Plantas medicinais: grupo de Itapemirim visita Venda Nova — Direto Notícias

Plantas medicinais: grupo de Itapemirim visita Venda Nova

A viagem descrita neste registro aconteceu em 18 de setembro de 2025, uma quinta-feira, e o material oficial sobre ela não ganhou uma linha nova desde então. Naquele dia, um grupo de agricultores, técnicos e lideranças locais de Itapemirim saiu do município rumo a Venda Nova do Imigrante para ver de perto o cultivo e o processamento de plantas medicinais em dois lugares apresentados como referência no assunto. Quem promoveu a excursão foi o Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) de Itapemirim, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Quantas pessoas foram, o material não diz — nem estimativa, nem lista, nem quantos eram agricultores e quantos eram técnicos.

O que o grupo fez naquele dia, e o que o texto não credita a ninguém

Duas ações do grupo aparecem no comunicado, e as duas são de presença: ele vivenciou a experiência e pôde acompanhar o que se fazia ali com as ervas. Não há uma frase dizendo que os visitantes plantaram, colheram, prepararam extrato, levaram muda para casa ou receberam material para repetir a coisa na própria propriedade.

Do outro lado, o texto também não diz quem faz o trabalho que o grupo assistiu. O cultivo orgânico aparece como algo que simplesmente ocorre na unidade visitada, e o processamento entra como substantivo, sem sujeito. Em nenhum momento o material nomeia a pessoa, a equipe ou o setor responsável por cultivar e beneficiar as plantas. Não cabe creditar a produção aos visitantes, e tampouco afirmar que eles nada fizeram: a autoria do trabalho fica sem dono no texto oficial, e é isso que se pode registrar.

O rótulo que virou título — intercâmbio — está no material, que escreve que o intercâmbio contemplou dois espaços. O percurso narrado, porém, é de mão única: o grupo de Itapemirim chega, observa e volta. Não há uma linha sobre o que essas pessoas levaram, ensinaram, ofereceram ou trocaram com quem as recebeu. Expressões como valorização de práticas tradicionais e integração institucional aparecem no mesmo tom, sem um ato concreto por trás.

Duas paradas: uma fazenda experimental e uma sede de trabalho voluntário

A primeira parada foi a Unidade de Referência Agroecológica, dentro da Fazenda Experimental do Incaper, onde, segundo o material, ocorre — sem que o texto diga por obra de quem — o cultivo orgânico, em sistema agroecológico, de dezenas de espécies medicinais e aromáticas. A segunda foi a sede da Pastoral da Saúde de Venda Nova do Imigrante, apresentada como entidade de trabalho voluntário na comunidade há mais de 30 anos, dedicada a preparos fitoterápicos.

Repare no mais de: ele fixa um mínimo. A entidade tem pelo menos trinta anos de atividade, o texto não informa o ano em que ela começou, e trinta não é o total.

Pomadas e xaropes: o processamento de plantas medicinais que o grupo viu

Na sede da entidade, os visitantes acompanharam a transformação das ervas em pomadas, tinturas, extratos, xaropes e outros derivados. A expressão outros derivados impede fechar a conta: são quatro tipos nomeados e um número desconhecido de produtos que o texto não nomeia. O destino desses preparos, ainda segundo o material, é duplo — o cuidado popular e ações de saúde preventiva —, e nenhuma das duas expressões é explicada em lugar nenhum.

Dezenas de espécies cultivadas, e o texto não nomeia uma

Para quem chegou até aqui procurando planta medicinal, é neste ponto que o texto decepciona: o material oficial não nomeia uma única espécie. Ele fala em dezenas de espécies medicinais e aromáticas cultivadas na unidade visitada, mas não diz quais são, não associa nenhuma planta a nenhuma finalidade, não descreve nenhum preparo e não indica onde essa lista poderia ser consultada.

Escrever aqui o nome de uma erva e para que ela serviria seria informação do portal, não do material — e, tratando-se de coisa que as pessoas bebem e passam na pele, informação inventada machuca alguém. Fica o registro seco: as espécies não estão no texto.

Nem dose, nem contraindicação, nem quem pode usar

O comunicado não traz uma linha de orientação de segurança. Não menciona dosagem, contraindicação, interação com remédio de farmácia, restrição para gestante, criança ou pessoa em tratamento, e não diz se algum profissional de saúde acompanha o preparo ou a entrega. Informa que a entidade dá acesso a medicamentos naturais, a preço acessível ou por doação, o que descreve distribuição, não uso seguro.

Também não há menção a registro, licença sanitária ou norma que discipline essa produção. Isso não quer dizer que não existam: quer dizer que o texto não os cita, e que nada aqui substitui a orientação de quem atende no serviço de saúde.

Um marco importante, na avaliação de quem coordenou a ação

O material inteiro tem uma única declaração, e ela vem de dentro da organização:

A visita foi um marco importante para consolidar os conhecimentos adquiridos no curso e ampliar a perspectiva sobre o potencial das plantas medicinais como alternativa de diversificação produtiva, inovação e valorização das práticas tradicionais

Abel Lopes Costa disse isso ao comentar o resultado da viagem; o texto o apresenta apenas como coordenador e não diz coordenador de quê. Essa frase é a única avaliação do que a excursão produziu e também o único ponto em que o material explica para que ela serviu: apresentar a planta medicinal como alternativa de renda ao lado das outras culturas da propriedade. Vale ler assim — leitura de quem organizou o dia, não resultado medido depois.

