O abandono de animais no Brasil segue sendo um problema majoritariamente urbano e estrutural.
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É o que mostra a Pesquisa Cenário de Abandono de Animais, realizada pelo quarto ano consecutivo pelo Cobasi Cuida, iniciativa social da Cobasi, em parceria com ONGs e protetores independentes, dentro das ações do Dezembro Verde, campanha nacional de conscientização contra o abandono.
Segundo o levantamento, 82,9% dos casos de abandono acontecem em áreas urbanas, principalmente em vias públicas e outros espaços das cidades. Já as áreas rurais concentram 17,2% das ocorrências, percentual que também impacta municípios de pequeno e médio porte, onde a estrutura de acolhimento costuma ser mais limitada.
Para Daniela Bochi, gerente do Cobasi Cuida, os dados mostram que o abandono deixou de ser um problema pontual e passou a refletir falhas estruturais das cidades.
“Quando o abandono se concentra nos centros urbanos, ele pressiona ainda mais ONGs e protetores, que já atuam no limite, especialmente no interior, onde há menos apoio do poder público”, afirma.
Filhotes lideram os resgates e ampliam a sobrecarga
O perfil dos animais resgatados evidencia a relação direta entre abandono e ausência de controle reprodutivo.
De acordo com a pesquisa, 31% dos resgates envolvem ninhadas de filhotes, o que acelera o crescimento do número de animais acolhidos e aumenta os custos com alimentação, vacinação e cuidados básicos.
Outros 10% dos resgates correspondem a animais com necessidades especiais, como doenças crônicas, idade avançada ou deficiências físicas, que demandam cuidados contínuos e costumam permanecer mais tempo em abrigos ou lares temporários.
Os cães representam 54% dos animais resgatados, enquanto os gatos somam 32%. Esse padrão se repete tanto em grandes centros urbanos quanto em cidades do interior, onde o ritmo de adoção costuma ser ainda mais lento.
Entradas em abrigos continuam superando adoções
O levantamento também revela um desequilíbrio persistente entre o número de animais acolhidos e os que encontram um novo lar.
Apenas no primeiro semestre de 2025, foram registradas 5.325 entradas em abrigos e lares temporários, contra 1.685 adoções, o que representa uma média de uma adoção para cada 3,16 animais acolhidos.
Outro dado relevante é que 84,7% das entradas ocorrem em abrigos privados, reforçando a dependência do trabalho de ONGs e protetores independentes, sobretudo em regiões onde não há políticas públicas estruturadas de acolhimento animal.
Entre as soluções apontadas pela pesquisa estão a ampliação de programas de castração em larga escala, campanhas educativas permanentes e políticas públicas mais rigorosas de combate ao abandono.
Essas ações são consideradas ainda mais urgentes em municípios do interior, onde o problema muitas vezes é naturalizado e pouco denunciado.
Segundo estimativas citadas no levantamento, cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade no Brasil, sendo aproximadamente 201 mil sob cuidados diretos de ONGs e protetores.
“Dar visibilidade a dados consistentes é essencial para transformar essa realidade. Informação qualificada fortalece a prevenção, incentiva a adoção responsável e ajuda a pressionar por políticas públicas mais eficazes, inclusive fora dos grandes centros”, conclui Daniela Bochi.
Fonte: Ancora1, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre abandono de animais
Por que o abandono é maior nas áreas urbanas?
Porque a concentração populacional é maior, há menos controle reprodutivo e muitas vezes falta responsabilidade na guarda dos animais.
Por que filhotes são os mais resgatados?
A ausência de castração faz com que ninhadas indesejadas sejam descartadas, sobrecarregando abrigos e protetores.
O que pode ajudar a reduzir o abandono?
Castração em larga escala, educação sobre guarda responsável, incentivo à adoção e políticas públicas contínuas.
Castração é a solução fundamental para combater o abandono de animais
Dezembro Verde chama atenção para o combate ao abandono de animais no Brasil
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