De fato, muitos tutores se assustam ao descobrir cristais no exame de urina de seus pets. No entanto, a presença dessas estruturas não significa, necessariamente, que o animal desenvolverá cálculos urinários. Em outras palavras, cristalúria e urolitíase são condições distintas que exigem abordagens diferentes.
Primeiramente, é fundamental entender o que são os urólitos. Essas “pedras” se formam quando a urina permanece supersaturada com substâncias cristalogênicas, resultando na agregação de cristais e matriz orgânica ao longo do trato urinário. Além disso, os cálculos podem conter diferentes minerais em sua composição, o que torna cada caso único.
Estruvita lidera os diagnósticos no Brasil
Pesquisas brasileiras revelam dados importantes sobre essa condição. Por exemplo, estudo da Universidade de São Paulo identificou que a estruvita representa 47,6% dos urólitos caninos, seguida pelo oxalato de cálcio com 37,9%. Nesse sentido, investigação da Universidade Federal de Goiás confirmou padrão semelhante em felinos, com predominância de estruvita (47%) e urato (38,3%).
Múltiplos fatores desencadeiam o problema
Certamente, a formação dessas pedras não possui causa isolada. Consequentemente, nutrição inadequada, predisposição genética, infecções urinárias, idade, sexo e alterações metabólicas podem contribuir simultaneamente. Dessa forma, o diagnóstico preciso torna-se indispensável para definir a conduta terapêutica correta.
Análise por camadas define o melhor tratamento
Cada urólito possui estrutura em camadas: núcleo, pedra, parede e cristais superficiais. Portanto, identificar a composição mineral do núcleo é determinante para escolher entre dissolução nutricional ou remoção cirúrgica. Por outro lado, a simples maceração do cálculo revela apenas os minerais totais, sem diferenciar cada camada.
Assim sendo, a análise qualitativa e quantitativa por camadas é considerada padrão-ouro pela comunidade veterinária. Sem dúvida, essa técnica permite direcionar estratégias nutricionais específicas e evitar procedimentos cirúrgicos desnecessários.
Finalmente, vale reforçar que animais com trato urinário saudável podem apresentar cristais sem qualquer relevância clínica. Em contraste, iniciar tratamentos precipitados pode causar mais prejuízos do que benefícios ao paciente.
Fonte: Lulich JP et al. – Canine and Feline Urolithiasis, Wiley
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