Alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Marinete de Souza Lira, no município da Serra, fizeram no laboratório da própria escola o que costuma ficar restrito a laboratório de universidade: isolar e observar o material genético de um ser vivo. Na última sexta-feira (28), a turma participou da atividade prática “Explorando a Genética: Extração de DNA com morangos”, que trouxe a biologia molecular para a bancada de uma escola da rede estadual do ES.
O que os estudantes fizeram na bancada
A atividade aconteceu no laboratório de ciências da unidade escolar. Ali, os alunos conduziram um experimento de investigação científica até chegar ao material genético da fruta, isolando e observando o DNA do morango. A proposta era estimular o pensamento científico e a curiosidade, ligando o conteúdo visto em sala de aula à experimentação.
Na prática, o percurso foi o inverso do habitual: em vez de partir do esquema da dupla-hélice no livro e parar por aí, os estudantes chegaram ao próprio DNA e só depois voltaram à teoria para entender o que tinham nas mãos. É esse desvio de roteiro que faz a aula virar notícia: genética experimental costuma ser associada a laboratório de universidade ou a colégio caro, não a uma escola pública de ensino fundamental e médio.
Por que o morango é a fruta clássica dessa aula
A extração de DNA vegetal é uma das práticas mais tradicionais do ensino de biologia justamente porque dispensa equipamento sofisticado. A ideia é romper a parede e as membranas das células da fruta, separar o DNA das proteínas que o acompanham e fazê-lo se agrupar em fios esbranquiçados, que ficam visíveis sem microscópio.
O morango é o material preferido por dois motivos. É macio, o que facilita desmanchar o tecido até liberar o conteúdo das células, e a variedade cultivada carrega várias cópias de cada conjunto de cromossomos — ou seja, muito mais DNA por grama do que a maioria das plantas. O resultado é uma quantidade de material genético grande o bastante para o aluno enxergar a olho nu.
A professora: teoria sozinha não convencia a turma
Segundo a professora de Biologia Eduarda Castiglioni Biazi, relacionar conceitos abstratos com uma prática real despertou o interesse dos estudantes pela ciência e pela pesquisa. Ela conta que o experimento nasceu de uma dificuldade concreta da turma. “Diante dos desafios enfrentados, como a dificuldade de alguns estudantes em compreender a extração apenas na teoria, a solução foi clara: a experimentação prática foi fundamental para tornar o aprendizado mais envolvente e dinâmico”, destacou a professora.
Para ela, o ganho não está na sofisticação do procedimento, mas no fato de ele acontecer diante dos alunos. “Trazer a genética para o laboratório, mesmo de forma simples, permite que os alunos enxerguem a ciência acontecendo diante de seus olhos. Isso torna o aprendizado mais significativo e desperta o interesse pela pesquisa.”
O que isso muda para o aluno da rede estadual
Aulas como essa aproximam o estudante de escola pública do método científico na prática — formular uma pergunta, executar um procedimento, observar o resultado e interpretá-lo —, e não apenas do conteúdo pronto do livro didático.
O relato da atividade foi divulgado pela Sedu.
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