Registro da participação do CEEMTI Paulo Freire, de Anchieta, em mostra nacional de educação profissional e tecnológica

CEEMTI Paulo Freire leva dois projetos de Anchieta a Brasília

Dois projetos criados por estudantes do Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (CEEMTI) Paulo Freire, em Anchieta, ficaram expostos entre os dias 26 e 28 de novembro na 4ª Semana Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, em Brasília. A mostra é promovida pelo Ministério da Educação (MEC) e juntou escolas e institutos de todo o país para exibir o que se produz nos cursos técnicos.

O evento já terminou, e esta matéria o registra assim. Vale também dizer em que pé os dois trabalhos estavam quando desembarcaram lá: um é protótipo e o outro é proposta de produção. Nada no material da Secretaria da Educação (Sedu) indica que algum deles tenha virado produto, ganhado financiamento, sido registrado ou saído dos muros da escola.

Os dois projetos que o CEEMTI Paulo Freire levou a Brasília

O primeiro é o protótipo Luva Prismática, levado por uma estudante do curso técnico em Eletrotécnica. A proposta é embutir numa luva uma tecnologia capaz de guiar quem tem deficiência visual na hora de escolher e manusear produtos no hortifrúti — o setor de frutas, legumes e verduras dos mercados. A orientação foi do professor de Eletrotécnica Layon Mescolin.

Como a luva faz isso, a nota não conta. Não há informação sobre o que reconhece o produto, se o retorno chega ao usuário por som, voz ou vibração, quanto custaria montá-la, nem se alguma pessoa com deficiência visual chegou a testá-la fora da escola.

Casca de camarão como matéria-prima de adubo

O segundo trabalho saiu do curso técnico em Química: um biofertilizante que aproveita casca de camarão como componente orgânico — ou seja, transforma em insumo agrícola um resíduo que a indústria de alimentos descarta. O estudante responsável teve o apoio da professora de Química Carla Sardinha.

“O projeto propõe uma solução ecológica para a agricultura, utilizando resíduos de camarão, um insumo abundante na indústria alimentícia, para a criação de um fertilizante sustentável e de baixo custo”

A avaliação é da professora de Química Carla Sardinha.

Aqui também falta o que separa uma ideia de um produto: o material não diz se houve teste em laboratório ou em lavoura, qual foi o resultado agronômico, em quanto tempo o resíduo se transforma em adubo nem de onde sairia a casca em quantidade suficiente.

Por que esta reportagem não publica o nome dos estudantes

A nota oficial identifica os dois autores pelo nome completo. Nesta matéria eles aparecem pela função — uma estudante do curso técnico em Eletrotécnica e um estudante do curso técnico em Química —, e isso é escolha editorial, não falha de apuração. Nome inteiro somado a escola, curso e município aponta uma pessoa dentro de uma turma pequena, e esse registro fica indexado por muitos anos, para adolescentes que não pediram exposição pública. Os nomes dos professores e da gestora seguem no texto: eles respondem pela iniciativa como profissionais.

A leitura da Sedu — e o lado que a nota não traz

Quem falou pela rede estadual foi a gerente do Ensino Médio da Secretaria da Educação (Sedu), Endy Albuquerque. Para ela, estar em Brasília reforça a aposta na formação técnica, tanto para a entrada no mundo do trabalho quanto para o que a escola devolve à sociedade.

“Nossa presença demonstra a importância do ensino técnico não apenas como uma base sólida para o mercado de trabalho, mas também como uma ferramenta essencial para promover soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios da sociedade contemporânea”

A avaliação é da gerente do Ensino Médio da Secretaria da Educação (Sedu), Endy Albuquerque.

É a avaliação de quem administra a rede. Todo o material que sustenta esta matéria é uma nota da própria secretaria, com um único lado ouvido — e não haver crítica num texto oficial não significa que exista consenso sobre o assunto.

O que a nota oficial não responde

  • As três edições anteriores. O nome do evento carrega o número 4, o que pressupõe encontros antes deste. A nota não cita nenhum deles, não diz quando a série começou e não informa se a escola já havia participado alguma vez.
  • A próxima edição. Não há anúncio de uma 5ª Semana — nem data, nem local, nem prazo para inscrição de projetos.
  • Como os dois projetos foram escolhidos. O texto não menciona seleção, edital, etapa classificatória ou disputa com outras escolas da rede.
  • O tamanho da mostra. Fala em instituições de todo o Brasil sem dizer quantas, quantos projetos foram expostos ou quantas pessoas visitaram os estandes.
  • Se houve premiação. Não aparece prêmio, classificação, nota ou avaliação dos trabalhos apresentados.
  • A viagem. Quantos estudantes e professores foram, quantos dias ficaram e quem pagou o deslocamento não constam.
  • O depois. Nada indica se os dois projetos continuam em desenvolvimento no CEEMTI Paulo Freire, se receberam algum apoio ou se pararam quando a mostra acabou.

Sete meses depois, outro projeto de Anchieta numa mostra científica

A ida a Brasília não ficou sendo o único registro do município nesse tipo de vitrine. Cerca de sete meses depois, já em julho seguinte, estudantes de Anchieta apresentaram um projeto de energia híbrida na Semana de Ciência da Ufes — episódio posterior e independente deste. A nota que originou esta matéria não relaciona os dois casos.

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