Avaliação da rede estadual passa a incluir tema étnico-racial

A Secretaria da Educação (Sedu) incluiu a temática da Educação das Relações Étnico-Raciais em todos os cadernos de teste da Avaliação de Monitoramento da Aprendizagem (AMA) 2ª edição, prova aplicada aos estudantes da Rede estadual. A mudança, anunciada em setembro de 2024, é resultado de uma parceria entre as Gerências de Avaliação (GEA) e de Educação Antirracista, do Campo, Indígena e Quilombola (Geaciq), e vale para todas as áreas avaliadas, não para um caderno específico.

O que é a AMA e o que significa uma temática entrar nela

A AMA é uma avaliação externa: as questões não são escritas pelo professor da turma, e sim montadas centralmente pela Sedu, em cadernos padronizados aplicados às escolas da Rede. Avaliações desse tipo não existem para dar nota ao aluno. Servem para monitorar, ao longo do ano letivo, o que os estudantes estão de fato aprendendo, e os resultados voltam às escolas como material de trabalho para os professores e as equipes pedagógicas.

Por isso, incluir uma temática nesse instrumento tem um efeito prático: o assunto deixa de depender apenas do projeto de cada escola ou da iniciativa de um professor e passa a ser algo que a própria Rede acompanha e mede. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando uma escola de Viana, em agosto de 2024, promoveu diálogo sobre relações étnico-raciais por meio de tertúlia: uma ação local, tocada pela unidade. Com a inclusão na AMA, o tema também passa a circular pelo caminho comum a todas as escolas.

Duas equipes passam a validar as questões juntas

A partir da inclusão, GEA e Geaciq atuam em conjunto na validação das questões que compõem a avaliação — ou seja, cada item passa também pelo crivo da equipe que cuida da educação antirracista antes de chegar ao caderno do estudante. A parceria será reforçada no ano seguinte, quando as edições da Avaliação Diagnóstica, aplicada para medir o ponto de partida das turmas, também passarão a tratar a mesma temática junto à AMA.

“A Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER), valorizando a diversidade, as histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas, precisa estar presente em todos os processos educacionais. Inserir essas abordagens na AMA é mais um passo em nossa Rede, no sentido de naturalizarmos a ERER e seguirmos avançando no cumprimento amplo das Leis 10639/03 e 11645/08”, disse a gerente da Geaciq, Aline de Freitas Dias.

As leis citadas na avaliação

As duas leis mencionadas pela gerente são a base legal do conteúdo. A Lei 10639/03 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira na educação básica; a Lei 11645/08 estendeu a obrigatoriedade à história e à cultura dos povos indígenas. É conteúdo previsto em lei há mais de uma década — e uma avaliação externa é justamente o instrumento que permite verificar se ele chega à sala de aula.

A gerente de Avaliação da Sedu, Ivia Zambom, completa: “este passo nas avaliações externas capixaba é de grande importância para o desenvolvimento integral dos estudantes da Rede, pois permite que os resultados desta avaliação externa contribuam com uma educação transformadora”.

O que veio depois na Rede

A inclusão na AMA foi um passo dentro de uma sequência que seguiu nos meses seguintes. Em novembro de 2024, o Programa de Educação das Relações Étnico-Raciais da Sedu foi ao encontro do tema abordado na redação do Enem 2024, que tratou da herança africana no país. No fim daquele ano, os estudantes da Rede Estadual passaram a poder realizar a autodeclaração étnico-racial — informação que descreve quem é o público das próprias avaliações.

A frente também gerou material de apoio ao professor: em agosto de 2025, a Sedu divulgou o resultado preliminar dos selecionados do II Caderno Orientador de Educação para as Relações Étnico-raciais, publicação organizada a partir de trabalhos enviados pelas escolas.

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