Estudantes da EEEFM Luiz Manoel Vellozo, em Vila Velha, construíram catapultas usando apenas papéis reaproveitados e as usaram para testar, com lançamentos reais, os conceitos de física que costumam ficar presos no quadro. A atividade, batizada de projeto Catapulta, foi coordenada pelo professor de Física Adiel Rodrigues de Souza e passou por todas as etapas de um trabalho científico: pesquisa, planejamento, montagem e testes de lançamento.
O material usado nas peças foi papel reaproveitado, o que ligou a experiência a uma discussão sobre reaproveitamento dentro da própria escola. O alvo dos disparos era um cenário montado pelo professor, também de papel reciclado, com um castelo e figuras de dragão, príncipe e princesa.
Que física uma catapulta de papel coloca em jogo
A escolha do brinquedo não é aleatória. Uma catapulta reúne, num único movimento, quatro conteúdos que o ensino médio costuma tratar em capítulos separados — e foram exatamente esses os conceitos aplicados no projeto: lançamento oblíquo, energia potencial elástica, força gravitacional e resistência do ar.
Lançamento oblíquo é o nome do arremesso que sai inclinado, nem na horizontal nem na vertical. A trajetória vira uma curva porque o movimento pode ser lido em duas partes ao mesmo tempo: na horizontal, o projétil segue praticamente com a mesma velocidade; na vertical, ele sobe perdendo velocidade, para no ponto mais alto e volta acelerando. O alcance depende de duas variáveis que o estudante controla na bancada — com que velocidade o projétil sai e em que ângulo. Mudar só o ângulo, mantendo a mesma força, já muda onde o papel cai.
Energia potencial elástica é a energia guardada quando algo é deformado: um elástico esticado, uma haste torcida, uma estrutura pressionada para trás. Enquanto está presa, essa energia não faz nada. Solta, ela se converte em movimento. É por isso que puxar o braço um pouco mais para trás aumenta o alcance: não é mais força no sentido comum, é mais energia armazenada antes do disparo.
Na mecânica da peça, o braço que arremessa funciona como uma alavanca — gira em torno de um ponto de apoio, e o comprimento desse braço decide quanta velocidade o projétil ganha na ponta.
Por que o papel nunca cai onde a conta diz
Os dois conceitos restantes são os que explicam a diferença entre o resultado previsto e o observado, e é aí que o experimento fica mais interessante que o exercício de livro.
A força gravitacional age o tempo inteiro, puxando o projétil para baixo desde o instante em que ele deixa a catapulta. É ela que encurva a trajetória e que define quanto tempo o disparo passa no ar.
A resistência do ar é a variável que a conta simplificada costuma ignorar — e que um projétil de papel torna impossível ignorar. Corpo leve e com bastante superfície é freado com facilidade: perde velocidade no caminho, cai antes do ponto calculado e desvia mais com qualquer corrente de ar na sala. Comparar a previsão feita no papel com a marca real deixada no chão é justamente o que transforma o lançamento em medição.
Da medição ao trabalho em grupo
Foi esse o percurso do projeto: os estudantes fizeram medições e observações que relacionaram os cálculos teóricos ao que aconteceu nos testes, e a partir dessa comparação identificaram onde a física aparece em situações cotidianas. A divisão das etapas entre os participantes também colocou em jogo colaboração, empatia e trabalho em equipe.
Cabe registrar o que o material divulgado sobre a atividade não detalha: quais grandezas foram anotadas em cada disparo, quantas turmas participaram e por quais critérios o trabalho foi avaliado ao final não estão descritos.
A avaliação do professor
O projeto foi um sucesso total. Desde o início, os alunos se mostraram ativos e participativos, cada um contribuindo com suas habilidades e curiosidades. A aprendizagem se tornou mais leve e significativa, e ainda trabalhamos a importância da sustentabilidade no ambiente escolar
A avaliação é do professor de Física Adiel Rodrigues de Souza, que coordenou a atividade.
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