O vice-governador Ricardo Ferraço assinou, na sexta-feira (28), em Ibatiba, na microrregião Caparaó, os documentos que liberam quatro obras no município: a pavimentação da estrada até a comunidade de Córrego Rodrigues, a contenção da encosta da Avenida 7 de Novembro, a construção de uma creche e a retomada da reforma da EEEFM Maria Trindade de Oliveira. Nenhuma das quatro estava em execução no dia do anúncio, e o Governo do Estado não informou data de início, prazo de conclusão nem empresa responsável por qualquer uma delas. O prefeito Dr. Luis Pancoti acompanhou o ato.
De onde vem o número de R$ 27 milhões
O anúncio oficial não traz cifra total. O Governo do Estado divulgou quatro valores separados, um para cada obra, e a soma deles passa de R$ 27 milhões. O número que circula, portanto, é resultado de conta feita a partir das parcelas — não um montante anunciado como pacote único. Cada parcela tem origem própria, programa próprio e cobre uma coisa diferente:
- R$ 6,93 milhões — pavimentação de 4,5 quilômetros com blocos de concreto entre a sede e Córrego Rodrigues, mais drenagem e sinalização viária. Recurso do Programa Caminhos do Campo, executado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
- Cerca de R$ 7,7 milhões — estabilização da encosta da Avenida 7 de Novembro, no Centro. Recurso do Fundo Cidades – Adaptação às Mudanças Climáticas, gerido pela Secretaria de Estado do Governo (SEG). A execução fica com a Prefeitura Municipal.
- R$ 5,6 milhões — construção de uma unidade de Educação Infantil com 1.400 m² de área construída. Recurso do Fundo Estadual de Apoio à Ampliação e Melhoria das Condições de Oferta da Educação Infantil (Funpaes).
- Cerca de R$ 7 milhões — retomada da reforma da EEEFM Maria Trindade de Oliveira, escola da rede estadual.
O anúncio abrange três áreas, segundo o próprio texto oficial: mobilidade rural, segurança urbana e educação.
Assinado não é começado, e anunciado não é assinado
Esta é a diferença que decide se o morador vai ver máquina na rua no mês que vem ou daqui a dois anos. Um anúncio de governo costuma misturar três estágios distintos, e vale saber qual é qual antes de contar com a obra:
- Entregue — a obra está pronta e em uso. O benefício já existe.
- Assinado ou autorizado — existe ordem de serviço, convênio ou autorização de recurso. É o documento que permite tocar a obra, e não a obra. Entre a assinatura e a primeira máquina no terreno ainda cabem licitação, contrato e mobilização da empresa.
- Anunciado — houve a declaração de intenção, sem documento assinado divulgado e sem prazo. É o estágio mais frágil dos três.
Aplicado a Ibatiba, o quadro fica assim: nada foi entregue. Três itens estão no estágio de assinatura ou autorização, e um foi apresentado como anúncio de retomada. É por isso que falar em obra que já transforma a cidade descreve um futuro, não o presente.
Estrada de Córrego Rodrigues: ordem de serviço assinada
Este é o item mais adiantado do conjunto. Ferraço assinou a Ordem de Serviço e autorizou o início das obras do trecho que liga a sede do município à comunidade de Córrego Rodrigues. São 4,5 quilômetros de pavimentação em blocos de concreto, com pista de seis metros de largura, mais drenagem e sinalização viária.
A largura de seis metros é o detalhe que interessa a quem tira produção do sítio: é a medida que permite dois veículos se cruzarem sem que um saia da pista, o que muda o cálculo de quem trafega com caminhão carregado em dia de chuva. O texto oficial não informa quando as máquinas entram, quanto tempo dura a obra nem qual empresa vai executá-la.
A infraestrutura rural é determinante para gerar desenvolvimento. Com o Caminhos do Campo, estamos levando pavimentação para áreas produtivas e garantindo que cada investimento se traduza em mais competitividade e qualidade de vida. A pavimentação desse trecho é um desejo antigo da comunidade e será fundamental para o escoamento da produção e para a mobilidade das famílias que vivem e trabalham aqui
A avaliação é do secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Encosta da Avenida 7 de Novembro: risco alto e obra da prefeitura
A Avenida 7 de Novembro é uma das principais vias de circulação urbana de Ibatiba, com movimento de veículos e pedestres e acesso a bairros populosos, instituições públicas e comércio. A encosta ali é classificada com Risco Alto (R3) de escorregamentos e instabilidade do solo pela Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), quadro que se agrava no período chuvoso.
