A Secretaria da Educação (Sedu) realizou nesta terça-feira (18) o 1º Seminário Estadual da Classe Hospitalar, encontro que reuniu profissionais da Educação e da Saúde que atuam no atendimento a crianças e adolescentes internados no Espírito Santo. Participaram equipes dos hospitais estaduais Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG) e Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), além de representantes da Secretaria da Saúde (Sesa).
O foco declarado do encontro foi o fortalecimento das ações que sustentam a continuidade do processo de aprendizagem durante o período de tratamento médico.
O que é primeiro aqui é o seminário, não o atendimento
O numeral no nome do evento se refere ao encontro, e não ao serviço. A classe hospitalar já funciona no Espírito Santo, e o que aconteceu nesta terça foi a primeira edição estadual de um seminário para discuti-la. A distinção importa para quem chega a esta notícia procurando o atendimento: não se trata do anúncio de um serviço que começa agora, e sim de uma reunião de trabalho entre as equipes que já atuam.
Os três princípios que a Sedu colocou no centro
A pasta apresentou três princípios como orientadores da atuação da classe hospitalar capixaba: Direitos Humanos e Cidadania, Direito à Educação e Equidade. Os dois primeiros enquadram o acompanhamento escolar durante a internação como direito do estudante, e não como atividade opcional oferecida quando sobra tempo.
Já equidade, em linguagem simples, é o princípio de dar respostas diferentes a situações diferentes — o contrário de aplicar a mesma rotina escolar a todo mundo sem olhar as circunstâncias de cada um. É o termo que, no vocabulário da política pública, separa tratar igual de atender conforme a necessidade.
Segundo a Sedu, os participantes discutiram estratégias para que estudantes internados não percam o vínculo com a escola, com atenção ao desenvolvimento acadêmico, emocional e social. O encontro também abriu espaço para que as equipes compartilhassem experiências e práticas do atendimento educacional feito dentro do hospital.
Secretário fala em acolhimento além do conteúdo curricular
Na abertura, o secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, afirmou que a proposta da classe hospitalar vai além da oferta de conteúdos curriculares, ao promover acolhimento, pertencimento e dignidade a crianças e adolescentes em tratamento. Para ele, garantir o direito à educação nesse contexto é também assegurar que o estudante mantenha a conexão com o mundo, com suas oportunidades e com o próprio futuro.
Ao reunir diferentes áreas e perspectivas, o seminário reafirma nosso compromisso com a construção e o fortalecimento de políticas públicas que garantam o acesso à educação em todas as circunstâncias, reconhecendo as necessidades de cada estudante e promovendo equidade no atendimento
A declaração é do secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo.
Por que Educação e Saúde sentaram na mesma sala
A presença conjunta de Sedu e Sesa, com equipes dos dois hospitais infantis estaduais, é o ponto prático do encontro. O atendimento pedagógico feito dentro de um hospital depende de duas rotinas que não pertencem à mesma área: o tempo do estudo precisa caber entre procedimentos, exames e o próprio ritmo do tratamento, e a leitura sobre o que é possível a cada dia envolve tanto a equipe escolar quanto a equipe de saúde.
É esse encaixe que um seminário de âmbito estadual permite discutir com quem executa o serviço, em vez de deixá-lo para ser resolvido caso a caso em cada unidade.
O que o material da Sedu não informou
A divulgação do seminário não traz o número de participantes do encontro, não informa quantos estudantes são atendidos pela classe hospitalar no Estado e não diz em quantas unidades de saúde o serviço funciona. Os dois hospitais citados aparecem como participantes do evento — não como a lista completa dos locais onde há atendimento.
Também não há, no material divulgado, a descrição do procedimento para solicitar o acompanhamento escolar durante uma internação, nem a indicação de um canal para famílias que procuram o serviço. Quem precisa dessa informação depende, por ora, de buscá-la diretamente com a Sedu ou com a unidade de saúde onde o estudante está internado.
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