Estudantes da eletiva de teatro da EEEFM Emílio Oscar Hülle, em Marechal Floriano, apresentaram no dia 10 de outubro uma releitura de Alice no País das Maravilhas, no auditório da própria escola. A atividade foi conduzida pelas professoras Reni Klipel e Karol Neitzel, e os alunos participaram de todas as etapas da montagem — do roteiro ao figurino, do cenário à direção e aos ensaios.
Da folha em branco ao palco: as etapas que os alunos assumiram
Quando uma turma assume a produção inteira, não existe um único trabalho a fazer: existem vários, e todos com prazo comum, que é a data da apresentação. O roteiro decide o que entra e o que sai da história original e em quantas cenas ela cabe. O figurino e o cenário precisam dar forma concreta ao que o livro descreve sem nenhum limite material. A direção organiza as entradas, as marcações e o ritmo. E os ensaios são o único momento em que dá para descobrir o que funciona no palco e o que só funcionava no papel.
Foi essa divisão de tarefas que os estudantes da eletiva ocuparam, segundo o relato da atividade. As professoras responderam pela condução do trabalho; as decisões de montagem saíram das mãos da turma.
O que é uma eletiva e por que o formato muda a aula
Diferente das disciplinas obrigatórias, que todos cursam, a eletiva é um componente que o próprio estudante escolhe dentro da grade da escola, a partir de um cardápio de temas. O formato costuma se organizar em torno de um produto final com data marcada — uma feira, uma exposição, um espetáculo —, e é esse compromisso público que muda o funcionamento da aula: em vez de entregar um trabalho ao professor, a turma entrega a um público.
No caso da eletiva de teatro da escola de Marechal Floriano, o produto final foi a peça de 10 de outubro. Segundo o relato do projeto, ao longo das aulas os estudantes trabalharam expressão, comunicação, trabalho coletivo e autoconfiança, além de autonomia e senso de responsabilidade na condução das próprias escolhas.
Plateia reuniu três redes de ensino no mesmo auditório
A apresentação não ficou restrita à comunidade da escola. O público foi formado por estudantes do 9º ano da Escola Municipal Mauro Christo e da Escola Integração, particular, que assistiram à peça no auditório da escola estadual.
Na prática, isso colocou três redes distintas na mesma sessão: a estadual, que sediou; a municipal; e a particular. É um arranjo pouco frequente no calendário escolar, em que atividades culturais costumam se encerrar dentro de cada unidade, e que deu à turma uma plateia externa — ou seja, gente que não acompanhou os ensaios e chegou sem saber o que esperar.
Arte em sala não é episódio isolado na região
A mesma escola já havia levado conteúdo de sala de aula para uma produção artística no mês: em outro projeto, turmas da unidade trabalharam arte e ancestralidade na confecção de máscaras africanas, o que ajuda a entender a peça como parte de uma linha de trabalho, e não como evento avulso.
O caminho de transformar um texto clássico em montagem escolar também aparece em outras cidades capixabas. Em Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo, alunos encenaram um clássico do Romantismo em projeto escolar — outra escola, outra obra e outro ano letivo, mas o mesmo recurso: usar o palco para ler literatura.
O relato de quem conduziu e de quem dirigiu
Ver nossos estudantes mergulharem no universo do teatro e criarem cada detalhe da peça foi uma experiência transformadora. Eles cresceram em confiança e trabalho em equipe, e a integração com outras escolas mostrou a potência do teatro como ferramenta de aprendizado e inclusão social
A avaliação é da professora Reni Klipel, uma das responsáveis pela condução da eletiva.
Foi um desafio incrível coordenar meus colegas e cuidar de cada detalhe. Ver o resultado no palco foi uma sensação única de realização.
O relato é da estudante que assinou a direção da peça.
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