Você sabia que a atuação do profissional na cirurgia veterinária vai muito além da realização de procedimentos operatórios?
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Trata-se de uma carreira que exige preparo técnico constante, visão crítica, capacidade de liderança e acompanhamento integral do paciente, que vai até o pós-operatório.
Embora ainda existam menos especialidades formalmente consolidadas quando comparadas à cirurgia humana, a cirurgia veterinária passa por um processo contínuo de expansão, de acordo com Karin Rinaldi Santos Batista, médica-veterinária, cirurgiã geral e coordenadora da equipe de cirurgia do hospital veterinário PetCare.
“A função deste especialista envolve responsabilidade clínica ampla e atuação integrada com diferentes áreas da Medicina Veterinária. A cirurgia está longe de ser a única atribuição do profissional. Avaliar o momento ideal para o procedimento, definir corretamente as indicações e acompanhar a evolução no pós-operatório fazem parte da rotina diária”, afirma.
Consultas, acompanhamento e atuação em equipe
A assistência nos períodos pré e pós-operatório é considerada tão relevante quanto o ato cirúrgico em si. Afinal, as consultas têm papel central na preparação do responsável, na orientação sobre cuidados necessários e no esclarecimento de possíveis complicações.
Segundo Karin, esse contato permite estabelecer vínculo, confiança e segurança, além de possibilitar a avaliação do estado geral do paciente antes da intervenção.
“Após o procedimento, o acompanhamento concentra-se na evolução da cicatrização, nas condições clínicas e na forma como os cuidados domiciliares estão sendo realizados”, explica a especialista.
Independentemente de a cirurgia ter finalidade curativa, eletiva, paliativa, diagnóstica ou voltada ao conforto, é importante ressaltar que o profissional deve compreender sua posição de liderança e atuar sempre em conjunto com uma equipe multidisciplinar.
“Esse especialista precisa entender seu papel dentro do time, trabalhando lado a lado com profissionais responsáveis pela internação, UTI e suporte clínico”, destaca.

Rotina profissional e desafios do dia a dia
O cotidiano na cirurgia veterinária raramente segue um dia a dia previsível. Mesmo com horários definidos em agenda, imprevistos são comuns, principalmente devido ao surgimento de urgências e emergências que podem alterar completamente a programação.
A forma de atuação também varia conforme o modelo de trabalho. Cirurgiões volantes se deslocam conforme a demanda, geralmente, levando seus próprios materiais, o que garante flexibilidade, mas pode ser fisicamente desgastante.
Já aqueles que atuam de forma fixa em hospitais precisam se adequar à rotina institucional, oferecendo suporte contínuo às equipes e participando de atendimentos eletivos e emergenciais.
“Plantões diurnos costumam ser mais organizados, com procedimentos previamente programados. No período noturno, o cenário tende a ser imprevisível, marcado por atendimentos críticos e decisões rápidas”, conta a cirurgiã geral.
Formação e caminhos possíveis na especialidade
Após a graduação em Medicina Veterinária, a residência é apontada como o caminho mais indicado para quem deseja atuar como cirurgião.
Considerada uma pós-graduação lato sensu, ela oferece experiência prática intensa dentro da rotina hospitalar, sob supervisão de docentes e profissionais mais experientes.
No entanto, o número de vagas é limitado, o que torna a formação complementar ainda mais importante.
Karin ainda explica que pós-graduações, cursos técnicos e treinamentos específicos devem fazer parte da trajetória profissional ao longo de toda a carreira.
“A formação do cirurgião não pode ser interrompida. Manter-se em constante aprendizado é determinante para a evolução profissional. É possível optar por áreas específicas, como Ortopedia, Neurocirurgia, Videocirurgia ou cirurgia oncológica, assim como seguir atuando como cirurgião geral, ampliando gradualmente o leque de procedimentos conforme a experiência adquirida”, ressalta a especialista.

Perfil profissional e habilidades essenciais
Além do conhecimento técnico, o especialista em cirurgia veterinária precisa desenvolver habilidades comportamentais fundamentais. Liderança e confiança são indispensáveis, especialmente em momentos críticos, nos quais decisões precisam ser tomadas em segundos.
Transmitir segurança ao time é outra qualidade que contribui para uma condução mais eficiente do procedimento.
“Por outro lado, o excesso de autoconfiança e a dificuldade em ouvir opiniões podem representar riscos. Equilibrar autoridade, humildade e trabalho em equipe é essencial”, explica a veterinária.
A destreza manual se destaca como diferencial, pois movimentos precisos e economia de manipulação reduzem o trauma cirúrgico e favorecem a recuperação pós-operatória.
Aspectos emocionais também influenciam a carreira. Amor pela profissão e compaixão pelo paciente são importantes, desde que não comprometam a execução técnica nem a relação com colegas e responsáveis.
Tipos de cirurgias e perspectivas de mercado
Castrações eletivas representam uma parcela significativa da rotina, mas procedimentos oncológicos também são frequentes, incluindo remoção de tumores hepáticos, esplênicos, adrenais, intestinais e pulmonares.
Casos de politrauma, como fraturas, hemorragias internas e feridas extensas, demandam atuação intensiva e acompanhamento próximo no pós-operatório.
Há, ainda, procedimentos menos comuns, como trombectomias, correções de shunt portossistêmico, plastias, microcirurgias, implantes de dispositivos e técnicas minimamente invasivas, que exigem alto nível de experiência e acesso a tecnologias específicas.
Quanto ao mercado, a tendência é de crescimento mais estável após um período de expansão acelerada. Nesse cenário, profissionais especializados e em constante atualização tendem a ter melhores oportunidades.
“Fazer o seu melhor todos os dias, com compromisso e gosto pelo que faz, é essencial. Os resultados aparecem com o tempo, de forma quase silenciosa”, conclui Karin.
FAQ sobre carreira de cirurgia veterinária
Essa carreira envolve apenas a realização de procedimentos?
Não. O especialista atua desde a avaliação da indicação cirúrgica, passando pelo preparo pré-operatório, execução da cirurgia e acompanhamento pós-operatório, incluindo orientação aos responsáveis e monitoramento da recuperação.
A residência é obrigatória para atuar como cirurgião?
Esse costuma ser o caminho mais indicado por oferecer intensa experiência prática, mas pós-graduações, cursos técnicos e treinamentos também fazem parte da formação contínua ao longo da carreira.
Quais características são fundamentais para quem deseja seguir essa área?
Liderança, confiança, capacidade de decisão rápida, destreza manual, equilíbrio emocional, trabalho em equipe e comprometimento com aprendizado constante são aspectos essenciais.
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