Documento histórico de época em referência ao Dia do Fico, de 9 de janeiro de 1822

Dia do Fico: o que aconteceu em 1822 e por que não tem lei

Documento histórico de época em referência ao Dia do Fico, de 9 de janeiro de 1822
Foto: Donatello Trisolino / Pexels

Hoje, 9 de janeiro, é o Dia do Fico. A data lembra o dia de 1822 em que o príncipe regente d. Pedro recusou a ordem das Cortes portuguesas para retornar a Lisboa e decidiu permanecer no Brasil — não é feriado, mas é tratada como um dos marcos do caminho até a Independência.

O que se comemora no Dia do Fico

O Dia do Fico marca a decisão do príncipe regente d. Pedro, em 9 de janeiro de 1822, de não obedecer à ordem das Cortes portuguesas que mandava seu retorno a Lisboa. O episódio é tratado como passo decisivo no caminho rumo à Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro daquele mesmo ano.

O nome “Fico” vem do próprio verbo que resume a decisão: em vez de embarcar de volta para Portugal, como determinavam as Cortes, o príncipe regente optou por permanecer no território brasileiro.

O que aconteceu em 9 de janeiro de 1822

O Arquivo Nacional guarda o termo de vereação da sessão da Câmara do Senado do Rio de Janeiro realizada naquele dia, no Paço. Segundo esse documento, o juiz-presidente, vereadores, o procurador e representantes de outras câmaras pediram ao príncipe regente que permanecesse no Brasil, apresentando representações com assinaturas em apoio ao pedido.

Há uma frase famosa atribuída a d. Pedro nesse episódio, mas ela circula em versões diferentes conforme a fonte, e por isso não é reproduzida aqui como se fosse transcrição documental exata. O que o Arquivo Nacional registra, com solidez, é o próprio termo de vereação — o pedido formal feito pela Câmara para que o príncipe regente ficasse.

Existe lei para o Dia do Fico?

Não. O Dia do Fico é uma efeméride histórica, sem qualquer lei que a tenha instituído como data comemorativa oficial. Isso significa que não há votação de projeto de lei a relatar, não há sanção presidencial, não há artigo de norma fixando o dia 9 de janeiro no calendário — apenas a memória de um episódio que a historiografia brasileira consolidou como relevante.

É um padrão que se repete em boa parte do calendário de datas comemorativas do país: fatos históricos importantes viram data lembrada por costume, por ensino escolar ou por cobertura de imprensa, sem que isso dependa de lei alguma. O Dia do Fico é um exemplo direto desse padrão — relevante o bastante para ser ensinado nas escolas, mas nunca formalizado como data comemorativa por norma.

Como a data é lembrada hoje

Sem lei e sem calendário oficial de eventos, o Dia do Fico é lembrado principalmente como conteúdo de ensino de História do Brasil, associado ao processo que levou à Independência, proclamada meses depois, em 7 de setembro de 1822. A documentação da época — como o termo de vereação guardado pelo Arquivo Nacional — segue sendo a base para reconstituir o episódio com precisão, diferente das versões populares da frase atribuída ao príncipe regente, que variam de fonte para fonte e por isso não são reproduzidas aqui como transcrição fiel.

Não há ponto facultativo nem evento público oficial atrelado à data: o que existe é a permanência do episódio na memória histórica nacional, retomado todo 9 de janeiro como um dos marcos do caminho até a Independência do país.

Vale reforçar por que essa distinção importa para quem estuda o calendário de datas comemorativas: nem todo fato histórico relevante recebeu, em algum momento, uma lei que o transformasse formalmente em data comemorativa oficial. Muitos continuam no calendário por outro caminho — o dos livros de História, das aulas e da cobertura de imprensa que se repete a cada aniversário do episódio. O Dia do Fico é um desses casos: relevante o suficiente para ser lembrado todos os anos, sem que isso jamais tenha exigido votação no Congresso Nacional.

Em resumo, o Dia do Fico não tem lei — tem história, registrada em documento de época guardado pelo Arquivo Nacional. A decisão do príncipe regente de permanecer no Brasil em 9 de janeiro de 1822 é lembrada até hoje como um dos passos que antecederam a Independência, proclamada meses depois, e segue no calendário por força do ensino e da memória, não de norma.

Outras datas de janeiro

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