Ação Educar para Incluir leva frases de alunos de Piúma às ruas — Direto Notícias

Ação Educar para Incluir leva frases de alunos de Piúma às ruas

A EEEFM Professora Filomena Quitiba, escola da rede estadual em Piúma, no Litoral Sul do Espírito Santo, realizou entre 27 e 31 de outubro a ação Educar para Incluir: Arte, Diversidade e Acolhimento. Foram cinco dias de programação em todos os turnos, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, e o resultado saiu do prédio da escola: a frase e o desenho mais votados pela comunidade estamparam um outdoor instalado na entrada do município.

A programação foi organizada pelas professoras do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e construída junto com a equipe gestora, com os demais docentes e com as turmas. O objetivo declarado era fortalecer a cultura da inclusão, o respeito às diferenças e o sentimento de pertencimento entre os estudantes.

A semana começou com um filme e terminou com um mural coletivo

O primeiro momento foi de acolhida, seguido da exibição de um filme sobre inclusão. A partir dele, as turmas se organizaram em rodas de conversa sobre convivência respeitosa e empatia — formato que troca a aula expositiva pela fala dos próprios estudantes sobre o que vivem no dia a dia da escola.

Nos dias seguintes, a escola passou às atividades práticas: uma apresentação musical em Libras, um quiz interativo e a construção de um mural coletivo com palavras, símbolos e ilustrações que representaram respeito, igualdade e acolhimento.

Vale entender o que está por trás da apresentação em Libras. Não se trata de gesticular palavras do português: é uma língua completa, com vocabulário e gramática próprios, estrutura de frase diferente da língua falada e variações regionais, como qualquer idioma. Cantar em Libras exige tradução de sentido, não de palavra — por isso o resultado costuma ser um trabalho de interpretação, e não uma cópia da letra.

O que é o AEE, o serviço que organizou a ação

O Atendimento Educacional Especializado é o apoio que sustenta a matrícula de alunos com deficiência na sala de aula comum. Ele não substitui a turma regular e não é uma classe separada: funciona como serviço complementar, em geral no contraturno, com professores de formação específica.

Na prática, o trabalho do AEE consiste em identificar as barreiras que impedem o estudante de participar — de comunicação, de material, de espaço físico, de organização da aula — e providenciar o que remove cada uma delas: material adaptado, recursos de comunicação alternativa, tecnologia assistiva, orientação aos professores da turma sobre como apresentar o conteúdo. O foco é a barreira, não o aluno.

Essa é a diferença que a ação de Piúma torna visível. A escola inclusiva não pede que o estudante se ajuste ao que já existe; é o ambiente que se reorganiza para que ele participe. Por isso o termo em uso é aluno com deficiência ou pessoa com deficiência — a deficiência é uma característica, não a identidade inteira de alguém, e não é algo que se “porta” ou se carrega. Vaga na escola comum e apoio para aprender nela são direito, não concessão.

O tema também apareceu em outra frente da mesma escola: alunos de Piúma venceram uma feira de ciências com um aplicativo de acessibilidade, trabalho que partiu da mesma pergunta prática — o que impede alguém de usar aquilo que todo mundo usa.

Do caderno de Ensino Religioso ao outdoor na entrada de Piúma

O concurso de frases e desenhos foi o ponto em que a ação passou de atividade interna a mensagem pública. As produções foram elaboradas nas aulas de Ensino Religioso, em trabalho orientado pelo professor Joedson Guimarães, e depois publicadas no Instagram oficial da escola.

A escolha dos vencedores não ficou com uma banca: foi por votação da comunidade, no próprio perfil. A frase e o desenho mais votados foram para o outdoor instalado na entrada do município — a peça que quem chega a Piúma vê antes de qualquer outra coisa. Depois da instalação, os autores das produções visitaram o local.

Produção de sala de aula que vira objeto de circulação pública tem outro exemplo no município: estudantes de Piúma também transformaram a identidade da cidade em um livro de colorir, com ilustrações autorais.

O que disseram as professoras e uma das autoras

“A inclusão se constrói nas oportunidades de participação, na escuta e no acolhimento”

A avaliação é da professora Angelina do Amaral Mendes Lucas, do AEE.

A professora Felícia Monteiro Carvalho destacou o envolvimento dos estudantes e afirmou que “foi emocionante ver como refletiram sobre o respeito ao outro”.

Entre as autoras das produções escolhidas, o relato foi sobre o que significa ver o próprio texto exposto na entrada da cidade:

“Eu fiquei muito feliz porque minha frase representa aquilo que eu acredito. Todo mundo merece ser respeitado e ter seu lugar na escola. Ver algo que eu escrevi ganhando destaque foi muito especial para mim.”

Quando a escola não oferece o apoio: o que a família pode fazer

O primeiro passo é a direção da escola, e por escrito. Um pedido protocolado — de avaliação pelo AEE, de material adaptado, de profissional de apoio — cria data e registro, o que muda a conversa quando o atendimento demora. Vale pedir cópia do protocolo e guardar.

Se o impasse for o acesso à escola em si, e não o formato do apoio, o caso muda de natureza: recusa ou embaraço de matrícula de criança e adolescente por causa da deficiência não é questão pedagógica. Nesse cenário, o Conselho Tutelar é o canal que atua na garantia do direito e pode ser acionado diretamente pela família, sem custo e sem advogado.

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