Durante os períodos de altas temperaturas, uma dúvida frequente entre os responsáveis por pets é se a tosa, realmente, contribui para reduzir o desconforto térmico dos pets ou se pode trazer riscos à saúde.
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A resposta não é simples nem universal, já que tudo depende do tipo de pelagem, das condições ambientais e da forma como o procedimento é realizado, de acordo com Aline Ambrogi, médica-veterinária, docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) e mestre em ciência animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP – FMVZ).
“Os pelos vão muito além da estética; eles exercem papel essencial na proteção e no equilíbrio fisiológico do organismo. Servem como uma barreira contra a radiação solar, variações de temperatura, umidade, vento, traumas mecânicos e agentes externos e, ainda, participam da sensibilidade da pele e da comunicação comportamental dos cães. Por isso, a ideia de que ‘quanto mais curto, melhor’ não corresponde à realidade fisiológica do animal”, explica.

O que considerar?
Tendo essas informações, os responsáveis podem ou não devem tosar os pelos dos animais de estimação?
Segundo a mestre, é preciso entender alguns pontos, como, por exemplo, a Dermatologia veterinária, que indica que a tosa pode, sim, auxiliar na redução do estresse térmico, desde que bem indicada.
“Em cães de pelo longo e contínuo, a redução controlada do comprimento favorece a ventilação da pele, diminui o acúmulo de calor e umidade e proporciona mais conforto, especialmente em regiões de clima quente e úmido”, diz a docente.
Já em animais com pelagem dupla, o cenário é diferente, por isso, atenção! Nesses casos, os fios funcionam como um isolante térmico dinâmico, protegendo tanto do calor externo, quanto do frio. Assim, a retirada excessiva compromete essa função e pode gerar mais prejuízos do que benefícios.
Quando falamos da frequência da tosa, não existe um protocolo único. A periodicidade e o grau de corte devem ser definidos de forma individualizada, considerando raça, tipo de pelo, ambiente e estilo de vida.
Em cães de pelo longo com crescimento contínuo, o procedimento pode ser feito, em média, a cada quatro a oito semanas, sempre mantendo comprimento suficiente para proteger a pele.
Em contrapartida, para àqueles com pelagem dupla, a recomendação é evitar a retirada do tamanho total. Nesse casos, o manejo mais adequado é a escovação frequente, que remove fios mortos e excesso de subpelo, favorecendo a troca de calor sem eliminar a barreira natural.
Quando a tosa pode fazer mal e diferenças entre pelos
Essa ação, quando bem indicada, não é prejudicial. O problema surge com a prática excessiva, especialmente a chamada tosa zero.
A retirada completa dos pelos expõe diretamente a pele à radiação solar e aumenta o risco de queimaduras, dermatites, alterações permanentes no crescimento dos fios e até neoplasias cutâneas.
Aline reforça que respeitar os limites fisiológicos da pele é fundamental. Reduzir demais o comprimento pode elevar a absorção de calor, interferindo negativamente na regulação térmica.
Cães de pelo curto, em geral, não necessitam de tosa, apenas de manutenção com banhos e escovação. Já os de pelo longo simples, podem se beneficiar de um corte funcional durante o verão.
“Nos animais de pelagem dupla a preservação dos pelos é essencial, e passar a escova continuamente segue sendo a principal estratégia de manejo. Fatores como raça, cor da pele, ambiente em que o animal vive e grau de exposição solar também devem pesar na decisão”, explica a médica-veterinária.

Muito além da tesoura
A tosa é apenas uma parte do cuidado com o calor. Por isso, contar com medidas complementares é indispensável, como, por exemplo, manter água fresca sempre disponível, oferecer ambientes ventilados e sombreados, evitar passeios nos horários mais quentes, utilizar superfícies frias ou tapetes gelados e nunca deixar o cão em veículos fechados.
“A escovação regular e a atenção aos sinais de hipertermia também fazem toda a diferença. A Dermatologia Veterinária atual reforça que a tosa deve ser encarada como uma ferramenta funcional e de bem-estar, e não apenas estética. Quando bem planejada, pode contribuir para o conforto térmico sem comprometer a saúde cutânea”, conclui Aline.
FAQ sobre a tosa em pets
Tosar os animais sempre os ajuda a sentir menos calor?
Não necessariamente. Em cães de pelo longo com crescimento contínuo, a tosa funcional pode reduzir o estresse térmico. Já em pelagens duplas, a retirada do comprimento não é recomendada, pois o pelo exerce uma função isolante importante.
A tosa zero é indicada no verão?
Não. A remoção completa dos pelos aumenta o risco de queimaduras solares, dermatites, alterações no crescimento do pelo e maior exposição da pele ao sol, podendo prejudicar a saúde do animal.
Apenas a tosa é suficiente para minimizar o calor?
Não. Ela faz parte do manejo, mas deve ser associada a outras medidas, como água fresca constante, ambientes sombreados, evitar passeios em horários quentes e escovação regular, garantindo conforto térmico de forma segura.
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