
Em suas exposições na Comissão de Direitos Humanos presidida pela deputada europeia Maria Arena, Chammas e Carolina denunciaram os impactos sociais, ambientais e as violações de direitos humanos causados pelo rompimento da barragem da Vale, que ocorreu em Brumadinho (MG) no dia 25 de janeiro de 2019, e por outros empreendimentos de mineração em Minas Gerais. “Onde eu vivo, existe em Minas Gerais dezenas de complexos minerários com centenas de barragens de rejeitos. E estas barragens se tornaram um pânico, um terror na vida de muitas pessoas. As vidas nas nossas cidades foram brutalmente atravessadas pela irresponsabilidade da segunda maior mineradora do mundo, que é a Vale”, afirmou Carolina. Hoje, Chammas e Carolina estenderam novamente a faixa em homenagem às vítimas em uma reunião com parlamentares europeus.

Diante dos parlamentares europeus e de representantes de organizações, ela também lembrou que até o momento os corpos de quatro vítimas da tragédia-crime da Vale não foram encontrados. A convite da presidente da comissão, Chammas e Carolina participaram das discussões na comissão do Parlamento Europeu sobre mudanças em regras legais que pretendem estabelecer obrigações para empresas europeias para que elas investiguem, fiscalizem e monitorem parceiros comerciais de suas cadeias de valor ao redor do mundo. O objetivo é ampliar as restrições para parcerias comerciais de empresas europeias com corporações de outros países que violem direitos humanos e gerem impactos ambientais.
“A gente faz um apelo para vocês avaliarem, de maneira criteriosa, o envolvimento das empresas do norte global e dos governos em toda cadeia de valor das matérias-primas consumidas. Não comprar e não financiar empresas que violam direitos, que colocam em risco a segurança hídricas e que contribuem para o agravamento da crise climática”, afirmou Carolina, dirigindo-se aos integrantes da comissão. Ela também lembrou que todo o dia 25 de janeiro, em Brumadinho, familiares de vítimas e atingidos pela tragédia-crime, fazem uma homenagem às 272 vítimas, lembrando da brutalidade de suas mortes. “Os familiares das vítimas fazem um ato em Brumadinho e falam: dói demais o jeito que vocês foram embora”.
À comissão, Chammas disse que, em Minas Gerais, há uma região “que tem sido devastada pela irresponsabilidade corporativa com o apoio do Estado. Recebemos pedidos expressos de nossos colegas do Instituto Cordilheira e da organização parceira AVABRUM para que falássemos por eles aqui”. Segundo ele, o que se pretende, com a participação nas discussões na comissão do Parlamento Europeu, é contribuir para evitar que uma outra tragédia como a de Brumadinho aconteça no Brasil ou em outra parte do mundo.
Aos presentes, Carolina lembrou que o documentário “A ilusão da abundância”, que será exibido na quarta-feira (12/10) na comissão do Parlamento Europeu, mostra a devastação social e ambiental causada pela tragédia-crime de Brumadinho. O filme tem como tema a luta de três mulheres, dentre elas Carolina, em defesa de seus territórios e da vida das pessoas diante de interesses de corporações e de governo na busca pela exploração ilimitada de matérias-primas.
fonte: LS comunicação