Júri simulado em Guarapari debate energia nuclear e ética — Direto Notícias

Júri simulado em Guarapari debate energia nuclear e ética

Estudantes do Ensino Médio da EEEFM Angélica Paixão, escola estadual em Guarapari, transformaram a sala de aula em tribunal para discutir uma proposta hipotética: a liberação da construção de armas nucleares no Brasil. O júri simulado foi conduzido pelo professor de Biologia Saulo Nunes Santa Clara e dividiu os participantes em grupos favoráveis e contrários à proposta, depois de uma etapa de pesquisa.

O tema levado a julgamento foi anunciado como “Liberação da construção de armas nucleares no Brasil”. Vale a distinção: era um exercício de argumentação, não uma posição defendida pela escola nem uma proposta em tramitação. O que os grupos sustentaram no debate são teses atribuídas a eles dentro da simulação.

O que é um júri simulado e por que a escola usa esse formato

No júri simulado, os estudantes assumem papéis: no exercício da Angélica Paixão, houve advogados, jurados e representantes da sociedade civil. Cada grupo precisa levantar informação, organizar os argumentos e sustentá-los em voz alta diante de quem vai decidir — e o papel recebido não corresponde necessariamente ao que a pessoa pensa fora da sala. É justamente essa separação entre opinião pessoal e tese a defender que obriga o estudante a estudar o outro lado.

A atividade envolveu turmas do Ensino Médio, entre elas a 3ª série de Humanidades e a turma de Mídias Digitais. Os nomes dos estudantes não são reproduzidos aqui.

Cinco disciplinas para montar um argumento

Na preparação, os estudantes fizeram pesquisas que cruzaram conteúdos de Biologia, História, Geografia, Física e Sociologia. Segundo o material da escola, os grupos exploraram energia nuclear, sustentabilidade, impactos ambientais e dilemas éticos.

É o que a rede estadual chama de interdisciplinaridade, prevista no Currículo da Rede Estadual: em vez de cada matéria tratar um pedaço isolado, todas são chamadas para o mesmo problema. Um debate sobre energia nuclear pede a Física para explicar o fenômeno, a Biologia para tratar dos efeitos sobre organismos vivos, a Geografia e a História para situar onde e quando decisões assim foram tomadas, e a Sociologia para discutir quem decide e em nome de quem. Sozinha, nenhuma dá conta.

Do lado da escola, o objetivo declarado foi desenvolver pensamento crítico e ético, ampliar a capacidade de análise científica e sociopolítica e estimular o protagonismo estudantil pela vivência de práticas democráticas de debate e tomada de decisão.

A avaliação do professor que conduziu a atividade

“Os alunos puderam compreender como a ciência e a tecnologia influenciam decisões políticas e sociais. Refletir sobre os efeitos da radiação e dos rejeitos nucleares reforçou o compromisso da Biologia com a sustentabilidade e a ética científica”

A avaliação é do professor de Biologia Saulo Nunes Santa Clara, que conduziu o júri simulado.

O que os estudantes relataram

Os depoimentos recolhidos pela escola falam menos do tema e mais do que o exercício exigiu de quem participou — pesquisar, argumentar e falar diante dos colegas. Uma estudante resumiu assim o efeito do júri sobre a própria desenvoltura:

“O júri foi essencial para aprimorar minha argumentação e superar o medo de falar em público. Mais do que um trabalho escolar, foi uma oportunidade de crescimento pessoal e acadêmico.”

Outro relato liga a atividade a uma escolha de carreira, na área do Direito:

“O júri me mostrou que esse é realmente o caminho que quero seguir. Discutir um tema tão relevante despertou em mim o desejo de aprofundar meus estudos e participar de debates sobre ética e sociedade.”

A fala é de quem cursa o Ensino Médio na escola e participou da simulação.

Mesmo formato, outra cidade, outro tema

O júri simulado não é exclusividade de Guarapari nem depende do assunto: em abril de 2025, uma escola de outra cidade capixaba usou o mesmo formato para julgar uma questão científica, quando alunos de Cachoeiro julgaram a teoria do Big Bang em júri simulado — outra escola, outro tema, a mesma mecânica de acusação, defesa e jurados. É um sinal de que o recurso vem sendo adotado em diferentes pontos da rede.

O que o material da escola não informa

Para quem quiser reproduzir a atividade ou entender o alcance dela, vale registrar o que ficou de fora do relato oficial:

  • o resultado do julgamento — não há registro de qual lado convenceu os jurados, e a simulação não produz decisão com efeito nenhum fora da sala;
  • quantos estudantes participaram e quantas turmas foram envolvidas;
  • a data exata em que o júri aconteceu e quanto tempo durou a preparação;
  • os argumentos apresentados por cada grupo, que não foram detalhados.

Nada disso invalida a atividade. Só delimita o que dá para afirmar: houve um debate escolar com dois lados, conduzido por um professor da rede pública estadual, sobre uma proposta hipotética levada a julgamento em sala de aula.

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