Estudantes dos Cursos Técnicos em Comércio e Logística da EEEFM Jesus Cristo Rei, em Cariacica, passaram a planejar, organizar e executar os eventos e as publicações da própria escola. O trabalho é feito dentro do projeto Mídia JCR, criado para colocar a comunicação escolar nas mãos dos alunos, e já soma cerca de 25 atividades e ações pedagógicas.
A mudança é de papel: em vez de assistir a uma programação montada por adultos, os estudantes decidem o que será feito, dividem as tarefas entre si, cumprem prazo e resolvem o imprevisto que aparece no caminho. É isso que a escola chama de protagonismo juvenil — o aluno deixa de ser só quem recebe o conteúdo e passa a responder pelo resultado de uma atividade real, com data marcada e público de verdade.
O que os alunos fazem, na prática
As ações do Mídia JCR não são exercícios de sala de aula: têm calendário, público e consequência. Entre o que a equipe de estudantes tira do papel estão:
- Jornal Mídia JCR — publicação produzida pelos próprios alunos, com uma edição por mês;
- Aniversariante do Mês — evento periódico organizado pela equipe do projeto;
- Dia das Mães e Dia dos Professores — datas do calendário escolar que passaram a ser organizadas pelos estudantes;
- Recreio Animado — atividade no intervalo, também sob responsabilidade da equipe.
Somadas, essas frentes chegam a cerca de 25 atividades e ações pedagógicas, número que a escola usa para medir o alcance do projeto. O efeito relatado é o aumento da participação dos estudantes e um ambiente escolar mais acolhedor e colaborativo.
Planejar, organizar, dirigir e controlar saíram do caderno
Os quatro verbos acima são o conteúdo básico das funções administrativas que um curso técnico da área de gestão ensina em teoria. Vale entender o que cada um significa fora da prova: planejar é definir o que será feito, quando e com que recursos; organizar é distribuir as tarefas e as pessoas; dirigir é conduzir a equipe durante a execução, cobrando e ajustando o rumo; controlar é conferir, no fim, se o resultado bateu com o que havia sido combinado.
No Mídia JCR, esse ciclo deixou de ser um esquema no quadro e virou rotina: cada evento e cada edição do jornal obriga a equipe a repetir as quatro etapas com prazo real.
As competências que aparecem no boletim de ninguém
Além do conteúdo técnico, o projeto trabalha o que se costuma chamar de competências socioemocionais — habilidades que não têm nota, mas pesam no trabalho e na convivência. No caso do Mídia JCR, a escola lista comunicação, tomada de decisão, resolução de problemas, responsabilidade e autonomia, além de cooperação, engajamento e gestão de conflitos.
Esta última merece tradução: gestão de conflitos é aprender a lidar com a divergência dentro da equipe — quem faz o quê, de quem foi a falha, como decidir quando o grupo não concorda — sem que a atividade pare. É uma das situações mais frequentes em qualquer trabalho coletivo e raramente aparece no currículo.
O que dizem as coordenadoras do projeto
A Mídia JCR nasceu do desejo de fazer com que os alunos se sentissem parte viva da escola. Cada evento, cada edição do jornal e cada atividade realizada foi construída com muito diálogo, dedicação e amor. Ver esses estudantes planejando, organizando, liderando e resolvendo desafios juntos é a maior prova de que a educação transforma. Esse projeto mostrou que, quando confiamos nos alunos e trabalhamos com propósito, o aprendizado acontece de forma verdadeira e significativa.
A declaração é da professora e coordenadora do Curso Técnico em Comércio, Sheyla Valkiria Dias Passoni.
A efetivação do projeto Mídia JCR trouxe à escola uma visibilidade que antes não possuía. Isso motivou alunos e professores a realizarem ações e projetos que fortaleceram o protagonismo estudantil, a dinâmica escolar e nossas redes sociais.
A avaliação é de Mery Hellen Sfalsin, coordenadora pedagógica da escola.
O que a divulgação do projeto não informa
O material divulgado sobre o Mídia JCR descreve a experiência de uma única escola. Não há informação sobre quantas outras unidades desenvolvem projeto semelhante, nem sobre um procedimento de adesão — não é descrito prazo, edital, inscrição ou qualquer caminho formal para uma escola interessada entrar. Também não são informados a data de início e a duração do projeto.
Na prática, quem quiser conhecer o formato tem como referência apenas o que está relatado: uma equipe de estudantes de curso técnico, um jornal mensal e um calendário de eventos escolares tocado pelos próprios alunos, com o acompanhamento das coordenações do curso e pedagógica.
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