O que muda com o marco temporal para os povos indígenas?

Primeiramente, o Senado Federal deu um passo decisivo ao aprovar a PEC 48/2023, que insere na Constituição a data de 5 de outubro de 1988 como limite para reivindicações territoriais indígenas. Dessa forma, apenas comunidades que comprovarem ocupação até a promulgação da Carta Magna poderão pleitear demarcações.

Além disso, a votação expressiva — 52 votos favoráveis contra 14 contrários em primeiro turno — evidencia o amplo apoio parlamentar à medida. Consequentemente, o texto seguiu para análise na Câmara dos Deputados, enquanto o STF examina a constitucionalidade da tese por meio da ADC 87.

Grupo de trabalho busca regular mineração indígena

Em paralelo, o Senado instalou em outubro de 2025 o Grupo de Trabalho sobre Mineração em Terras Indígenas. Nesse sentido, o colegiado tem 180 dias para elaborar um projeto que regulamente a pesquisa e a lavra mineral nessas áreas, conforme prevê o artigo 231 da Constituição.

De fato, o relator Rogério Carvalho reconhece que divergências persistem, sobretudo quanto à consulta prévia às comunidades. Por outro lado, ele não descarta prorrogar os trabalhos caso novas audiências sejam necessárias para aprofundar o debate.

Décadas de tentativas frustradas no Congresso

Certamente, a questão não é nova. Desde 1995, projetos como o PLS 121/1995 e o PL 191/2020 tentaram regulamentar a mineração indígena sem sucesso. Ou seja, a ausência de regras claras perpetuou a ilegalidade e o avanço do crime organizado nos garimpos amazônicos.

O consultor legislativo Luiz Alberto Bustamante alerta que, sem regulamentação, danos ambientais e mortes de indígenas continuarão ocorrendo. Em outras palavras, restringir a legalidade apenas fortalece atividades clandestinas.

Opiniões dividem o plenário sobre direitos nativos

Por exemplo, a senadora Zenaide Maia argumentou que legalizar invasões a territórios tradicionais representa um retrocesso histórico. Em contraste, o senador Weverton defendeu que o marco temporal pode impulsionar desenvolvimento, escola e saúde nas comunidades.

Finalmente, assim sendo, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar segurança jurídica, direitos constitucionais indígenas e desenvolvimento econômico sustentável — um debate que promete se intensificar nos próximos meses.

Fonte: Agência Senado

Compartilhe essa publicação, clicando nos botões abaixo:

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

7 Frentes do Partido Novo Que Agitam Brasília

Poucas legendas têm provocado tanto ruído institucional quanto o Partido Novo nos últimos meses. Entre …