Medicamentos humanos tóxicos para pets: o que fazer na hora — Direto Notícias

Medicamentos humanos tóxicos para pets: o que fazer na hora

O comprimido guardado na gaveta de casa, seguro para uma pessoa adulta, pode levar um cão ou um gato à emergência. Medicamentos humanos são tóxicos para os animais mesmo em pequenas doses e estão entre as principais causas de atendimentos de urgência por intoxicação em clínicas e hospitais veterinários. O erro mais frequente é o mesmo em quase todos os casos: o tutor decide medicar por conta própria, com o remédio que tem à mão.

A veterinária Aline Lobato, clínica geral a domicílio, afirma que a automedicação segue no topo dos enganos cometidos por quem cuida do animal.

“Muitos responsáveis partem do princípio de que, se o medicamento é seguro para humanos, também será para o animal. Porém, isso não é verdade e pode ter consequências graves”

O alerta é da veterinária Aline Lobato.

Por que o corpo do cão e do gato reage de outro jeito

Cães e gatos metabolizam substâncias de forma diferente das pessoas. O fígado, os rins e as enzimas encarregadas de eliminar o fármaco funcionam de maneira específica em cada espécie — é por isso que um remédio banal para o tutor se torna tóxico dentro do animal.

Há um segundo fator, e ele explica boa parte da gravidade: a distância entre a quantidade que faria efeito e a quantidade que envenena pode ser muito curta, sobretudo em gatos. Em termos práticos, não existe a lógica de dar apenas um pedacinho do comprimido — o que muda a conta não é só o tamanho do animal, é a capacidade do organismo dele de processar aquela substância.

“Os felinos têm limitações importantes no metabolismo hepático, o que os torna extremamente sensíveis a alguns princípios ativos comuns”

A explicação é de Aline Lobato.

Analgésicos e anti-inflamatórios lideram as ocorrências

Entre os medicamentos humanos mais associados a quadros de intoxicação estão os analgésicos e os anti-inflamatórios não esteroidais — a mesma prateleira que a maioria das casas tem abastecida.

O paracetamol é um dos exemplos mais conhecidos e mais perigosos, sobretudo para gatos. A ingestão, mesmo em doses muito baixas, pode causar lesões hepáticas severas e alterações graves nas células sanguíneas dos felinos.

O ibuprofeno, o diclofenaco e o naproxeno também representam risco elevado para cães e gatos. Esses fármacos podem provocar úlceras gastrointestinais, insuficiência renal aguda e, em casos mais graves, levar à morte.

“São medicamentos amplamente usados por pessoas, o que aumenta o risco de exposição acidental ou administração equivocada”

A observação é da veterinária Aline Lobato.

Outras classes que exigem o mesmo cuidado

A lista não para nos analgésicos. Antidepressivos, especialmente os que atuam no sistema nervoso central, podem causar agitação, tremores, alterações cardíacas e convulsões. Medicamentos para pressão arterial, hormônios, descongestionantes nasais e fármacos para tireoide também oferecem risco significativo.

Em boa parte dos casos, ninguém ofereceu nada ao animal: a ingestão é acidental. O comprimido cai no chão durante o preparo da dose da família, fica esquecido sobre a mesa ou dentro de uma bolsa deixada ao alcance do cachorro. Para um animal que investiga o ambiente com a boca, uma cartela é apenas mais um objeto novo.

“Mesmo medicamentos que eventualmente tenham uso na rotina veterinária só devem ser administrados quando há indicação, dose e acompanhamento definidos por um profissional”

A ponderação é de Aline Lobato. A existência de um princípio ativo que também é usado em veterinária não autoriza o tutor a repetir em casa a dose humana — quem define indicação, quantidade e acompanhamento é o veterinário.

Os sinais que pedem atendimento imediato

Os sinais clínicos variam conforme o princípio ativo, a quantidade e a espécie, mas alguns se repetem. Estão entre os mais observados:

  • vômitos e diarreia;
  • salivação excessiva;
  • apatia;
  • dor abdominal;
  • dificuldade respiratória;
  • tremores e convulsões.

Em gatos, há sinais adicionais que apontam para lesão do fígado: alterações faciais, inchaço nas patas e mucosas amareladas — a gengiva e a parte interna da pálpebra perdem o tom rosado. Diante de qualquer suspeita, o atendimento veterinário deve ser imediato.

“O tempo é um fator decisivo para o prognóstico. Quanto mais rápido o animal é avaliado, maiores são as chances de recuperação”

A avaliação é da veterinária Aline Lobato.

O que fazer nos primeiros minutos

A conduta diante de uma ingestão suspeita é curta e não tem etapa intermediária: levar o animal imediatamente ao atendimento veterinário e informar qual medicamento foi ingerido, se possível. Não espere o primeiro sintoma aparecer para sair de casa — em intoxicação medicamentosa, o animal pode passar horas aparentemente bem enquanto o quadro avança por dentro.

O que não fazer, enquanto isso, é tão importante quanto:

  • não tente provocar vômito por conta própria, com qualquer receita caseira;
  • não ofereça outro medicamento para tentar cortar o efeito do primeiro;
  • não espere para ver se melhora sozinho.

Antes de sair, junte o que o veterinário vai precisar para decidir a conduta — e que ninguém consegue reconstruir depois de memória:

  • a embalagem ou a cartela do medicamento, mesmo vazia ou mordida, porque nela está o princípio ativo e a concentração;
  • a quantidade, ainda que estimada: conte quantos comprimidos faltam na cartela e leve o resto;
  • o horário em que o animal teve acesso ao remédio, ou o intervalo em que ele ficou sozinho com a cartela;
  • o peso aproximado do animal e quais medicamentos ele já usa por prescrição.

Ligar antes para a clínica, avisando que está a caminho com um caso de possível intoxicação, ajuda a equipe a preparar o atendimento. Se o acidente acontecer de madrugada ou no fim de semana, procure um serviço veterinário de plantão — deixar o número anotado na geladeira, antes de precisar dele, poupa minutos que contam.

A prevenção resolve o que a emergência tenta consertar

A melhor forma de evitar a intoxicação continua sendo impedir o acesso. Medicamentos humanos devem ficar sempre fora do alcance de cães e gatos, de preferência em armários fechados — e não na mesa de cabeceira, na bolsa apoiada no chão ou no porta-objetos onde a caixa fica esquecida até a hora de tomar. Comprimido que cai no chão precisa ser recolhido na hora, antes do animal chegar nele.

E a regra de ouro não muda com a intensidade do sintoma: nunca se deve oferecer qualquer fármaco ao animal sem orientação profissional, mesmo que os sinais pareçam leves.

“A automedicação pode mascarar sinais clínicos importantes e agravar o quadro. A consulta veterinária é indispensável para um diagnóstico correto e um tratamento seguro”

A conclusão é da veterinária Aline Lobato.

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