Vale entender o que essa classificação significa na prática: ela não descreve um desabamento em curso, e sim a probabilidade de que o terreno ceda sob condições previsíveis — chuva prolongada, sobretudo. É um alerta de engenharia sobre o que pode acontecer, e é o que justifica a intervenção antes do acidente.
A obra prevista cobre cerca de 3.549,56 metros quadrados, equivalentes a 369,18 metros lineares, com quatro muros de contenção que variam entre 3 e 22 metros de altura. Entram ainda concreto projetado, solo grampeado, manta termoplástica, geotêxtil e um sistema de drenagem ligado à rede já existente na Rua do Rosário, no bairro Brasil Novo. Cerca de três mil moradores devem ser beneficiados.
Um ponto que o anúncio deixa claro e que muda o endereço da cobrança: quem executa a obra é a Prefeitura Municipal, com recurso estadual. A Ordem de Serviço foi assinada; início, cronograma e empresa não foram informados.
Sob a liderança do governador Renato Casagrande e do vice-governador Ricardo Ferraço, estamos garantindo os recursos para que Ibatiba execute uma obra essencial para aumentar sua resiliência aos efeitos do clima e proteger os seus moradores. É proteção à vida e aos bens patrimoniais da população
A declaração é da secretária de Estado do Governo, Emanuela Pedroso, gestora do Fundo Cidades.
Creche autorizada e escola com reforma a retomar
Na educação, o vice-governador assinou a autorização para construir uma nova unidade de Educação Infantil, com recurso do Funpaes. São R$ 5,6 milhões para um prédio de 1.400 m², que deve criar 148 vagas de creche e 40 de pré-escola — 188 no total. O projeto prevê espaços pedagógicos, ambientes acessíveis, áreas de lazer, cozinha e refeitório.
Atenção ao estágio deste item: o que existe é a autorização do recurso. O anúncio não menciona edital publicado, licitação concluída, empresa contratada nem data de entrega. Entre autorizar e inaugurar creche há um percurso administrativo inteiro que ainda não foi noticiado.
O mesmo vale para a EEEFM Maria Trindade de Oliveira, cuja reforma foi apresentada como retomada — palavra que indica obra interrompida antes. O texto oficial não diz quando ela parou, por quê, nem quando volta. Os cerca de R$ 7 milhões previstos devem cobrir reforma completa da cobertura, troca de esquadrias, melhorias em pisos e revestimentos, requalificação da cozinha e dos banheiros, adequações de acessibilidade, climatização e modernização da quadra poliesportiva e dos espaços externos. Mais de 800 estudantes seriam alcançados.
Seguimos trabalhando para apoiar as redes municipais, garantindo infraestrutura de qualidade e ampliando as oportunidades de acesso. A nova creche representa um passo importante, assim como a retomada das obras da Maria Trindade de Oliveira, que permitirá entregar à comunidade uma escola renovada e adequada ao desenvolvimento dos estudantes.
A avaliação é do secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo. O verbo que ele usa — permitirá — está no futuro, e é a leitura correta do estágio da obra.
O que o anúncio não informou
Levantadas as quatro obras, restam as lacunas que só o andamento vai preencher. Nenhum dos pontos abaixo consta do material divulgado:
- Data de início de qualquer uma das quatro obras.
- Prazo de conclusão ou cronograma de execução, item por item.
- Empresas responsáveis pelas obras e o estágio das respectivas licitações.
- Motivo e data da paralisação da reforma da Maria Trindade de Oliveira, além da data de retomada efetiva.
- Etapas administrativas pendentes da creche — edital, contrato e ordem de serviço.
- Cifra total do conjunto: o Governo do Estado divulgou os valores separados, não uma soma oficial.
Enquanto essas informações não vierem, o que Ibatiba tem em mãos é o conjunto de documentos que autoriza gastar mais de R$ 27 milhões — um passo real e necessário, mas anterior à obra. O programa Caminhos do Campo, citado no ato como iniciativa de duas décadas de pavimentação rural no interior capixaba, dá a medida do intervalo que costuma separar o anúncio da estrada pronta.
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