Feira de Profissões na Serra teve NASA e Polícia Federal

A EEEFM Zumbi dos Palmares, no município da Serra, abriu as portas na segunda-feira, dia 23, para uma rodada de orientação de carreira com convidados fora do roteiro habitual de uma escola pública: um agente da Polícia Federal, o criador de um cursinho voltado ao Enem e um funcionário da NASA. A feira de profissões na Serra reuniu ainda ex-alunos da própria escola, que voltaram para contar como entraram na faculdade.

O que já valia e o que ainda não valia: a edição descrita pela Sedu aconteceu no dia 23 e já estava encerrada quando o material foi divulgado. Havia, sim, anúncio de uma segunda rodada, marcada para 25 de outubro — mas com público definido de antemão: os adolescentes atendidos pelo Centro de Referência da Juventude. Não era, portanto, evento aberto a quem quisesse aparecer.

Quem esteve na escola e o que cada convidado faz

O material da Sedu nomeia três convidados e descreve cada um em uma linha. Vale destrinchar, porque as descrições dizem menos do que parecem.

  • Rafael Pacheco — apresentado como agente da Polícia Federal e também como secretário de Estado da Justiça. Acumula, pela descrição oficial, uma carreira policial federal e um cargo de primeiro escalão no governo estadual.
  • Renato Ribeiro — idealizador do Projeto SER, que a Sedu define como curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O texto para por aí: não diz se o preparatório é gratuito, onde funciona, quantas vagas oferece nem como alguém se inscreve.
  • Briant Moreira de Oliveira — identificado apenas como funcionário da NASA. Cargo, área de atuação e tempo de casa não aparecem no material.

Essa lacuna importa. Para o estudante que assistiu à palestra e saiu querendo seguir o mesmo caminho, saber qual é a função dentro da agência espacial é a diferença entre um objetivo concreto e uma vaga inspiração.

Os ex-alunos foram a parte útil — e citaram quatro cursos

O documento usa o termo alunos egressos, que na linguagem escolar significa simplesmente quem já concluiu os estudos naquela unidade. Eles falaram de rotina de estudo, planejamento e processos seletivos, e citaram os cursos em que ingressaram: Medicina Veterinária, Design de Interiores, Psicologia e Tecnologia da Informação (TI).

Ex-aluno costuma pesar mais que palestrante convidado por um motivo simples: ele fez o mesmo percurso, na mesma escola, com as mesmas limitações. A distância entre a carreira de quem trabalha na NASA e a realidade do terceiro ano é enorme; a distância entre o veterano que passou no vestibular há dois anos e o calouro de hoje, nem tanto.

O material não informa quantos ex-alunos voltaram, em que instituições eles estudam, nem se ingressaram por vestibular, por nota do Enem, por cota ou com bolsa.

Quem organizou: uma professora, sem verba declarada

A iniciativa é creditada a Rute Janaina da Costa Silva, professora de Projeto de Vida — o componente do currículo do ensino médio dedicado a ajudar o adolescente a definir metas pessoais e profissionais antes de sair da escola. Na prática, é a disciplina em que a pergunta o que você vai fazer da vida vira tarefa de sala.

O formato misturou palestra, roda de conversa, exposição dos trabalhos dos próprios estudantes e estações interativas. O que o documento não diz é se a ação teve apoio financeiro, se houve recurso da rede estadual envolvido ou se saiu inteiramente do esforço da equipe da escola. Iniciativa individual de professor é coisa diferente de programa institucional com orçamento — e o material não permite dizer qual das duas é o caso.

A segunda edição da feira de profissões na Serra tinha público fechado

Este é o ponto que o comunicado oficial menciona de passagem e que mais interessa a quem lê. A nova rodada foi marcada para 25 de outubro e destinada aos adolescentes do Centro de Referência da Juventude. A programação anunciada incluía apresentações culturais e sorteio de bolsas de estudo.

O sorteio de bolsas é a única oferta concreta do texto inteiro, e vem sem nenhuma das informações que a tornariam acionável: quantas bolsas, oferecidas por qual instituição, para quais cursos, cobrindo qual percentual da mensalidade e por quanto tempo. Também não há critério de participação publicado nem local do encontro. Quem leu o anúncio e quis concorrer não tinha, pelo material, a quem recorrer.

O que a Sedu não informa

  • Quantos estudantes participaram. Nenhum número de público aparece — nem de alunos, nem de turmas, nem de séries envolvidas.
  • Se houve estudantes de outras escolas. O texto trata de uma única unidade, a Zumbi dos Palmares, embora o título original fale de estudantes da Serra no plural genérico.
  • Endereço e horário. Nem da edição realizada, nem da seguinte.
  • O que é o Centro de Referência da Juventude, quem ele atende, onde fica e como um adolescente passa a ser atendido por ele.
  • Como acessar o preparatório para o Enem citado na feira.
  • Se a Feira de Profissões tem calendário fixo. O material a chama de tradicional, mas não informa desde quando existe nem em que época do ano costuma ocorrer.
  • Se a segunda edição aconteceu e qual foi o resultado dela. Não há material posterior de acompanhamento.

Um lado só, e nenhuma fala

O texto de origem é um comunicado da própria rede estadual sobre uma ação da própria rede estadual. Nenhum estudante, responsável, gestor escolar ou especialista em orientação vocacional foi ouvido. Ausência de crítica em material oficial não significa que não haja crítica — significa apenas que ela não foi procurada.

Vale registrar um detalhe incomum: o documento não traz uma única declaração entre aspas. Nem dos convidados, nem dos ex-alunos, nem da professora que idealizou a ação. Tudo o que se atribui a ela aparece em discurso indireto, resumido pela assessoria. Por isso esta matéria também não traz citação nenhuma: não havia fala a reproduzir.

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