Fevereiro Roxo: os sinais de idade que levam o pet ao veterinário — Direto Notícias

Fevereiro Roxo: os sinais de idade que levam o pet ao veterinário

Fevereiro é o mês da campanha Fevereiro Roxo, que chama a atenção dos tutores para o envelhecimento de cães e gatos. A proposta é simples de enunciar e difícil de cumprir na rotina: reconhecer que o animal entrou na terceira idade, levar as mudanças de comportamento ao consultório em vez de creditá-las apenas à idade e manter o vínculo justamente na fase em que ele mais pesa. O movimento também trata do abandono de animais velhos, que é forma de maus-tratos e é punido pela legislação brasileira.

O Fevereiro Roxo é uma campanha de conscientização dedicada à saúde e ao bem-estar de cães e gatos idosos. O foco principal é alertar os responsáveis sobre as mudanças naturais que ocorrem com a idade e as doenças que podem surgir ao longo do envelhecimento

A explicação é da médica-veterinária Camila Freitas.

A idade que faz um cão ser idoso não é a mesma para todo cão

Boa parte dos tutores usa um número só para qualquer animal, e é aí que o acompanhamento atrasa. A conta muda conforme a espécie e, entre os cães, conforme o porte: quanto maior o animal, mais cedo ele chega à faixa geriátrica. Um gato, por exemplo, só costuma ser classificado como sênior aos dez anos, enquanto um cão de porte gigante já entra nessa contagem aos cinco.

  • Cães de porte pequeno: por volta dos sete anos.
  • Cães de porte médio: entre sete e oito anos.
  • Cães de porte grande e gigante: a partir dos cinco anos.
  • Gatos: começam a envelhecer por volta dos sete anos e costumam ser considerados idosos a partir dos 10.

Os de porte médio, por exemplo, entram nessa fase entre sete e oito anos. Já os grandes e gigantes podem ser considerados idosos a partir dos cinco anos. Essas referências servem como base, mas a avaliação individual deve ser feita em consulta clínica

A observação é de Camila Freitas, coordenadora de curso de Medicina Veterinária. Ou seja: a tabela serve para decidir quando começar a olhar com mais atenção, não para definir sozinha o estado de saúde do animal.

O que é normal envelhecer e o que é motivo para marcar consulta

Essa é a distinção prática que a campanha pede. Dormir mais e ter movimentos mais lentos estão entre os comportamentos esperados na idade avançada. Já outros sinais funcionam como alerta e indicam avaliação profissional, segundo a médica-veterinária: confusão mental, andar em círculos, se perder dentro de casa e variações bruscas de peso.

A lista de mudanças que merecem atenção inclui ainda dificuldade para subir escadas, rigidez, cansaço excessivo, mudança na quantidade de água ingerida, perda de peso, apetite irregular e alterações urinárias. Nenhum desses sinais fecha diagnóstico por si só — quem interpreta o conjunto é o profissional em consulta.

O que anotar antes de ir: desde quando o comportamento mudou, se piorou ou se ficou estável, se houve alteração no consumo de água e de comida, se o animal já teve outros episódios parecidos e quais medicações vem usando. Esse histórico é o que transforma uma queixa vaga em informação útil para o exame clínico.

Quais problemas aparecem com mais frequência em pets geriátricos

Entre os quadros mais comuns no envelhecimento estão as alterações cognitivas, os problemas osteoarticulares e as doenças cardíacas, renais e metabólicas. As mudanças de comportamento costumam ser um dos primeiros indícios de que algo não vai bem.

Entre as afecções mais comuns em pets idosos estão a Síndrome da Disfunção Cognitiva, condição semelhante ao Alzheimer em humanos, que pode se manifestar por desorientação, alterações no ciclo de sono e perda de comandos já aprendidos

A avaliação é de Camila Freitas.

Vale entender o termo, porque ele aparece muito na campanha e pouco na conversa do dia a dia. A Síndrome da Disfunção Cognitiva é uma condição do envelhecimento que afeta o comportamento do animal, e não apenas o corpo. Por isso um cão que passou a latir de madrugada, ficou parado diante de uma porta que sempre soube abrir ou deixou de responder a um comando antigo não está necessariamente desobedecendo: pode estar apresentando um sinal clínico. Entre os problemas metabólicos e osteoarticulares mais citados na fase geriátrica estão a artrose e o diabetes.

As adaptações de casa que preservam a autonomia do animal

Nessa fase, o cuidado diário precisa ser ajustado. A alimentação deve ser adequada à faixa etária, e o controle de peso, os estímulos físicos leves e as atividades cognitivas contribuem para manter a qualidade de vida. A adaptação do ambiente é a parte que depende só do tutor e custa pouco.

No dia a dia, os cuidados com pets idosos devem ser contínuos e atentos às mudanças naturais do envelhecimento. A adaptação do ambiente, com camas confortáveis, rampas e fácil acesso à comida e à água, ajuda a preservar a autonomia do pet

A orientação é da médica-veterinária Camila Freitas. Rampas no lugar de degraus, cama macia, comedouro e bebedouro em ponto de fácil alcance: são ajustes que evitam que o animal desista de se mover por causa de um obstáculo, e não substituem acompanhamento clínico.

As consultas periódicas, por sua vez, permitem identificar alterações de forma precoce e ajustar dieta, medicações e manejo. Qualquer mudança de dose ou de medicamento é decisão do profissional que acompanha o animal. O monitoramento clínico também ajuda a acompanhar a resposta a tratamentos e a antecipar complicações.

Abandonar animal idoso é maus-tratos e pode ser denunciado

O ponto mais sensível da campanha é o abandono na velhice, quando o custo do cuidado aumenta e o animal deixa de corresponder à expectativa de quem o levou para casa filhote.

A idade avançada não justifica o abandono, que é uma forma de maus-tratos e é penalizado pela legislação brasileira. O compromisso com um animal deve ser vitalício, incluindo os momentos mais frágeis da sua vida. A proposta do Fevereiro Roxo é, justamente, reforçar esse compromisso, promovendo informação, prevenção e cuidado contínuo para garantir bem-estar até os anos mais avançados

A conclusão é de Camila Freitas.

Quem presencia maus-tratos ou abandono pode acionar o 190 em caso de flagrante ou usar o 181, o Disque-Denúncia, quando quiser relatar a situação sem se identificar. Fotos, endereço e horário ajudam na apuração.

Na prática, o que o Fevereiro Roxo pede do tutor cabe em quatro atitudes: saber a partir de que idade o seu animal é considerado idoso, tratar mudança de comportamento como assunto de consulta, adaptar a casa ao que ele ainda consegue fazer e manter o vínculo até o fim.

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