O marchador Caio Bonfim e a atleta de taekwondo Maria Clara Pacheco foram eleitos os atletas do ano no Prêmio Brasil Olímpico de 2025. A escolha coloca os dois no topo da principal premiação do esporte olímpico nacional, que reúne a cada temporada os nomes de melhor desempenho entre as modalidades olímpicas.
A eleição dos dois e a criação de uma nova honraria na mesma edição foram destacadas pela senadora Leila Barros (PDT-DF), que preside a Comissão de Esporte (CEsp) do Senado Federal. Segundo o registro da comissão, o prêmio é considerado o principal reconhecimento do esporte olímpico no país.
A prova em que Caio Bonfim compete tem regra própria
A marcha atlética é uma prova de estrada do atletismo e não se confunde com corrida. A diferença está em duas exigências técnicas que valem para todo o percurso: o atleta precisa manter contato aparente com o solo o tempo inteiro, sem os dois pés no ar ao mesmo tempo, e precisa apoiar a perna da frente esticada desde o momento em que o pé toca o chão até passar pela vertical do corpo.
Quem julga isso são juízes posicionados ao longo do trajeto, a olho nu. Cada um pode advertir o competidor e, se entender que houve falta, registrar a infração. O acúmulo de registros de juízes diferentes leva à punição, que pode ir de um tempo parado em área determinada até a desclassificação. Por isso a marcha é uma prova de resistência e de controle: o desempenho depende tanto do fôlego para dezenas de quilômetros quanto da técnica que evita a penalidade.
O que define uma luta de taekwondo
O taekwondo olímpico, modalidade de Maria Clara Pacheco, é um combate disputado por pontos, dividido em assaltos curtos e organizado por categorias de peso. Vale golpe de perna e de braço em áreas delimitadas do corpo e da cabeça, e o valor de cada acerto muda conforme a região atingida e a dificuldade do movimento: chute na cabeça vale mais que golpe no tronco, e um giro antes do impacto acrescenta pontos.
A contagem é feita com o auxílio de coletes e capacetes com sensores, que registram o impacto, e complementada pela decisão dos árbitros para os golpes que dependem de avaliação. Também há desconto de ponto por infração, como agarrar o adversário, empurrar ou sair da área de combate. É um esporte em que a diferença costuma ser construída em poucos segundos, o que explica a importância da regularidade ao longo de uma temporada inteira.
A nova medalha criada nesta edição
A edição de 2025 da premiação criou a medalha Vanderlei Cordeiro de Lima, destinada a atletas que superaram adversidades durante competições. Diferente das categorias que medem resultado, a honraria olha para a conduta e para a capacidade de seguir competindo diante de um imprevisto que fugiu ao controle do competidor.
O nome da medalha faz referência ao maratonista que protagonizou um dos episódios mais lembrados do esporte olímpico brasileiro: nos Jogos de Atenas, em 2004, ele liderava a maratona quando foi agarrado por um invasor no meio do percurso, retomou a prova e terminou entre os medalhistas.
O que o título de atleta do ano muda na prática
Ser eleito atleta do ano não altera resultado de competição nem garante vaga em nenhuma delas. O efeito é outro, e é concreto: a distinção funciona como vitrine anual da modalidade, aumenta a exposição do atleta fora do calendário de provas e costuma pesar na negociação de patrocínio e na captação de recursos privados, que sustentam boa parte da preparação em esportes que não têm calendário de clubes nem receita de bilheteria.
Para modalidades como a marcha atlética e o taekwondo, que têm menos espaço na cobertura esportiva de rotina do que os esportes coletivos, esse é um dos poucos momentos do ano em que o público geral é apresentado ao nome de quem compete. A visibilidade também alcança a base: categorias de formação costumam registrar procura maior por treino nas semanas seguintes a um resultado nacional de repercussão.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!