Casagrande vistoria a ES-379; escola e UBS só têm repasse — Direto Notícias

Casagrande vistoria a ES-379; escola e UBS só têm repasse

O governador Renato Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço percorreram Irupi e Iúna, no Caparaó capixaba, na sexta-feira (5). A agenda reuniu coisas em estágios bem diferentes: uma obra em execução, a reconstrução da Rodovia ES-379, em Irupi; e dois repasses autorizados para Iúna, um para construir escola no distrito de Pequiá e outro para reformar unidade básica de saúde. Vistoriar não é entregar nem contratar: nenhuma das três frentes estava concluída na data da visita, e o material divulgado pelo governo não traz prazo de conclusão para nenhuma delas.

Obra em execução, repasse autorizado e benefício anunciado não são a mesma coisa

Agendas de governo costumam apresentar num bloco só três situações que valem coisas distintas para quem mora na região. Vale separar antes de ler os números:

  • Em execução — a obra começou e está no canteiro. É o caso da ES-379, que foi vistoriada justamente porque os serviços estão em andamento. Ainda assim, obra em andamento não é obra entregue.
  • Repasse autorizado — o dinheiro foi destinado e o ato foi assinado, mas a obra não começou. É o caso da escola de Pequiá e da reforma da unidade de saúde em Iúna. Entre a autorização e a primeira máquina no terreno ainda existem projeto, licitação, contrato e ordem de serviço.
  • Anunciado — o resultado prometido: as 175 vagas escolares, o atendimento ampliado, a viagem mais segura. É o que se espera que aconteça depois que a obra ficar pronta, e não o que existe hoje.

Por isso os valores da agenda não formam um pacote único. Os R$ 80 milhões da rodovia, os R$ 6 milhões da escola e o R$ 1 milhão da unidade de saúde cobrem obras diferentes, vêm de origens diferentes e estão em estágios diferentes. Somar tudo num número só daria ao leitor a impressão de um investimento único já contratado, o que não corresponde ao que foi divulgado.

ES-379: 25,5 km entre Santa Cruz e a sede de Irupi

O trecho em reconstrução tem 25,5 quilômetros — cerca de 25 km de pista — e liga Santa Cruz à sede de Irupi. A execução é do DER-ES, cujo diretor-geral é José Eustáquio de Freitas, e o investimento informado é superior a R$ 80 milhões.

Os números da obra dizem que tipo de intervenção é essa: 30 mil toneladas de asfalto usinado a quente, 93 mil toneladas de base de solo-brita e 17 estruturas de contenção. Base de solo-brita é a camada de sustentação que fica sob o asfalto, e é ela que determina quanto tempo o pavimento resiste ao tráfego pesado; estruturas de contenção são muros e cortinas que seguram encostas, item típico de rodovia de região serrana, onde a chuva forte costuma levar barranco para cima da pista.

A rodovia funciona como ligação entre a BR-262 e Iúna, rota usada por produtores rurais para escoar a safra e por quem sobe para o turismo da região. O material do governo não informa a data de início da obra, a previsão de conclusão, o percentual já executado nem o nome da empresa contratada para os serviços.

Escola de Pequiá: R$ 6 milhões liberados, obra ainda não iniciada

Em Iúna, foi formalizado repasse de R$ 6 milhões pelo Funpaes para erguer uma unidade escolar no distrito de Pequiá, com capacidade prevista para 175 estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O anúncio foi acompanhado pelo secretário Vitor de Angelo.

O estágio aqui é o do dinheiro autorizado. A escola não existe ainda, e as 175 vagas são a capacidade projetada do prédio, não vagas abertas: não há matrícula a fazer agora nem chamada em andamento. O texto divulgado não informa quem executará a obra, se o projeto já está pronto, se houve licitação, quando começa a construção nem em que ano a escola deve receber a primeira turma.

Unidades de saúde: R$ 1 milhão para reforma e três projetos contemplados

A terceira frente é a atenção primária. Foi autorizado repasse de R$ 1 milhão para reforma de UBS pelo Plano Decenal APS +10. Com esse ato, segundo o balanço apresentado pelo próprio governo, Iúna passa a somar três unidades contempladas, incluindo construções em Pequiá e em Nossa Senhora das Graças, totalizando R$ 4,82 milhões.

Contemplada quer dizer que o recurso foi destinado à unidade — não que a reforma tenha começado ou que a construção esteja de pé. O balanço soma o valor das três, mas não abre quanto cabe a cada uma, nem informa prazo, empresa ou data de entrega de qualquer uma delas.

Vale prestar atenção a uma coincidência de nomes que confunde: Pequiá aparece duas vezes na mesma agenda, uma na escola custeada com os R$ 6 milhões do Funpaes e outra entre as unidades de saúde do APS +10. São dois projetos distintos, com verbas distintas, no mesmo distrito.

O que muda hoje para quem mora em Irupi e em Iúna

Hoje, o que está no chão é a obra da ES-379, e obra em andamento significa canteiro ativo: quem usa o trecho entre Santa Cruz e a sede de Irupi ainda deve contar com interferências no tráfego até a conclusão, que não foi datada. A escola de Pequiá e a unidade de saúde reformada não existem como serviço — quem procurar vaga ou atendimento novo agora vai encontrar a rede como ela está.

Ficaram sem resposta na divulgação os pontos que decidem quando a promessa vira serviço: cronograma de cada obra, empresas responsáveis pela escola e pela reforma da unidade de saúde, estágio atual da rodovia e ano previsto de entrega. Enquanto esses dados não forem informados, o que existe é recurso autorizado, e não obra concluída.

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