A Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) é a unidade que a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) aciona quando uma ocorrência sai do padrão: refém, criminoso armado entrincheirado, artefato explosivo, mandado a cumprir em área onde a abordagem comum colocaria moradores e policiais em risco. O grupo tem 18 policiais civis, funciona há 20 anos e é comandado pelo delegado Ricardo Almeida.
Para o leitor capixaba, a unidade aparece pouco no noticiário justamente porque só entra em cena no episódio mais grave. Nos últimos anos, a Core participou da prisão de pessoas que integravam a lista das mais perigosas do Estado e atuou em operações fora do Espírito Santo.
De GOT a Core: duas décadas em que mudou o nome, não a função
A unidade foi fundada há 20 anos com o nome de Grupo de Operações Táticas (GOT). Em 2018 passou a se chamar Core, acompanhando a padronização nacional dos nomes das unidades táticas. A troca não alterou a atribuição do grupo: serve para que equipes de corporações diferentes reconheçam a função umas das outras quando trabalham lado a lado.
Foi o que aconteceu nas ações conjuntas com a Core e com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. Operação conjunta desse tipo não significa transferência de comando: cada corporação responde pelos próprios policiais e a equipe de fora entra para somar treinamento e equipamento específicos.
O que significam os termos técnicos do treinamento
A descrição oficial da unidade lista quatro especialidades, e cada uma tem um significado prático:
- Combate em ambiente confinado — atuação dentro de imóveis, corredores e cômodos, onde as distâncias são curtas, não há para onde recuar e cada porta é um ponto cego. É o treino que separa entrar numa casa de atirar em campo aberto.
- Patrulha em área de alto risco — deslocamento por região onde a equipe pode ser recebida a tiros, com rotina própria de aproximação e de saída.
- Utilização de explosivos — tanto o manuseio quanto o que fazer diante de um artefato encontrado, situação em que o erro não admite segunda tentativa.
- Atirador designado — o policial que cobre a cena a distância. Além do disparo de precisão, cabe a ele descrever para o restante da equipe o que ninguém mais consegue ver de onde está.
Na prática, as funções em campo incluem o enfrentamento a criminosos armados, intervenções táticas em situações críticas, incursões em áreas de risco e o apoio a operações para cumprimento de mandados de busca e prisão. Vale lembrar o que é esse mandado: uma ordem assinada por um juiz que autoriza a polícia a entrar num endereço ou a prender alguém. Sem ele, a entrada só se sustenta em hipóteses restritas, como o flagrante. Quando o endereço é considerado perigoso, é a equipe tática que abre caminho para os investigadores cumprirem o documento.
Blindados, explosivos e a tríade que rege o grupo
A Core trabalha com viaturas blindadas e equipamentos modernos. O blindado, aqui, não é acessório: ele permite chegar perto o suficiente para negociar, retirar feridos ou proteger o deslocamento da equipe sem expor quem está dentro.
O grupo segue a tríade fundamental dos grupamentos táticos: “Treinar, Operar e Dar Treinamento”. A terceira parte costuma passar despercebida e é a que mais alcança gente fora da unidade — os policiais repassam a outros profissionais de segurança o que aprenderam em campo, de modo que a experiência de 18 pessoas não fique restrita a 18 pessoas.
As 1.052 vagas do concurso e por que a Core não é porta de entrada
A própria corporação associou a divulgação da unidade à proximidade do concurso da Polícia Civil do Espírito Santo, que vai oferecer 1.052 vagas para Oficiais Investigadores de Polícia (OIP).
Um ponto que o convite não explica: a Core não recruta direto da rua. Seus 18 integrantes são policiais civis, ou seja, o caminho começa pelo concurso e pela formação na corporação; a unidade tática vem depois, por seleção interna e treinamento específico. Quem mira o grupo de elite disputa, primeiro, a mesma vaga que todos os outros candidatos.
Detalhes sobre a unidade e sobre o concurso ficam concentrados no site oficial da Polícia Civil do Espírito Santo. Ocorrências em andamento continuam sendo caso de 190, e denúncias anônimas, de 181.
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