Estudantes da EEEFM José Vitor Filho, escola estadual de Cariacica, passaram o dia 16 de outubro dentro do campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em uma aula de campo interdisciplinar organizada em parceria com o Laboratório de Popularização da Ciência (LabPop/Ufes). A saída reuniu duas disciplinas eletivas da escola em um mesmo roteiro, que passou por laboratórios de pesquisa, pela Biblioteca Central e por uma exposição de arte africana.
Aula de campo não é passeio: é atividade curricular fora da sala, planejada antes, cumprida em um local escolhido pelo objetivo de ensino e retomada depois em aula. Foi o que aconteceu ali. Em vez de ler sobre como se faz pesquisa, os alunos viram o trabalho sendo feito e conversaram com quem o faz.
O roteiro dentro do campus, atividade por atividade
Os estudantes participaram de atividades mediadas nos Laboratórios de Popularização da Ciência e de Genética de Tartarugas Marinhas. Atividade mediada é aquela em que alguém do próprio laboratório conduz o grupo e explica o que está sendo feito na bancada, em vez de uma passagem apenas de observação pelo corredor.
O grupo também conheceu a Biblioteca Central e percorreu a exposição Arte Africana – Máscaras e Esculturas, montada na Galeria de Arte e Pesquisa (GAP/Ufes). A proposta declarada foi aproximar os estudantes do ambiente universitário e do fazer científico, estimulando a curiosidade, a reflexão e a valorização do conhecimento.
Duas eletivas diferentes couberam na mesma saída
A visita juntou as eletivas Além do Achismo: Ciência em Foco e Patrimônios Afro e Indígena, Musicalidade e a Arte do Brincar. Eletivas são componentes escolhidos dentro da oferta da escola e costumam trabalhar um tema específico ao longo do semestre, o que permite planejar uma atividade externa amarrada ao conteúdo.
O roteiro foi montado para atender as duas ao mesmo tempo. A primeira eletiva trata de método e evidência — o próprio nome opõe conhecimento verificado a opinião solta —, e encontrou isso nos laboratórios e no contato com pesquisadores. A segunda trata de patrimônio afro-indígena e cultura, e encontrou isso na exposição de máscaras e esculturas. Ciência e cultura não foram dois programas paralelos: foram o mesmo dia de aula.
O que disseram os professores que acompanharam
Essa experiência foi muito significativa, pois permitiu que nossos estudantes vivenciassem a ciência em um contexto real, interagindo com pesquisadores e observando o trabalho científico de perto. A parceria entre escola e universidade é fundamental para mostrar que o conhecimento está ao alcance de todos e que a ciência é uma construção coletiva
A avaliação é da professora Bruna Miurim Dalfior.
O professor José Paulo Nascimento destacou a relevância do projeto:
A aula de campo reforça o compromisso das nossas eletivas. Essa aproximação com a universidade inspira nossos alunos a seguirem aprendendo, pesquisando e acreditando na educação como caminho de transformação.
O relato de quem participou
Foi muito legal ver como a ciência acontece de verdade e conhecer laboratórios e pesquisadores da universidade. Aprendemos sobre as tartarugas, sobre arte africana e sobre como o conhecimento é construído com estudo e pesquisa. Saí de lá com mais vontade de estudar e de entrar na faculdade um dia.
O relato é do estudante Deurik Bryan da Silva Santos, da 2ª série do Ensino Médio.
Como uma escola pública chega a esse tipo de programa
Essa é a informação que o material divulgado sobre a visita não traz. Não há registro de como a parceria foi firmada, se existe calendário de agendamento aberto às demais escolas da rede, se o laboratório atende pedido espontâneo ou se há limite de turmas por semestre. Quem quiser repetir o formato precisa procurar diretamente o laboratório de divulgação científica da universidade.
O que o caso deixa visível é o desenho da coisa: a escola identifica um laboratório que já trabalha com popularização da ciência, e a visita é encaixada no que as eletivas estão estudando naquele semestre. O trajeto pelo campus vira continuação da aula, não interrupção dela.
Não é a primeira vez que a rede pública capixaba aparece dentro do campus por conta própria: estudantes de Anchieta já levaram um projeto de energia híbrida para a Semana de Ciência da Ufes. Em Cariacica, iniciativas parecidas também acontecem dentro do próprio prédio escolar, como a feira empreendedora com produtos e serviços desenvolvidos pelos estudantes, que mostra o outro lado do mesmo movimento: trazer o mundo de fora para dentro da escola.
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