação, lixamento, solda ou tinta na área da gravação. Junto dele costuma ser conferido o número do motor, útil quando peças foram trocadas.
Vale um cuidado simples e barato: anote o chassi e o número do motor e guarde essa informação fora da moto, em foto no celular ou em cópia junto aos documentos pessoais. Quem chega à delegacia sem esse dado atrasa o próprio registro.
Como conferir se uma moto tem restrição antes de comprar
O outro lado do furto é o mercado que ele alimenta. Antes de pagar qualquer valor por uma moto usada, a checagem é possível e leva minutos:
- Consulte a situação do veículo nos canais oficiais de trânsito do Estado, com placa e chassi. A consulta pública mostra restrições registradas, incluindo comunicação de furto ou roubo, além de débitos e multas em aberto.
- Compare as três numerações: a gravada na moto, a que está no documento e a que aparece na consulta. Qualquer divergência é motivo para não fechar negócio.
- Olhe a área da gravação. Tinta recente, solda, superfície irregular ou algarismo com traçado diferente dos demais pedem vistoria antes de qualquer pagamento.
- Exija documentação regular e formalize a transferência. Negócio fechado só na palavra deixa o comprador sem prova de propriedade e com a responsabilidade sobre o veículo em nome de outra pessoa.
- Desconfie do preço fora da curva. Valor muito abaixo do mercado, pressa para receber em dinheiro e recusa em mostrar o documento original são os sinais mais comuns de problema.
Comprar um veículo com restrição não é economia: a moto pode ser apreendida e devolvida ao proprietário legítimo, como aconteceu em Venda Nova do Imigrante, e o dinheiro pago dificilmente volta.
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