É falso o conteúdo que circula nas redes sociais afirmando que senadores teriam aprovado, em reunião secreta na madrugada, um pedido de prisão preventiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Não houve reunião plenária com essa finalidade. O Senado Federal está em recesso parlamentar desde 23 de dezembro de 2025 e só retoma os trabalhos em 1º de fevereiro de 2026. O desmentido é do Senado Verifica, serviço de checagem mantido pela Casa.
No período apontado pela publicação não há sessão, votação nem deliberação desse tipo. E nenhuma das hipóteses de voto secreto previstas nas regras internas do Senado trata de prisão de autoridade. A orientação do serviço de checagem é não repassar o material.
O recesso torna impossível a sessão descrita no boato
A suspensão dos trabalhos legislativos entre o fim de dezembro e o início de fevereiro não é decisão de ocasião: está prevista no artigo 57 da Constituição Federal. Nesse intervalo, o plenário não se reúne para deliberar.
Existe uma exceção, e ela é estreita. O Congresso Nacional só pode ser convocado extraordinariamente durante o recesso em situações gravíssimas — Estado de Sítio, Intervenção Federal ou aprovação da maioria absoluta das duas Casas. Nenhuma dessas hipóteses ocorreu.
Quem responde pelo Parlamento enquanto o plenário está parado
Durante o recesso, quem responde pelo Parlamento é a Comissão Representativa do Congresso Nacional, colegiado previsto na Constituição. Ele pode deliberar sobre matérias urgentes: projetos com prazo vencendo, créditos orçamentários e tratados internacionais.
Em entrevista divulgada pela Rádio Senado, o consultor do Senado Gilberto Guerzoni comparou o colegiado a um plantão do Congresso Nacional — estrutura reduzida, para o que não pode esperar até fevereiro. Nada nessa lista de atribuições alcança pedido de prisão.
As cinco situações em que o Senado vota em segredo
Voto secreto não é opção de ocasião: a Constituição e o Regimento Interno listam quando ele cabe. De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, são estes os casos:
- eleição do presidente e dos membros da Mesa Diretora (art. 60 do Regimento Interno);
- escolha de presidentes e vice-presidentes de comissões (art. 88);
- aprovação de indicados pelo presidente da República para tribunais superiores, Banco Central, PGR e TCU em sabatina no Senado (art. 383);
- aprovação de chefes de missão diplomática de caráter permanente (art. 116);
- exoneração do procurador-geral da República antes do fim do mandato (art. 291).
A lista é fechada e nenhum item trata de prisão, de investigação ou de medida contra integrante do Judiciário.
Como conferir sozinho se uma aprovação existe
Antes de repassar qualquer conteúdo que anuncie uma votação, dá para checar em poucos minutos:
- Veja se a Casa estava funcionando. O calendário legislativo é público. Entre 23 de dezembro de 2025 e 1º de fevereiro de 2026 não há sessão deliberativa prevista, e conteúdo que descreve votação nesse intervalo já nasce contraditório.
- Procure o registro da sessão. Toda atividade legislativa é registrada e transmitida pelos canais oficiais da Casa — TV Senado, Rádio Senado e o portal de notícias do Senado. Mesmo nas hipóteses de voto secreto, o sigilo recai sobre o voto, não sobre a existência da reunião: a sessão aparece na programação e no noticiário oficial.
- Confira a data do vídeo ou da imagem. Trechos antigos de outras votações são reaproveitados fora de contexto para sustentar boatos novos.
- Desconfie da fonte genérica. Publicação que não indica de onde tirou a informação, não cita o número da sessão e não descreve com precisão o que teria acontecido costuma ser conteúdo falso.
- Compare com o rito. Deliberação tem etapa, prazo e registro. Aprovação que aparece pronta, sem tramitação anterior e sem nenhum registro público, não aconteceu.
O truque do senso de urgência fabricado
O serviço de checagem do Senado descreve assim a técnica usada nesse tipo de boato:
Boatos como este usam uma técnica chamada senso de urgência fabricado. Eles sugerem que algo grave aconteceu “na madrugada” ou “em segredo” para impedir que você verifique a informação antes de compartilhar.
A explicação é do Senado Verifica.
O primeiro sinal costuma estar no título: o uso de termos como “bomba”, “urgente” ou “secreto” é comum em fake news para despertar medo ou raiva. Quando o material pede compartilhamento imediato, o pedido existe justamente para que não sobre tempo de conferir.
Quem recebe pode interromper a corrente. Na dúvida, fale com o Senado Verifica:
WhatsApp: +55 61 98190-0601
Telefone: 0800 0 61 2211 (ligação gratuita)
E-mail: senadoverifica@senado.leg.br
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