O curso, a instrutora e os números que fecham o comunicado

A excursão não nasceu sozinha: surgiu a partir de um curso sobre plantas medicinais que teve como instrutora Rita de Cássia Zanúncio Araujo, economista doméstico, servidora aposentada do Incaper e atualmente no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/ES). O texto cita o Senar apenas como o lugar onde ela trabalha hoje — não diz sob qual programa o curso foi dado, quantas aulas teve, quando ocorreu, quantas pessoas o concluíram nem se haverá nova turma.

Um detalhe de leitura: o mesmo material grafa o nome dela de duas formas, Rita de Cássia Zanúncio Araujo e Rita Zanuncio, e é dela também que vêm os estudos citados no fecho do comunicado.

O único indicador de porte do texto está nesse fecho e não se refere à viagem. Em estudos que Rita Zanuncio apresentou — o material não diz onde nem a quem —, a entidade visitada aparece atendendo mensalmente centenas de usuários. Centenas é faixa, não contagem — e o material não diz se conta pessoas diferentes ou atendimentos repetidos: quem procura três vezes no mesmo mês pode entrar como um ou como três.

A mesma passagem chama a entidade de referência estadual e nacional em fitoterapia, sem apontar qual reconhecimento, prêmio, registro ou avaliação sustenta os dois adjetivos. E sobre a viagem em si não há indicador nenhum: nem participantes, nem propriedades alcançadas, nem mudas distribuídas, nem horas de atividade, nem avaliação posterior. O que o comunicado mede é que a atividade aconteceu.

Quatro parceiros citados, nenhum com tarefa descrita

O texto lista quem esteve junto e para aí. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapemirim e a prefeitura entram como apoio, sem que se saiba se o apoio foi transporte, alimentação, divulgação, inscrição ou dinheiro. Os escritórios do Incaper em Marataízes e em Venda Nova do Imigrante entram como colaboração, e a frase fecha em integração institucional sem contar o que cada um fez. A entidade anfitriã é a única cuja função aparece descrita, e a função descrita é receber.

Quem participou, quais plantas, quanto custou

  • Quantas pessoas foram. O grupo é descrito por três categorias e por nenhum número.
  • Quais espécies. Dezenas, diz o texto; nenhuma nomeada.
  • Quanto custou e quem pagou transporte, alimentação e organização do dia.
  • Quem cultiva e quem processa nas duas unidades visitadas.
  • O que o grupo levou de volta. Muda, semente, receita, apostila, contato: nada disso é mencionado.
  • Se a experiência será replicada em alguma propriedade de Itapemirim, e com apoio de quem.
  • Como um agricultor de outro município chega a um curso ou a uma visita assim.

Quem quiser fazer o mesmo não encontra por onde começar no material

Esta é a ausência que mais pesa. O comunicado descreve uma experiência que interessa a qualquer agricultor com um pedaço de terra e vontade de diversificar, e não publica um único canal para o leitor: não traz endereço da unidade visitada, horário de visitação, telefone de escritório local, formulário, critério de participação nem calendário. O contato que veio junto ao texto era o da área de imprensa do instituto, dirigido a jornalista, e por isso não aparece aqui. Escrever um telefone ou um endereço de inscrição neste ponto seria oferecer serviço que ninguém abriu.

O que o portal já registrou, e segue no ar, é que o escritório do Incaper em Itapemirim tem contato próprio publicado. Seis meses antes desta viagem, ele organizou com o sindicato e a prefeitura dois encontros para mulheres do campo, em março de 2025, cuja divulgação trouxe o telefone e o endereço eletrônico do próprio escritório municipal — outra ação, de outro tema, anterior a esta, e citada porque é ali que aparece um canal de fato aberto ao produtor do município.

Sobre repetição, nada. O material não anuncia nova turma do curso, nova visita, calendário de atividades nem qualquer previsão. Não dá para escrever que não haverá outra edição, porque o texto não afirma isso. Dá para escrever que o comunicado não toca no assunto. E ele é de setembro de 2025 — quase um ano depois, continua sendo o único registro público dessa viagem, sem atualização.

Quem escreveu o material é quem organizou a viagem

O texto oficial encerra creditando as informações ao próprio Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) de Itapemirim, isto é, ao mesmo escritório que promoveu a excursão. É divulgação assinada por quem realizou, e isso explica o tom elogioso do conjunto. Ninguém que participou foi ouvido: não há fala de agricultor, de técnico nem de liderança local; não há fala de quem recebeu o grupo do outro lado; e não há uma linha de nenhum serviço de saúde do município sobre o uso desses preparos por moradores. A única voz do material é a de quem coordenou a ação.

Nas mesmas semanas, o instituto divulgava outras ações de assistência técnica no mesmo formato de relato. O portal registrou cinco biodigestores instalados em propriedades de agricultura familiar de outro município capixaba, divulgados duas semanas antes desta viagem, com esterco virando gás de cozinha e adubo. Outro escritório, outras pessoas, outro tema — e a mesma lacuna no fecho: também lá o comunicado deixa de dizer como um novo interessado entra na fila.

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